A vida prática, 1º episódio: a informação que conta, a da realidade

Se nos quisermos manter incólumes nesta aventura de existir numa sociedade massificada, o que a torna frágil e vulnerável num mundo globalizado que exige precisamente a diversidade, temos de saber que terreno estamos a pisar. Essa é a realidade, a informação que verdadeiramente nos interessa.

Ora, essa informação não nos é facultada, precisamente pelas características da sociedade que nos arrumaram, da tal massificação. A informação que nos dão nos jornais e nas televisões são fabricadas e formatadas para consumo das massas, precisamente. Eu sei, eu sei, isto soa a ficção de cordel, mas é precisamente essa é a ideia que de nós têm os gestores do poder: consumidores acríticos da ficção de cordel.

Exemplo: agora os ricos também são taxados, logo, há justica nos impostos e logo também, há equilíbrio nos sacrifícios. Mais cordel do que isto não sei não… Outro exemplo: anunciam-se cortes na despesa mas nada se avança de realmente significativo, a não ser na saúde, precisamente uma área tão sensível para o envelhecido contribuinte que vê a sua reforma encolher dia a dia.

Na realidade, o contribuinte é colocado na seguinte situação: sustentar a máquina estatal.

Obter a informação correcta e fidedigna sobre a nossa situação, a tal realidade de que nos querem privar, é fundamental para podermos gerir a nossa vidinha. Esta é a condição básica fundamental. E a realidade é esta: estamos a pisar gelo fino e poucos se apercebem disso. Já viram alguma vez o que acontece quando se abre um buraco no gelo?

E porque é que estamos nesta situação? Inúmeros factores contribuíram para isso, a começar pelo conformismo de toda uma sociedade amorfa. Pelos sonhos pueris de várias gerações, ofuscadas com promessas de um lugar ao sol sem grande esforço, por vezes até para não fazer mesmo nada.

Foi relativamente fácil às diversas lideranças políticas convencer toda uma sociedade a deixar-se embarcar nessa lógica irresponsável. Porque as promessas adequavam-se às aspirações da maioria. A massificação é a melhor condição da manutenção de todo um sistema a funcionar, baseado na cultura corporativa. Basta dizer o que as massas querem ouvir, o resto corre por si.

A nossa maior fragilidade e vulnerabilidade não surge apenas pela massificação nem pela cultura corporativa. O maior perigo que corremos é o da inconsciência dos que decidem por nós: eles próprios não sabem que estão a pisar gelo fino. Ou se o sabem, caminham sobre ele como se não soubessem, de forma desajeitada e por vezes em floreados saltitantes de patinagem artística! (glup!)

E não me refiro apenas ao país, também à Europa, e aos próprios States! As lideranças patinam desajeitadamente sobre gelo fino. Conflitos mal geridos, despesas galopantes, erros de gestão, incompetências inadmissíveis em lugares essenciais. Dá até a sensação de actores a quem entregaram um guião de fraca categoria, cheio de clichés, enquanto o verdadeiro guião é seguido à parte, noutra dimensão que não nos é acessível. Não, por acaso não andei a ver o 007…

Portanto, a informação que mais se aproxima da realidade é a que nos pode ser útil. Claro que não podemos influenciar o grande plano do filme, o guião oculto, mas podemos prever e prevenir à nossa pequena escala, com pequenos passos atentos e cautelosos. Não nos comportarmos como consumidores acríticos da ficção informativa, procurando a informação que conta, a da realidade. Se nos distanciarmos das palavras e nos fixarmos nos actos, nos resultados, já estamos a orientar os nossos passos na direcção certa.

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3 respostas a A vida prática, 1º episódio: a informação que conta, a da realidade

  1. Ativo diz:

    É importante consciencializarmo-nos da responsabilidade global da crise. Ou seja, nós, povo, também temos culpa da situação em que nos encontramos. Somos um povo comodista que crítica sem agir. Não temos noção do poder que temos e, como consequência, engrenamos numa máquina que anda desgovernada por políticos e pelos portugueses em geral.

    Da mesma forma, também nós somos uma das soluções. Se exigirmos os nossos direitos, eles terão que ser respeitados. Mas ficamo-nos sempre pelas palavras, e os ventos andam muito fortes.

  2. agfernandes diz:

    Ativo

    Sim, tem razão, mas a questão não será tanto de “nossos direitos”, a meu ver, mas da nossa autonomia possível, que está a ser prensada dia a dia.
    Isto chegou a este ponto porque deixámos que isto chegasse a este ponto, mas a situação é mais complexa: na democracia cabe tudo, a má gestão política e económica, as mentiras e equívocos, a escravização do contribuinte.
    Ana

    • Ativo diz:

      Claro que é uma questão mais complexa. Tenho a noção que a má gestão política e económica, as mentiras e equívocos bem como a escravidão do contribuinte, tenham sido um fator mais pesado para a situação em que estamos do que a nossa inação.

      Mas temos esta característica de esperar que as coisas corram por si e que o destino as resolva.

      Se a nossa autonomia está a ser prensada, devemos pensar em como pudemos nós, no nosso papel de cidadãos, ajudar ou contribuir para resolver certas questões que nos afetam e que nos dizem respeito.

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