A vida prática, 3º episódio: perceber as leis do movimento e aplicá-las ao crescimento económico

Uma simples observação da natureza seria suficiente para as pessoas perceberem as leis do movimento. Antigamente essa ligação à realidade era natural, as pessoas estavam muito mais próximas da realidade do que hoje. Dessa proximidade e adaptação dependia a sua sobrevivência.

Hoje as pessoas vivem numa realidade mais virtual do que real. A suposta realidade é-lhes apresentada em ecrãs coloridos ou em fiozinhos nos ouvidos. As pessoas vivem assim ligadas a tempo inteiro a alimentadores de informação que não tem aplicação prática, a não ser servir de ligação artificial ao resto do mundo de que as pessoas não se conseguem sentir separadas. Hilariante o tema de um dos mais recentes programas d’ “O Amor é” da Antena 1: uma fobia à ausência do telemóvel. Mesmo as pessoas que não estão abrangidas por esta fixação à informação virtual, estão ligadas à televisão e a outra forma de virtualidade.

Pôr alguma coisa em movimento como a economia, por exemplo:

a) não se baseia na realidade virtual. Nem em fórmulas artificiais ou programas que só alteram as estatísticas mas não se reflectem na realidade;

b) depende de livre circulação de bens e serviços, sem demasiadas restrições ou interferências, e quando se fala em circulação fala-se em acessos facilitados;

c) implica relações de confiança, coesão, sentimentos de pertença comunitária, em vez de fracturas, conflitos ou percepção de pertencer a grupos separados;

d) depende de uma energia vital, o forte desejo de ver um caminho à frente, um desafio, uma concretização, que depende por sua vez da libertação de constrangimentos e obstáculos.

O desenho do futuro, não me canso de o repetir, nada tem a ver com o desenho que nos preparam os actuais gestores do poder político e económico: é em rede, pequenas células altamente inteligentes e em constante comunicação entre si. As hierarquias existem, mas não com a funcionalidade actual, servem precisamente para facilitar a comunicação e não para a bloquear ou adulterar. A economia é uma comunicação viva, em movimento constante. Tem uma lógica própria que acompanha as leis da física mas também da psicologia. E hoje tem de ser encarada noutra dimensão, tem de acompanhar as novas tecnologias.

A base de uma possível mobilização dos cidadãos para um desafio a vários anos, do crescimento económico, num país como o nosso, já não está ao alcance de políticos ou economistas na gestão política. Ao não terem percebido que as velhas receitas já não funcionam politicamente, e muito menos se reflectem positivamente na economia, perderam a oportunidade de criar as condições favoráveis ao impulso necessário para pôr tudo em movimento. Por vezes questiono-me se percebem sequer as leis do movimento e se conhecem a verdadeira natureza da economia. É que às vezes parece mesmo que vêem tudo estático, congelado, compartimentado. Isto é para aqui, aquilo é para ali, tira-se dali para aqui e troca-se aquele por aquele, depois faz-se esta troca de novo, preencher aquele buraco ali, vai-se buscar além… Nada disto vai pôr coisa alguma em movimento. A não ser pôr as novas gerações a emigrar para outros países.

A mudança cultural profunda não virá dos gestores políticos ou económicos. Isso está bem claro para todos nós. A mudança cultural profunda virá da própria realidade: a necessidade de sobrevivência de um país que depende de empréstimos para se mexer, mas que, por essa mesma dependência, tem de vender a sua margem de manobra futura, a sua dignidade e qualidade de vida. Estes constrangimentos são incompatíveis com as leis do movimento, como o crescimento económico. É mesmo este o destino que queremos para um país tão paradoxal mas que amamos de forma inexplicável?

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Esta entrada foi publicada em Sapatos Ortopédicos, Vacinas, Vitaminas. ligação permanente.

Uma resposta a A vida prática, 3º episódio: perceber as leis do movimento e aplicá-las ao crescimento económico

  1. Ativo diz:

    Quando as coisas estão mesmo à frente dos nossos olhos, é quando são mais difíceis de “encontrar”.

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