Merkel, Sarkozy e o CAPM

Quem algum dia estudou gestão ou economia, seja por percurso académico ou mera curiosidade intelectual, cruzou-se com uma sigla chamada “CAPM”.

Para quem ainda não teve a felicidade de o fazer, e nos dias que correm a ignorância sobre economia ou gestão já começa a poder considerar-se uma benção, aqui vai uma curta explicação: a sigla significa “Capital Asset Pricing Model” e não é mais que um modelo que a partir de uma equação de regressão linear simples (y = a + b * x) estima o equilíbrio de mercado em termos de retorno de activos face ao seu risco. O raciocínio é muito simples: um qualquer activo tem que pagar um retorno (y) que seja no mínimo igual à taxa de retorno sem risco (a), somada ao prémio de risco que o mercado paga hoje face à taxa de retorno sem risco (b * x). Esta última parcela encerra duas componentes: o prémio que o mercado paga a mais face à taxa de retorno sem risco (x), multiplicada pela relação entre os movimentos do activo e os movimentos do mercado (b).

Este modelo muito simples (e parte das críticas que sofre deve-se efectivamente à sua simplicidade, considerada excessiva) está para quem algum dia tenha a mais pequena intenção de analisar mercados como as 4 operações algébricas básicas ou o conhecimento do alfabeto para qualquer comum mortal que queira tentar viver em sociedade.

O que é que Merkel e Sarkozy têm a ver com isto? Supostamente nada. Na prática… tudo e mais alguma coisa!

A razão é simples e prende-se apenas com uma das variáveis da equação: a taxa de juro sem risco.

É que até hoje (em bom rigor até final da semana em que estamos), a taxa de juro sem risco (à falta de melhor opção) era genericamente vista como o retorno que o estado pagava pela divida soberana do país. Porquê? Por uma razão muito simples: é que o Estado, como tem uma impressora rotativa fantástica que pode imprimir notas, nunca jamais (Jamé, como diriam outros) em tempo algum deixará de honrar os seus compromissos com a dívida que emitiu. Assim, o Estado pode ser visto como o devedor mais honrado e consequentemente com menos risco que pode existir.

Certo? Errado, como este casalinho simpático se prepara para demonstrar.

Só espero estar profundamente enganado, pois caso contrário vai-me custar bastante ter que deitar fora a imensidão de livros sobre este assunto e que nos últimos anos têm vivido alegremente nas estantes lá de casa.

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