A riqueza, a complexidade e a resistência da cultura mediterrânica, através da árvore que melhor a representa, a oliveira

Dificilmente poderíamos imaginar que, da festa em azul nos Jerónimos até hoje, a Europa institucional desse tantas reviravoltas e piruetas para manter a sua cultura de origem: a que diferencia o norte e o sul e a que revela mútuos preconceitos e orgulhos feridos. Esta cultura de origem foi expressa em atitudes, decisões, ultimatos, etc. Os cidadãos europeus, esses, foram ignorados, porque não entram realmente nesta construção artificial.

Para fazer a ponte entre o norte e o sul só mesmo as pessoas simples e comuns, os cidadãos que não contam. São eles que mantêm alguma sanidade e bom senso, em vidas diárias, cada um na sua actividade ou ocupação. Neles encontramos a criatividade, a coragem e a ousadia que falta às lideranças e aos tecnocratas no poder.

Descobri no Youtube mais um exemplo desta ponte entre uma cultura do norte e a cultura mediterrânica através de uma actriz, Carol Drinkwater, uma das protagonistas de uma das minhas séries televisivas preferidas, All Creatures Great and Small, que passou por cá no início dos anos 80.

As raízes da oliveira, a sua história e características, são perfeitas metáforas dos povos mediterrânicos. Formaram-se através de pontes culturais, de uma complexidade imensa, avessos ao tom monocórdico de uma Europa construída para os adulterar e domesticar.

Se acompanharmos este fascínio de Carol pela oliveira, árvore milenar, verificamos, com alguma perplexidade, que os tecnocratas não percebem nada da complexidade cultural de cada país e região e que o desenho da Europa formatado em gabinetes não pode sobrepor-se à diversidade e às possibilidades da vida real. Podem tentar, mas não funciona.

Em vez de juntarem todas as especificidades das culturas regionais, de as valorizar e potenciar, numa lógica de bem comum europeu, com os cidadãos e não contra os cidadãos, procuraram defender os interesses dos países mais fortes e negociar áreas produtivas exclusivas, com quotas Santo Deus! Controlaram demasiado a produção numa lógica contrária a uma economia de mercado saudável e, no entanto, esqueceram-se de controlar os excessos financeiros.

Sem os cidadãos não há Europa. Sem especificidades culturais regionais não há Europa. E sem pontes entre as várias regiões não há Europa.

Sugiro-vos a simplicidade da história pessoal de Carol e da sua aventura apaixonante na senda das raízes e do estudo da oliveira que, para mim, traduz a riqueza, a complexidade e a resistência da cultura mediterrânica. É refrescante ouvir as pessoas simples para variar, dar-lhes voz, acompanhar a concretização dos seus sonhos, sentir o seu entusiasmo. A oliveira como melhor representante da cultura mediterrânica, pois.

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