Estas lideranças não fazem nada bem à saúde

Numa época em que as pessoas temem pelo seu futuro, pela possibilidade de adoecerem e não terem o apoio necessário, as emoções que as podem fragilizar são precisamente as que têm sido provocadas e reforçadas pela informação oficial: cortes na saúde, aumento do pagamento dos serviços (consultas, medicamentos, exames), ou mesmo perda de acesso a determinados serviços… todo este receio incutido nas pessoas é contraproducente. Será que os responsáveis não percebem isso?

Como será hoje a perspectiva de um reformado já com uma idade razoável, que começa a revelar algumas mazelas próprias da idade, ser assim bombardeado com notícias diárias: que o preço das consultas vai subir, assim como o dos medicamentos, o transporte em ambulância ou o táxi (quando não há outro meio, lembremo-nos que o interior já está praticamente ao abandono, correios, escolas, centros de saúde, etc., tudo fechado)?

Como pode este nosso reformado encarar os anos à sua frente, em que esperava uma certa tranquilidade baseada numa certa confiança nos serviços de saúde na velhice, e o preparam para tempos ainda mais difíceis e talvez mesmo outras privações ainda desconhecidas? O medo invade-o, a angústia, o futuro já lhe surge negro e inóspito, o abandono… Às mazelas que o incomodavam juntam-se agora outras: ansiedade, taquicardia, tensão alta, depressão. Aos medicamentos que já tomava juntam-se outros. Num terrível ciclo vicioso.

Estas lideranças não fazem nada bem à saúde: falta-lhes a inteligência prática, o bom senso, a capacidade (e a vontade) de informar correctamente os cidadãos, de realmente comunicar, de manter essa ligação fundamental responsáveis-clientes dos serviços públicos. Aqui estão todos abrangidos: políticos, ministros, gestores públicos, sindicatos, etc.

Cada vez mais me convenço que é necessária uma profunda mudança cultural e que terá de se iniciar nas pessoas simples, nos cidadãos, de baixo para cima.

Não temos verdadeiras lideranças, em parte alguma: na política, na economia, na saúde, na educação, nas áreas-chave da nossa vida colectiva.

Este é o nosso panorama geral: uma ansiedade e uma tristeza colectiva perto de um ano que se inicia já muito velho, já gasto, vira o disco e toca uma ária bem pior do que a anterior. Tal como o Benjamin Button, este ano já nasce vacilante, de muletas, mal se endireita. Esperemos que, tal como o Benjamin, se vá endireitando (ah, a língua portuguesa é mesmo muito traiçoeira…) e que este país negligenciado, maltratado, abandonado, descubra fórmulas eficazes de se gerir colectivamente. Este é o meu desejo neste Natal: que as pessoas descubram em si próprias as soluções que foram entregando a quem nada pode (porque não sabe e não quer) solucionar.

Anúncios
Esta entrada foi publicada em Farmácias de Serviço, Vacinas. ligação permanente.

2 respostas a Estas lideranças não fazem nada bem à saúde

  1. Ativo diz:

    Um belo exemplo do que acontece em Portugal para dar cabo de certas esperanças, principalmente das mais novas. É por isso que andam todos a fugir para outros países.

    http://fusivelativo.blogspot.com/2011/12/who-is-who.html

  2. agfernandes diz:

    Sem dúvida, as perspectivas não são nada animadoras.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s