Produtividade

Ontem, enquanto trabalhava, vi uma nota de rodapé na SIC Notícias que dizia algo do género “Ferraz da Costa diz que a meia hora de trabalho aumenta a produtividade”.

(Pedro) Ferraz da Costa é o presidente do “Fórum para a Competitividade” e alguém a quem reconheço o bom senso para pensar bem nas palavras, começo por admitir que certamente a falha é minha, que desconheço o conceito de produtividade.

É que, para os ignorantes como eu, e admitindo que se estava a falar da produtividade do factor trabalho, a meia hora adicional aumenta a produção, mas não necessáriamente a produtividade. Assumindo que existem economias de escala, então quando muito haverá um aumento da competitividade (tudo o resto constante) por via da diminuição dos custos unitários de produção, que nos permite apresentar melhor preço ao cliente.

É que, sendo a produtividade do trabalho um rácio entre o output produzido e o número de horas trabalhadas, a não ser que naquela meia hora os trabalhadores consigam ser muito mais eficientes e produzir mais unidades por unidade de tempo, então a produtividade na melhor das hipóteses mantém-se igual. É que (mais uma vez do ponto de vista dos ignorantes como eu) como o factor trabalho é constituído por pessoas, a produtividade marginal provavelmente será decrescente com o passar do tempo (entre períodos de descanso) por via do cansasso físico.

Hoje, lendo as declarações transcritas na imprensa, não encontrei nada que me tirasse do estado de ignorância, uma vez que apenas encontrei referência ao aumento do número de horas trabalhadas e respectiva ligação à nossa competividade externa.

Fiquei sem perceber, mas citando o filósofo LFS (Luiz Filipe Scolari), “o burro sou eu!”.

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2 respostas a Produtividade

  1. Francisco Albino diz:

    Tem razão, se medir a produtividade, como refere, pelo quociente output / horas trabalhadas. Mas há outras medidas de produtividade, porventura mais significativas, e nessas já o resultado é diferente:
    1) quociente output / trabalhador (produção per capita) (chamada por vezes “produtividade aparente”); é a medida mais vulgar de produtividade numa indústria.
    2) quociente entre o valor do output e o custo do factor trabalho empregue naquela produção (chamada por vezes “produtividade real”), o que significa o valor obtido por cada euro investido no factor trabalho. Ora, se for possível obter maior output e de maior valor com o mesmo custo do trabalho, a prodtuvidade, de facto, aumenta. Esta forma de medir é mais usada na análise comparativa entre países.
    Se for analisar o que se passa em economias desenvolvidas verá que Portugal tem das mais baixas “produtividades reais”.
    É claro que há aqui um factor muito importante para o indicador de produtividade real, para além do custo e do tempo de trabalho: é o valor do output e esse já tem a ver com a complexidade do produto, o valor acrescentado nacional, a incorporação de concepção, engenharia, design, etc.
    Espero que o meu contributo possa ser útil.
    Cumprimentos.

    Francisco Albino
    Oeiras

    • Zé M. Lucas Martins diz:

      Agardeço a resposta, mas não posso estar de acordo com o conceito de “produtividade real”. A fundamentação do argumento é simples: a produtividade do trabalho mede-se pelo output produzido vs o input necessário à produção. Ora se medirmos este rácio em termos de custo, então o salário torna-se numa medida de reflexo directo da produtividade e, portanto, a expressão “linhar salários pela produtividade” fica uma aberração, porque se está a alinhar uma coisa (o salário) com ela própria (a produtividade).

      A produtividade, sendo um factor de eficiência produtiva do trabalho, não me parece que se deva misturar com o conceito custo.

      Vou tentar dar um exemplo fora do contexto, propositadamente, para explicar o meu ponto, usando uma coisa que temos em casa: um frigorífico. O que este conceito de produtividade real está a fazer é basicamente dizer que a eficiência energética do equipamento se mede pelo preço… Ora o que na verdade acontece é que o dito frigorífico tem uma classificação energética (classe qualquer-coisa) que por sua vez se traduz num consumo de energia, e é esse consumo que depois é comparado com o preço. Ora não é pelo facto da electricidade ficar mais barata que um frigorífico se torma mais eficiente pois não?

      No caso concreto, o que se está a fazer com esta medida é a baixar o salário horário (mais horas por igual montante = menos montante por hora) que é o mesmo que no exemplo parvo que dei, a companhia electrica baixar o custo por Kw. Isto não altera nada o a eficiência energética do frigorífico, tal como esta medida não altera o valor da nossa produtividade.

      Além disso, sendo a produtividade uma medida universal, ela deve poder ser aplicada a todos os sectores da mesma forma (os resultados do rácio é que podem ser diferentes), o que não acontece com este conceito. Já que estamos a falar de indústria, mesmo no ambiente da indústria, não me parece que esta medida possa ser aplicada nas unidades que por exemplo trabalhem em 3 turnos de 8 horas.

      Desconhecia o conceito de “produtividade real” aplicado pela nossa indústria, que na minha opinião de “produtividade” tem pouco e cuja aplicação nos leva à conclusão que os chineses devem ser o povo mais produtivo do mundo…

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