Qual o tipo de comunicação que vai prevalecer e aperfeiçoar-se, o Facebook ou o Youtube?

Aqui vai um desafio desta vez, uma projecção do futuro próximo: qual o tipo de comunicação que vai prevalecer e aperfeiçoar-se, o Facebook ou o Youtube?

Vamos caracterizar brevemente estes dois tipos de comunicação:

– Facebook: rede social que se forma numa lógica de tipo multiplicador, em que a comunidade de Amigos se baseia em coincidências da história de cada um, ou geográficas, ou coincidências de Grupos a que aderiram, ou outros interesses comuns. Na própria definição do Perfil há uma certa artificialidade, cada um apresenta um “rosto” e um “papel” por si elaborado. Verifica-se nesta rede social uma relação desigual dominada pela lógica ídolo-fãs, pelos “Gosto” e “Não gosto”. Uma ideia ou um produto pode ser promovido pelos Amigos que aqui funcionam como veículos de transmissão, como consumidores.  Estas comunidades apenas coincidem na troca de comentários sobre os mesmos temas sociais, políticos, económicos, artísticos, ou na utilização de jogos virtuais, o que caracteriza a comunicação como superficial. A funcionalidade com mais interesse poderia ser a profissional, mas aqui revela-se pouco eficaz, a meu ver, a não ser na lógica do marketing tradicional.

– Youtube: não sendo uma rede social, é um espaço de informação partilhada. As “comunidades” que se formam aqui são informais e aleatórias, ninguém pode prever quem é que vai procurar ou encontrar aquele vídeo específico, a não ser quando lhe é sugerido pelo link. A relação entre ídolos e fãs é mais próxima e mais igualitária, qualquer um pode colocar um vídeo com uma versão sua de uma música de que gosta, ou uma opinião, ou uma palestra, ou um programa televisivo, ou um filme ou um documentário, ou mesmo um acontecimento que testemunhou. A informação que se coloca vive independentemente da quantidade de links, e acaba também por ser mais real e criativa, cada um dá a cara pelo seu trabalho, nem que seja na composição do vídeo. A busca de informação é intencional e dirigida, mas pode levar a descobertas interessantes. Também é mais selectiva, não se recebe informação paralela e supérflua, apenas o que se pretende. E há espaço para o afecto, sobretudo nos comentários, o que a torna mais próxima.

Aqui refiro-me ao tipo de comunicação que irá prevalecer, se mais formatado e condicionado como o Facebook, com comunidades que se organizam numa ógica multiplicadora a partir de coincidências pré-definidas, ou se mais informal, livre, aleatório como o Youtube, com comunidades que surgem, sem o saber, a partir de interesses selectivos e pessoais.

Em breve veremos surgir novas ferramentas de comunicação, mais funcionais e inteligentes, que permitem uma interacção útil e interessante. As implicações da possibilidade de interagirmos de forma inteligente, directa, sem entraves, com qualquer outra pessoa do planeta que esteja no mesmo comprimento de onda, sem perda de tempo ou de energia com tudo o que não nos interessa, o “lixo paralelo”, terá consequências inimagináveis. Esta interacção já é possível em comunidades científicas e mesmo nalgumas comunidades tecnológicas, artísticas, etc., mas tentem imaginar uma rede de interacções directa à dimensão global que permita trocar ideias das mais simples às mais complexas, pedir e dar sugestões pertinentes. Estamos lá perto.

Também nos motores de busca actuais, que ainda trabalham de forma textual, por identificação de palavras-chave, o que ainda nos traz muitos links que não nos interessam, haverá surpresas num futuro próximo. Veremos surgir essa busca mais inteligente, selectiva e dirigida, e a um nível “supra-textual”, que identifique outras formas acessórias de comunicação, desde logo na própria busca inicial e na informação que se pretende, e que consiga filtrar e dirigir um percurso entre mil percursos, como um GPS muito sensível e eficaz.

E este desafio surge em vésperas do Carnaval, mas isso já é pura coincidência… Sim, também gosto de desafios.

E porque é Carnaval, o que me lembra sempre as peças de Gil Vicente – como seria uma sua versão actualizada? -, fica também esta sugestão: procurem ver sempre a ironia em qualquer situação, e sobretudo distanciem-se de noticiários sensacionalistas para consumo de massas, sejam mais selectivos e exigentes com a informação que obtêm sobre os acontecimentos que podem realmente ter um impacto significativo nas nossas vidas.

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