Um país de adolescentes tardios

Como dizer isto de forma clara e simples? De uma forma que reflicta o filme actual, o guião, os cenários, as personagens, os protagonistas, os secundários e os figurantes?

Vamos tentar:

– um grupinho que quer anular a sua participação e responsabilidade na criação de uma nova cultura no país, como se pode classificar? São como pais adolescentes que tiveram um bébé que cresceu e se transformou num diletante medíocre e de quem já não querem assumir a paternidade. Podiam ter rejeitado a criaturinha na altura em que revelou os primeiros traços da sua mediania e demonstrou os primeiros actos de delinquência, mas não! Nessa altura o filhote rendia, após um casting foleiro dos ídolos europeus (i.é, rendia vantagens económicas que um socialista não pode desdenhar, pois então!?);

– um responsável pela gestão política que não respeita as regras da educação mais básicas de um qualquer manual de boas maneiras, respeitar os mais velhos mesmo que se babem à nossa frente e digam disparates, nem as regras mais elementares da relação institucional, revela o quê? Um desprezo pela colectividade que diz representar, ao não dar o exemplo de responsabilidade;

– um grupo político que geriu as finanças colectivas de uma comunidade durante uma década, de forma tão danosa e irresponsável que acabou por provocar a entrada de fiscais de fora para controlar as continhas, chantageia os restantes elementos com uma ruptura democrática (o que é isso?);

– um responsável máximo pela política da colectividade tenta levantar a moral da mesma revelando finalmente toda a sua base cultural do novo-riquismo, do tipo parente pobre europeu e mundial: olhem para mim, ganhei um prémio, sou o maior nesta área, estou aqui, estou aqui. Finalmente ficamos a perceber que tinha muito em comum, culturalmente falando, com o anterior gestor político, o tal que que pertence ao grupo que acabou de rebentar com as finanças colectivas e que agora chantageia a colectividade ;

– a única mulher em lugar-chave político resolve falar de Cícero e da linguagem dos deuses (só se for do filme Os Deuses devem estar loucos) porque a linguagem de que me lembro é do mais rasteiro de que há memória: Força força camarada Vasco nós seremos a tua muralha de aço… Detesto ser sequestrado, pá… Só para referir algumas.

Somos um país de adolescentes tardios.

Hoje o único protagonista adulto da cerimónia foi o Paulo de Carvalho de cravo na mão e olhos comovidos e aquela voz única, só dele.

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