Mas afinal, quem está a ser pressionado não é o governo?

Hoje procuro analisar o contexto, os protagonistas, as motivações, das recentes movimentações. E analisar também a técnica: as mesmas notícias repetidas até à exaustão, não fundamentadas, mas comentadas.

Além de um Gil Vicente, falta-nos um Fernão Lopes para colorir este guião de livro policial em que o 007 da história ainda não pôde dizer nada, agora que todo o país já o identifica. O jornalismo de serviço já criou o guião, já o pôs a correr nas televisões, os comentadores de serviço já papaguearam o que lhes foi dado a comentar, os elementos da elite mediática também já deram os seus palpites e instruções, e tudo isto enquanto três organismos estão a tratar do assunto.

De qualquer modo, o guião desta história revela três coisas:

– o papel do jornalismo caseiro na pressão ao governo e na tentativa de  manipulação da opinião pública. Não tendo de confirmar os dados que lhes dão, seguindo a agenda que serve os oportunismos de conveniência;

– os criadores do guião da intriga nacional (que nome giro para um livro policial, já viram?) precisam seriamente de um manual de instruções elementares para que a sua mensagem passe sem ser desmontada pelo cidadão comum mais experimentado e que já tenha lido bons autores neste género de ficção (ter lido Dan Brown já é suficiente);

– a necessidade de se fazer cumprir os códigos deontológicos profissionais das seguintes actividades: justiça (envolvendo todas as áreas profissionais); jornalismo impresso e televisivo; e outras especialidades das diversas ciências sociais. Metade do problema da intriga nacional ficava resolvido. O comentadorismo também deveria ser submetido a um código deontológico: só tendo dados fundamentados na mão se pode ir à televisão contribuir para agitar a vida de quem anda a pedalar para sobreviver.

Por onde pegaria Fernão Lopes hoje nesta história? Pelo cidadão comum evidentemente. Pelo que anda a sustentar estas personagens irresponsáveis de serviço. Pelo que tem de recorrer ao apoio social e ao Banco Alimentar. Pelo que tem de emigrar para sobreviver.

Mais alguém pode falar hoje em seu nome? Não, só o próprio. E o próprio votou numa solução governativa. Apostou num programa, sabendo que esse programa está condicionado à fiscalização externa, situação a que o país chegou depois de uma gestão danosa socialista. Gestão danosa que está, coincidentemente, a correr em audições parlamentares: BPN, PPPs, a que agora se juntam as secretas (do 007 já apresentado a todos os espectadores e que ainda não pôde falar).

Era por aí que Fernão Lopes hoje começaria, com o entusiasmo narrativo que tanto nos deliciou, a descrever um tempo de personagens estranhamente semelhantes às actuais: pela escolha efectuada pelo cidadão comum numa determinada gestão política, numa possível solução para a actual situação financeira, económica e social a que chegámos e a que algumas personagens irresponsáveis querem agora somar agitação política para condicionar decisões que não lhes agradam; e pelas legítimas expectativas do cidadão comum relativamente a essa gestão política, financeira e económica do país, uma vez que sofre na pele as consequências de decisões que os penalizaram e vão penalizar por muitos anos:

– desemprego elevadíssimo e a subir;

– cortes dos subsídios;

– impostos incomportáveis;

– empresas a falir todos os dias;

– emigração a níveis impensáveis.

Portanto, a agenda prioritária é essencialmente deixar de sustentar:

– RTP;

– empresas públicas mal geridas;

– monopólios empresariais;

– fundações conhecidas e fundações-fantasma;

– metade dos deputados na AR e gabinetes de assessores para isto e para aquilo;

– organismos e corpúsculos vários à sombra do contribuinte;

– contas mal feitas, contratos ruinosos, negociatas manhosas, etc. etc.

Como TPC de hoje, proponho analisarmos o guião do jornalismo televisivo, e dos comentadores que o reforçam, segundo os seguintes requisitos:

– dados concretos: acontecimentos, cronologia, contexto específico;

– coerência, consistência e verosimilhança;

– adulteração da narrativa por pormenores mal contextualizados;

– identificação de todos os intervenientes e a comparação dos dados da versão de cada um.

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