Se os nossos gestores políticos já desistiram do país, como vão vender a sua viabilidade à Europa e ao mundo?

Enquanto na América vemos o discurso, sobretudo o democrata, promover a classe média como fundamental para uma sociedade forte, saudável, equilibrada, coesa, pronta para mais um salto civilizacional que acompanhe o nível de expectativas das novas gerações, por aqui o discurso centrou-se na redução do valor trabalho, apresentada como inevitável. O cenário aqui é a destruição sistemática e maciça da classe média, enfim, o regresso aos anos 60 com a sangria da emigração.

Com a integração na UE, as condições de acesso, a falta de visão, a má gestão política e as opções erradas a partir daí, ficámos entalados numa moeda demasiado forte para a nossa economia e entalados em dívidas irresponsáveis. Mas agora, depois de cortar a direito nas vidas das pessoas, dando uma sacudidela dolorosa na classe média, quebrando o ânimo e a esperança que deveria ser a última a morrer, esta proposta já não tem lugar. A inevitabilidade da decadência e da mediocriade não é proposta que se apresente ao país, às pessoas, às famílias, aos velhos, às novas gerações, a quem já tiraram tudo menos a possibilidade de se projeatarem no futuro. Sem futuro uma sociedade desespera.

Quem se apresenta ao país com a proposta da inevitabilidade de se virar para trás e continuar a andar ao contrário, é porque já desistiu do país. E se os nossos gestores políticos já desistiram do país, como vão vender a sua viabilidade à Europa e ao mundo?

Ontem vi na televisão a entrevista a Maria João Rodrigues, antiga ministra de Guterres e actual Conselheira na UE, e concordei com essa perspectiva: é preciso saber negociar, vender a ideia de um país com potencialidades de sucesso. Também concordei com as prioridades que considerou, as condições favoráveis a uma recuperação económica. De qualquer modo, discordei de dois pontos: um, o seu optimismo relativamente à Europa, a países decisores como a Alemanha, como estando interessados no nosso sucesso, pois até agora os sinais têm sido ambíguos; e relativamente à RTP e o serviço público, porque um país falido onde se passa fome não pode dar-se ao luxo de sustentar serviços públicos que, ainda por cima, não se distinguem positivamente dos concorrentes.

Portanto, por cá temos tudo ao contrário, de tal forma ao contrário que o partido que se tem comportado de forma mais sensata tem sido o PS, e a entrevista mais bem sucedida nos tempos recentes foi a do seu secretário geral. Fica aqui uma nota positiva para o trabalho profissional dos seus conselheiros, assessores e até treinadores (agora diz-se coaching), certamente muito mais pros do que os do governo. Claro que o partido ainda mantém a sua marca registada e a sua cultura intrínseca, não me refiro a isso, refiro-me à calma, sensatez e capacidade de ouvir os outros, o que revela inteligência.

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