Os países europeus do sul e a cultura mediterrânica: uma questão de sobrevivência

Deveríamos esperar das lideranças uma visão alargada e adequada, uma definição correcta das prioridades e um maior sentido de responsabilidade. Deveríamos esperar que essa visão alargada e adequada permitisse delinear estratégias que considerassem as prioridades, revelando sentido de responsabilidade. Mas por esse filme podemos esperar sentados. Em vez dele, como todos já perceberam, a fita que vai passar no écrã é mais uma sequela do filme de terror já nosso bem conhecido, com os mesmos guionistas, produtores, realizadores e actores principais. E para melhor vender o filme, as vozes mediáticas desdobram-se em narrativas contraditórias, uns a tentar relativizar os erros, outros a manter a confusão entre conceitos, outros a misturar números e gráficos, mas todos a tentar esconder a fórmula. Ainda não perceberam, mas já todos a descodificaram.

O nosso país, lugar que poderia ser acolhedor para os seus e não rampa de lançamento para fora, tão pequeno e em tão grandes dificuldades, às ordens da UE e sem margem de manobra negocial, tem de arranjar formas de procurar apoio numa dimensão mais abrangente, da sua cultura própria, a mediterrânica. Em vez de seguirmos a narrativa que nos venderam “não somos gregos mas bons alunos”, devíamos procurar estreitar os laços de solidariedade com os outros países em circunstâncias semelhantes, os países europeus do sul, os países mediterrânicos com que temos uma base cultural comum. Afinal, agora já “somos gregos” e os espanhóis, que viram o filme grego e português, não o querem produzir e realizar por lá.

Gregos, portugueses, espanhóis, franceses e italianos, talvez por esta ordem da desgraça anunciada, todos os que verdadeiramente amam a sua cultura do respeito pela diversidade, uma cultura milenar, já tendo percebido o que está em causa, só terão vantagem em encontrar formas de se entre-ajudar. Isolados é que não vamos a lado nenhum. Associações e movimentos de cidadãos europeus, equipas bem informadas, novas lideranças partilhadas que possam apresentar-se como credíveis e representativas das vontades dos cidadãos. Propostas e projectos baseados num respeito pela diversidade cultural, o nosso melhor trunfo, um contraponto à voz única e compacta de uma UE que saltou por cima de leis, acordos e tratados e agora se quer apresentar num projecto federalista sem ter considerado países e cidadãos.

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