Há uns tempos atrás pensava assim. Hoje, ao ver a situação em que os gregos caíram, ao ler artigos em diversas plataformas, ao ouvir os gestores políticos e financeiros caseiros, tenho de concluir que sair do euro será inevitável.
Começará com os gregos, naturalmente, e alastrar-se-á a Portugal e Espanha. Os irlandeses talvez se consigam manter nesse equilibrismo porque a sua economia é resistente.
Como TPC para este fim-de-semana proponho este vídeo que descobri no youtube, “The Cafe: Greece: the end of the european dream?”:
Vemos, lá como cá, as várias vozes da análise da situação: os políticos (aqui representados por duas mulheres), a finança, um economista, um médico e uma estudante. Lá como cá, o discurso político distancia-se da realidade nua e crua do dia a dia dos gregos. A finança está-se nas tintas para o número dos esfaimados e dos suicídios, é a voz do optimismo. Reparem como estas vozes se aproximam, os políticos e a finança, no discurso e na mensagem publicitária: precisamos do euro e da troika, são eles que nos garantem a estabilidade, só precisamos de mais tempo. Lá como cá.
O economista tem uma perspectiva realista sobre previsões futuras: a saída é inevitável, antes agora do que numa situação pior. O médico revela os números da fome, da doença sem tratamento, dos suicídios. A estudante também fala desta realidade e da ausência de perspectivas futuras, da emigração.
É interessante observar como as vozes revelam a pouco e pouco as suas grandes divergências na perspectiva. Verifica-se aqui uma fractura cultural. Como TPC proponho também analisar a dimensão e a natureza desta fractura: moral, ética, social, etc.
Lá como cá, os políticos não têm soluções para a realidade do dia a dia, para a economia, e francamente não sei se essa é a sua prioridade. Quem lhes garante a tal estabilidade é a Europa, o euro, a troika. A finança idém aspas, aspas. Lá como cá.
Os cidadãos europeus, sobretudo do sul, sabem que os gregos lhes estão a mostrar hoje o que os espera amanhã, os resultados desastrados da ficção da moeda única, e o discurso alucinado da união política e fiscal.
‘Lá como cá, os políticos não têm soluções para a realidade do dia a dia, para a economia, e francamente não sei se essa é a sua prioridade. ‘
Infelizmente, concordo inteiramente. Excelente post. Pela incapacidade e, sobretudo, falta de vontade de reforma do estado que este governo tem demonstrado, cada vez mais me convenço que os nossos políticos não só pretendem colonizar o estado como pretendem também colonizar os escombros do estado.
Obrigada, Maria João.
A Maria João utiliza um termo magnífico: “colonizar os escombros do estado”. Se repararmos, a crise é de facto a oportunidade dos políticos desenharem o país e os cidadãos à medida das suas conveniências: o único ajustamento que se viu foi o dos cidadãos e das suas vidas. A crise foi a oportunidade para aumentarem o seu poder.
A meu ver, as soluções não nos serão apresentadas pelos gestores políticos e financeiros. E também não residem no projecto da união política ou fiscal.
Ana