Já se aceitam apostas?

Os italianos são uns tipos com graça. Gostam de ser diferentes em tudo e apostam na diferenciação como forma de exclusividade.

Outrora, os alemães tentaram mandar neles e ordenaram que se colocassem componentes da Audi num Lamborghini para supostamente o fazer funcionar melhor. Diziam os alemães que era preciso aumentar coisas como fiabilidade e usabilidade, que estavam a prejudicar as vendas e a levar a marca à bancarrota, conceitos que para os italianos eram coisa de gente maluca. Aparentemente, para um consumidor alemão, o seu carro avariar no meio de uma montanha sem explicação em plena noite de inverno a nevar é uma calamidade. Para um italiano, o seu Lamborghini parar temporariamente (que é como eles chamavam a avariar) no meio dos Alpes, na mesma noite, com a mesma quantidade de neve, é uma inevitabilidade da vida que faz parte da personalidade própria do seu carro. A única coisa que tem interesse num Lamborghini é o motor e se os alemães estavam armados em picuinhas e queriam estar com mariquices na “tampa do motor” (que é como os italianos chamam ao resto do carro) para aumentar as vendas, então tudo bem… trocassem lá os botões do ar condicionado se isso os fazia mais contentes. Foi isso que aconteceu e a marca italiana começou a vender mais carros. Mais tarde, quando os alemães tiveram que dar ao R8 uma imagem de carro a sério e quiseram fazer uma versão “para homem de barba rija” bastou… meter lá dentro um V10 da Lamborghini! E assim se chegou a um equilíbrio.

Na política os italianos mantêm a sua particular maneira de ser e a história parece-se cada vez mais como a dos carros. A Itália era um país que vivia feliz e despreocupado, como a Lamborghini, sem as picuinhices de sustentabilidade da dívida e outras coisas que tal. Só que, tal como a Lamborghini, começou a passar um mau bocado. O problema é que, ao contrário da história dos carros, na política os alemães decidiram mexer no motor quando apontaram Mario Monti para gerir os italianos “à alemã”.

O problema foi que se esqueceram que os italianos mantiveram o direito ao voto e eles reagiram à sua maneira. Não só entregaram o Senado a “Il Cavaliere” como elegeram para 3ª força política o Tiririca lá do sítio. Poderia ser pior, porque do-mal-o-menos o eleito para Primeiro Ministro está comprometido com a austeridade, mas mesmo aí os italianos são diferentes e este defensor do cumprimento dos compromissos externos… é comunista (toma lá Jerónimo de Sousa)!

Por cá, eu começo a ter pena de Pedro Passos Coelho. Conseguiu enterrar-se a ele próprio (quando toda a gente pensava que, no pós-Sócrates, nem o Pato Donald podia fazer asneira), está a enterrar Cavaco Silva, e está cada dia mais perto de enterrar o PSD. Se ele pensava que mais dia menos dia ia conseguir respirar de alívio com boas notícias lá de fora, os italianos encarregaram-se de garantir que isso não acontece nos próximos tempos.

Com as coisas a correrem cá dentro como têm corrido, com as previsões a furar umas atrás das outras, isto para ele começa a ter tudo para correr mal. É que o PSD tem tradição de resolver rapidamente o problema dos que não alcançam resultados (que o digam Fernando Nogueira, Manuela Ferreira Leite, Marcelo Rebelo de Sousa ou o próprio Cavaco Silva, após perder para Jorge Sampaio) e com as provas eleitorais à porta vai ser cada vez mais difícil ter tempo para mostrar bons resultados nas urnas.

Alguém sabe se já há casas a aceitar apostas sobre o nome do próximo líder?

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Uma resposta a Já se aceitam apostas?

  1. Sim, isto tudo é mesmo para rir.

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