Ter ‘sex and success’ – ou nem um nem outro

O mundo é um lugar muito injusto para certas mulheres. Não bastavam o maior share das tarefas domésticas, a gravidez e o acompanhamento dos filhos que funcionam como entraves (às vezes voluntários e assumidos) às carreiras femininas, os preconceitos latentes ou declarados quanto à capacidade feminina para tarefas de topo, a exigência de estarmos sempre atraentes, espirituosas, depiladas, num pico de produtividade mesmo depois de se passar uma noite acordada porque um filho não parou de vomitar – enfim, não era suficiente que as mulheres não usufruíssem das vantagens implícitas que os homens têm na vida profissional. Aparentemente tudo piorou – e a culpa é novamente das descendentes de Eva. Mais concretamente, das mulheres alpha, esses seres que pelos vistos têm tudo: ganham muito, vestem bem, são ambiciosas, têm profissões que adoram, competem de igual para igual tanto com homens como com mulheres, vão ao ginásio e colocam botox, gastam dinheiro em si próprias para se manterem jovens e sexys. Como diz Alison Wolf na Spectator, ‘It’s a new world, and a new set of inequalities. […] What is new, the seismic shift, involves a far larger group: the female elites […]. They are pulling away, and are leaving the rest of the ‘sisterhood’ behind’. Enquanto as mulheres alpha têm tudo, as do extremo oposto não concluíram uma licenciatura, têm trabalhos indiferenciados onde são pagas para fazer as tarefas tradicionais femininas, não têm dinheiro nem incentivo para cuidarem de si próprias, enfim, um rol de queixas. E – suprema provocação! – enquanto as mulheres que não acabaram um curso superior não têm bom sexo e preferiam gastar o tempo noutras actividades, estas mulheres alpha têm muito sexo, bom e ainda querem ter mais. É demasiada diferença para se tragar no mesmo sexo.

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Uma resposta a Ter ‘sex and success’ – ou nem um nem outro

  1. Olá, Maria João!

    Este seu post foi uma leitura muito agradável e divertida, e bem precisamos de aliviar o stress…

    As “mulheres alfa”, pois. O sucesso numa carreira, a eterna juventude e o prazer da adrenalina. Pode parecer-nos o melhor de todos os mundos, e até invejável. Mas há o lado B: ainda não se avaliou isto em termos de stress e de desgaste. De certo modo estas mulheres não se distinguem dos homens nem no comportamento predador, nem na imagem feita à medida para agradar aos homens e despertar a inveja das outras mulheres.
    Já me entusiasmei… o sucesso tem sido medido em termos de “carreira de topo”, e para chegar lá as mulheres bem sucedidas têm de ser “perfeitas”: a eterna juventude, a roupa de marca, agradar e despertar inveja. E nesse sentido, este sucesso implica a aprovação social (a necessidade de agradar). Ainda não estamos a falar da verdadeira autonomia.

    Ainda está para surgir (ou já aí está) a geração de mulheres verdadeiramente senhoras do seu nariz, que se aceitam nas suas dimensões inteligência e afectos, que não se deixam deslumbrar pela necessidade de agradar, que escolhem e defendem o seu lugar no mundo e a sua influência na comunidade, que escolhem ter ou não ter filhos mas que, quando decidem tê-los os criam num ambiente propício à expressão única de cada um, seja rapazinho ou rapariguinha, à sua autenticidade, curiosidade natural e alegria. Porque é aqui que começará o seu próprio percurso.

    Já me entusiasmei…
    Beijinhos!
    Ana

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