O filme de terror “A reforma do Estado” é muito pior do que “O Ajustamento”

A vida tem destas coisas. O protagonista, guionista e produtor do filme de terror O Ajustamento saiu do filme antes da sua sequela, A Reforma do Estado, que é bem pior. Bastou-lhe, para isso, escrever uma cartinha a dizer que o filme O Ajustamento já lhe tinha beliscado a reputação.

O PM aceitou a saída do actor principal que lhe deixou, em sua substituição, a sua assistente que já era conhecida dos produtores europeus. Além disso, tanto o PM como o protagonista do filme saboreavam já, com o prazer específico dos perversos, a co-responsabilização do CDS e do seu rival odiado, pela sequela do filme de terror A Reforma do Estado. Matar dois coelhos de uma cajadada só, estão a ver?

Quando o dito rival percebeu a armadilha, tirou o pé e tentou salvar-se e à sua família política. A família é que não percebeu a sua atitude: abandonar o protagonismo no filme A Reforma do Estado e um possível prémio dos Ídolos Nacionais!? A Casa dos Segredos dos betinhos e das botoxes tremeu só de pensar que voltaria à obscuridade quando já brilhara na carpete vermelha… Ai os relacionamentos privilegiados que contam, a agendinha recheada de nomes sonantes… Só acalmaram quando as vozes sensatas dos poucos que sabem o que é a vida, isto é, os que arregaçam as mangas e apresentam trabalho, dizerem que havia uma solução para tudo. Só espero é que a solução não vá trair todos os valores e princípios que nos apresentaram há 2 anos antes das eleições…

Ser traído é uma sensação muito incómoda. Só nos consideramos traídos quando valorizamos quem nos traiu. Passos não me traiu porque nunca esperei nada de bom dali, embora tenha conseguido ultrapassar todos os limites da decência. Mas o CDS traiu as minhas expectativas. Embora com uma atenuante: o meu equívoco cultural. De facto, olhei apenas para o momento de Portas, uma declaração de princípios, e esqueci a cultura de base da sua família política, os betinhos e as botoxes e o seu tradicionalismo obsoleto com que não me identifico. Erro meu.

A família política de Portas quer manter-se nos Ídolos Nacionais. Ironicamente, esse lado pueril da sua cultura de base acaba por nos salvar do horror de nos vermos novamente sujeitos a ouvir um Silva Pereira, um Vieira da Silva, um Francisco Assis, um Vera Jardim, já para não falar de Jorge Sampaio e Mário Soares… Mal por mal antes o ministro Maduro e Marques Guedes…

Além disso, pouco depende de nós, tudo está suspenso até às mudanças que já se pressentem na Europa. Até lá, é apostar na nossa inesgotável criatividade e improviso, capacidades tão portuguesas. Sobreviver mais um ano e evitar a todo o custo prolongar a dependência da chantagem financeira da troika-credores-mercados.

Na verdade, as declarações de princípios raramente são respeitadas e seguidas pelos grupos, acabando por se virar contra os seus autores. Este é o momento de Portas lembra-me este filme:

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