tragicomédia grega

Buddha in Wat Arun Thailand

Regressando aos amorzinhos gregos, que por estes dias andaram com a bazófia do costume ameaçando que fariam default aos pagamentos do empréstimo do FMI se a UE não enviasse mais daquela coisa que sócrates gosta muito para Atenas. (E como se ainda tivessem margem para ameaçar ou exigir o que seja.) A boa fé, a transparência, o respeito mútuo e a honestidade costumam ter sucesso quando se trata de negociar e não é possível conceber estratégia mais descabelada do que a grega desde que o syriza ganhou eleições. A única conclusão que se pode tirar é a de que quiseram hostilizar e insultar a outra parte. Toda a boa vontade, toda a paciência, todas as novas oportunidade e todos os gestos de, digamos, reconciliação por parte da UE foram recebidos com desprezo, ignorância e até má criação ostensiva. Isto tudo enquanto o governo grego mentia repetidamente e prometia as míticas – tão reais como o Minotauro – contrapartidas para novo empréstimo da UE que, oh que surpresa, nunca chegou a apresentar. Toda a gente vê isso.

E o mais risível nisto tudo é que o governo grego nem percebe que pela UE se está mais perto de se lhe dar estalos do que dinheiro. Que as opções benevolentes que eram oferecidas a Grécia há uns meses (quando a paciência – e o gosto geral na humanidade de não ser insultado – ainda não estavam esfrangalhados) já não estão disponíveis agora, porque a Grécia tem de provar muito mais que merece oportunidades (porque já deu cabo de tantas). Que ninguém acredita nas reedições das conversetas do costume (e nem se dão ao trabalho de variar o guião), porque se só proferiu mentiras e criou equívocos até agora, é evidente que comportamentos iguais aos anteriores serão filhos amantíssimos de novos equívocos e de novas mentiras e nem vale a pena a UE dar-se ao trabalho de lhes responder. Que só o facto de o governo grego agir como se não tivesse estado meses a insultar quem com eles negoceia, e aja como se as relações ainda fossem límpidas e distantes de mal entendidos, dá vontade de espetar alfinetes em qualquer grego que nos apareça à frente. E, por fim, que ninguém na UE vai correr o risco de dar nova oportunidade à Grécia para levar com igualmente nova dose de má criação e ser mais uma vez desprezada; que só vem nova oportunidade se houver clareza cristalina e se a Grécia der garantias explícitas (e aquelas alminhas nunca se cansam de fazer o contrário) de que histerias e ofensas não é o que se seguirá.

A comunicação social europeia, pelo seu lado, podia deixar de estar embasbacada com a proficiência de Varoufakis em teoria de jogos, como se tal especialidade lhe desse algum insight sobre forma de negociar. Teoria de jogos, posso garantir, é uma simplificação que de modo nenhum introduz a variável ‘natureza humana’. Era mais provável Varoufakis ser bem sucedido como especialista nas Quatro Nobres Verdades do budismo theravada.

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