P. António Vieira – 400 Anos

(http://www.centenarioantoniovieira.com/)

[1608 – 1697]

«Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas terras para a sepultura. Para nascer, pouca terra, para morrer, toda a terra; para nascer Portugal, para morrer o mundo»

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Cronologia

1608       Nasce em Lisboa, na freguesia da Sé, a 6 de Fevereiro.

1614        Com seis anos desembarca com a família em Salvador da Bahia – Brasil.

1634        É ordenado sacerdote Jesuíta, adquirindo fama de notável pregador com os seus sermões e torna-se defensor dos índios.

1641-1652          Após a restauração da independência nacional, regressa à Metrópole para dar a notícia da adesão do Brasil ao rei D. João IV, de quem fica amigo e conselheiro, e é nomeado pregador da capela real.

Torna-se figura de alcance nacional, nomeadamente na diplomacia e política portuguesas.

1652-1661          Regressa ao Brasil (Maranhão); torna-se missionário, acabando por ser perseguido e expulso pelos colonos, em resultado do seu combate corajoso à escravidão dos índios nas plantações da cana do açúcar.

1669        Após ter sido preso, acusado de heresia e impedido de falar pelo Santo Ofício, é libertado e parte para Roma em busca da revisão da sua sentença, onde permanece durante seis anos, pregando à Corte Pontifícia e à exilada Rainha Cristina da Suécia.

1669        Regressa a Lisboa munido de uma Breve Papal que o isenta por toda a sua vida  da jurisdição, poder e autoridade  da Inquisição.

1681        Com 73 anos de idade, regressa ao Brasil, fazendo a sua 7ª viagem transatlântica.

1697        Morre a 18 de Julho de 1697, com 89 anos.

 

“Avant la lettre”

Homem de fé         “Nenhuma cousa quero senão acertar com a vontade de Deus, pelos meios que ele deixou neste mundo para a conhecermos”, Carta ao P. André Fernandes, 1654, Maranhão.

Obra literária       Vasta e variada: 200 sermões,  700 cartas, tratados proféticos, dezenas de escritos filosóficos, teológicos, espirituais, políticos e sociais – “Imperador da língua portuguesa” (Fernando Pessoa).

Diplomata              Nas suas missões pela Europa fora negociou a compra de Pernambuco aos Holandeses, angariou financiamentos para a guerra contra Castela e para as Companhias Comerciais do Ocidente e do Oriente, comprou munições e recrutou mercenários.

Economista            Perante a extrema debilidade das economia e finanças nacionais, defendeu acerrimamente  o mercantilismo como forma de manutenção da independência nacional; propôs o pagamento de impostos por todas as classes (clero, nobreza e povo) e a isenção dos mesmos para todos os que investissem nas Companhias Comerciais.

Há 350 anos atravessou 7 vezes o Atlântico, percorreu milhares de quilómetros no Brasil, incluindo na Amazónia, tendo os indígenas, cujas línguas aprendeu,  apelidando-o de “Paiaçu” (Pai grande).

Aprendeu com o inimigo:              “Os Holandeses têm a sua indústria, o seu cuidado, a sua cobiça, o seu amor entre si e ao bem comum; nós temos a nossa desunião, a nossa inveja, a nossa presunção, o nosso descuido e a nossa perpétua atenção ao particular.”,  “O Papel Forte”, 1648.

Apesar de enormes oposições e fracassos nunca desistiu; foi sempre enérgico, empenhado, inventivo, combativo, polémico e brilhante. Persistente até ao fim.

 

Actualidade

POLIFACETADO: O P. António Vieira é uma referência da humanidade.  Foi missionário, político, diplomata, pedagogo, orador e intelectual, num século conturbado e inquietante.

PRECURSOR DO DIÁLOGO INTER-CULTURAL E INTER-RELIGIOSO: Foi exemplar na dedicação aos índios do Brasil (quando eram poucos os que os viam como seres humanos) e defensor dos Judeus e do Cristãos-novos.

PATRIOTA: Intensamente empenhado no destino de Portugal (para a qual sonhou a utopia do Quinto Império), foi pragmático na política e controverso na diplomacia, mas acabou sempre à margem do politicamente correcto.

UM DOS MAIORES EXPOENTES DA CULTURA PORTUGUESA: Exímio arquitecto das palavras e dos conceitos, Vieira deixou-nos um espólio impressionante.

PROFUNDAMENTE HUMANO: Não ficou como uma lenda, nem sequer como um santo. Mas nunca teve medo, nem se ficou no conforto dos moles. Foi ousado, corajoso e fiel à sua consciência, por mais que isso implicasse ir contra o Mundo.

É UMA HERANÇA PRECIOSA PARA O TERCEIRO MILÉNIO: Como no seu tempo, Portugal precisa de se ultrapassar e reencontrar o seu caminho e destino no mundo. Como na sua época, o desafio do multiculturalismo, da defesa da diversidade, do diálogo entre crentes e não crentes, bem como a promoção da dignidade humana são desafios em agenda.

 

Comemorações

ÂMBITO: Em 2008, várias instituições levarão a cabo diversas iniciativas para comemorar os 400 anos do nascimento do P. António Vieira; umas de cariz mais académico, outras de âmbito mais abrangente e popular.

OBJECTIVO:        O CUPAV (Centro Universitário P. António Vieira) e o IPAV (Instituto P. António Vieira), em conjunto, definiram como seu objectivo, no referido âmbito,  divulgar e dar a conhecer ao maior número de pessoas a  vida e obra deste  Português fascinante, transpondo  os seus ensinamentos e exemplo para a actualidade, através de  iniciativas de carácter cultural, popular, religioso e diplomático

INICIATIVAS:

– Publicação de um Livro de Sermões em conjunto com um jornal diário nacional

 – Sessão pública de homenagem ao P. António Vieira

 – Inauguração da estátua do P. António Vieira, em Lisboa

 – “Eléctrico Vieira”, em conjunto com a Carris

 – Sessão na Sinagoga de Lisboa

 – Recepção na  Embaixada do Brasil

 – Instituição do Prémio Vieira

 – Proclamação do Sermão de “Sto. António aos Peixes”, na Igreja de S. Roque em Lisboa

 Ciclo de Conferências “Fé e Justiça”, no Cupav

 – Concerto de encerramento no Teatro Nacional S. Luís

3 respostas a P. António Vieira – 400 Anos

  1. Pingback: Imperador da Língua Portuguesa « Farmácia Central

  2. Boa tarde
    Muito bonito ter aqui Padre António Vieira!
    Cumprimentos

  3. Luis Serpa diz:

    Viv. Pode por favor enviar-me os contactos do IPAV e / ou do CUPAV?

    Obrigado. O mail é: Lserpa@gmail.com.

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