da chick lit para o islão

Tendo a achar piada à chick lit. Desde a sua inventora – a quem nem sempre se dão os créditos – Anita Loos com os seus Gentlemen Prefer Blondes e But Gentlemen Marry Brunettes (e quem não perceber que são dos dois livros mais geniais e emblemáticos do século XX, além de um fabuloso retrato de uma era, não devia incomodar livros que não sejam de banda desenhada) até às mais recentes Candace Bushnell (The Sex and the City, Lipstick Jungle, One Fifth Avenue), Helen Fielding (Cause Celeb e os dois diários de Bridget Jones) e (chego à que me interessa) Plum Sykes. Ora a Plum Sykes, além de colunista da Vogue (onde comecei a lê-la), tem dois livros bem humorados e bem escritos sobre os temas da chick lit (amizades, romances, venturas e desventuras das mulheres citadinas) que são também dois bons esboços da Nova Iorque chic, well off e amante de festas. No segundo (e tão mais fraco) livro (mas onde a roupa de cama em linho português é um dos exemplos de luxo anotados), Plum Sykes tem como personagem uma mulher saudita, daquelas muitas que têm a possibilidade de fugir para os países ocidentais, onde compram e usam roupas decotadas e sugestivas, têm total liberdade de movimentos, colecionam namorados e têm a vida sexual abundante e livre que tanto repugnou a uma boa porção de clérigos muçulmanos desde o início do século XX. E a vilã da história é uma americana que esta saudita consegue convencer a envolver-se com o seu tio. O castigo? Foi tornar-se uma das mulheres do tio – sem se aperceber do que lhe iria suceder, que é sempre mais fácil dar informação difusa (se alguma) a uma ocidental exigente e era o que faltava um homem saudita ter de dar satisfações a uma mera mulher sobre as suas intenções e timings e responder com clareza às questões que uma americana histérica lhe coloca, que quem dita os termos é o homem saudita e às suas esposas cabe esperar pacientemente que lhe sejam revelados e, preferencialmente, adivinhá-los partindo de sinais sobretudo emitidos para lançar confusão -, ser levada para a Arábia Saudita e nunca mais ser vista se não de niqab nem fora do ditoso país; enfim, tornar-se uma ‘esposa saudita’.

Lembrei-me disto a propósito da possível viagem para a Síria da mulher (e cúmplice?) de um dos terroristas de Paris. Se colaborou de alguma forma nos atentados, não deixo de considerar que ter de passar o resto da vida no estado islâmico and the likes – onde as mulheres costumam receber os mimos que se sabe – é uma boa punição.

Publicado em Genéricos | Deixe o seu comentário

Foi quando te vi…

Foi quando te vi estendido que percebi. Naquele momento era eu que estava no chão.

Foi quando vos vi estendidos que percebi. Naquele momento, em cada um, era eu que estava no chão.

Fui eu estendido, fui eu que levantei a mão.

É isto que não me quero esquecer.

Publicado em Corticóides | Deixe o seu comentário

Do horror

Isto não foi um horror; isto é um horror. E eu não sou Charlie, ninguém é. Perderam-se vidas humanas, pessoas que têm o seu nome próprio. O delas. Esse é que é o meu nome. O de cada uma delas.

895563

E agora? Que mais ódios aparecerão?

Publicado em Ansiolíticos | Etiquetas , | Deixe o seu comentário

Mimo de Ano Novo (poucas horas para lá chegarmos…)

Votos para 2015? Que seja um ano mais decente. De todos e para todos, eu inclusive (porque por vezes coloco-me à parte).

Ainda estamos na Oitava do Natal. Hoje é o mais importante para mim.

Publicado em Bulas | Etiquetas , | Deixe o seu comentário

Mimo de Natal

Nasceu!

 

Publicado em Farmácias de Serviço, Tranquilizantes | Etiquetas , , , | Deixe o seu comentário

Presépios de Natal

Retomando uma tradição antiga nesta casa, a todos um Feliz e Santo Natal. É esta certeza do Menino que veio ao nosso encontro que celebramos.

DSC09055_MOD

(Presépio encontrado aqui)
Publicado em Perfumaria | Etiquetas | Deixe o seu comentário

Lord Goring

A partir de uma conversa no twitter, relembrei o An Ideal Husband, de Wilde, que teve esta adaptação tão cara ao meu querido e suscetível coração. O Lord Goring é das minhas personagens preferidas da literatura, em forma dramática ou não. Depois de uma feroz perseguição de Mabel Chiltern, acaba pedindo-lhe para se casarem, não sem antes se redimir dos disparates passados (e mostrar-se merecedor da continuação das atenções) na ‘segunda palmeira à esquerda’ (ou lá o que é, confirmem no trailer). Uma das minhas tiradas preferidas de Lord Goring é dita ao seu pai, quando este quer ter uma conversa séria sobre a necessidade de Goring se casar. Aflito, Goring responde ao pai que só fala de assuntos sérios às terças feiras das dez horas ao meio dia (também é necessária confirmação de dia e hora) – e, presume-se, o pai que ficasse satisfeito por não haver também local específico (mas assim é menos um dado que necessita de confirmação da minha provável confusão). Mas, a haver, certamente não seria numa carruagem no Hyde Park, onde a adaptação coloca a dita conversa, que são necessários ambientes circunspectos, com madeiras nobres e escuras em abundância e damascos pesados nas cortinas, para conversas de assuntos sérios.

Publicado em Perfumaria | Deixe o seu comentário