Undisputed

A recente entronização de Alexis Tsipras  – um primeiro-ministro mais novo do que eu! Já não bastava o meu filho mais velho que com 14 anos está praticamente da minha altura… – tem levado muito (e boa) gente a fazer comentários sobre uma certa desgréciaaça (isto da desgrécia foi publicado num jornal em Espanha). Ora esta eleição, sob qualquer prisma, é sempre positiva para o burgo nacional: se a Europa dogmática se encolher, a seguir vamos nós exigir de mão estendida  o mesmo tratamento – não pagamos e dêem cá mais; se o Alexis e o wonderboy das Finanças se virem metidos numa daquelas alhadas que nem a Virgem os safa, será uma excelente altura para os Passos desta vida (e se calhar os Costas também) poderem mais uma vez reafirmar que nós não somos a Grécia – e já agora uma ajuda suplementar para os bons alunos vinha a calhar.

Também há quem chame a isto pragmatismo.

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Tambor de revólver

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Vamos lá, que hoje é sexta-feira. Às vezes apetece tudo, outras tantas nem por isso. É um pouco como o tambor do revólver: tem bala ou não tem? Ou como a Quadrilha do Carlos Drummond de Andrade, todos tinham, efetivamente, nada. Menos a Lili. Sobrou-lhe o tal Fernandes.

Amanhã é sábado.

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Admirável mundo novo

Uma criança de cinco anos faltou à festa de um amigo da escola, depois de confirmar a presença, e agora o pai corre o risco de ir a tribunal, porque a mãe do aniversariante, ou “queixoso”, quer reaver o dinheiro que pagou pelo “faltoso”.

Eis um excelente teste para a propagada fleuma britânica!

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Vai que não vai…

… e li, pela primeira vez, um clássico da literatura brasileira. Há muito que o pretendia e há muito que o ia adiando, mas graças às recomendações da Amazon acabei por optar pelo Dom Casmurro de Machado de Assis.

Como resenha, basta dizer que fiquei siderado. E é isto.

Bem, não é só isto. Tenho o hábito de me associar sempre a um personagem, há quem lhe chame emular. Depois de ler o livro, não me importava de me identificar com Escobar, ou até, vá lá, com o agregado da Rua de Mata-cavalos. Servia o pai de Capitu.

Mas depois de todas as páginas viradas não passo de um Bento Santiago…

Mal por mal vou-me cá deixar com os nossos deste lado do Atlântico.

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da chick lit para o islão

Tendo a achar piada à chick lit. Desde a sua inventora – a quem nem sempre se dão os créditos – Anita Loos com os seus Gentlemen Prefer Blondes e But Gentlemen Marry Brunettes (e quem não perceber que são dos dois livros mais geniais e emblemáticos do século XX, além de um fabuloso retrato de uma era, não devia incomodar livros que não sejam de banda desenhada) até às mais recentes Candace Bushnell (The Sex and the City, Lipstick Jungle, One Fifth Avenue), Helen Fielding (Cause Celeb e os dois diários de Bridget Jones) e (chego à que me interessa) Plum Sykes. Ora a Plum Sykes, além de colunista da Vogue (onde comecei a lê-la), tem dois livros bem humorados e bem escritos sobre os temas da chick lit (amizades, romances, venturas e desventuras das mulheres citadinas) que são também dois bons esboços da Nova Iorque chic, well off e amante de festas. No segundo (e tão mais fraco) livro (mas onde a roupa de cama em linho português é um dos exemplos de luxo anotados), Plum Sykes tem como personagem uma mulher saudita, daquelas muitas que têm a possibilidade de fugir para os países ocidentais, onde compram e usam roupas decotadas e sugestivas, têm total liberdade de movimentos, colecionam namorados e têm a vida sexual abundante e livre que tanto repugnou a uma boa porção de clérigos muçulmanos desde o início do século XX. E a vilã da história é uma americana que esta saudita consegue convencer a envolver-se com o seu tio. O castigo? Foi tornar-se uma das mulheres do tio – sem se aperceber do que lhe iria suceder, que é sempre mais fácil dar informação difusa (se alguma) a uma ocidental exigente e era o que faltava um homem saudita ter de dar satisfações a uma mera mulher sobre as suas intenções e timings e responder com clareza às questões que uma americana histérica lhe coloca, que quem dita os termos é o homem saudita e às suas esposas cabe esperar pacientemente que lhe sejam revelados e, preferencialmente, adivinhá-los partindo de sinais sobretudo emitidos para lançar confusão -, ser levada para a Arábia Saudita e nunca mais ser vista se não de niqab nem fora do ditoso país; enfim, tornar-se uma ‘esposa saudita’.

Lembrei-me disto a propósito da possível viagem para a Síria da mulher (e cúmplice?) de um dos terroristas de Paris. Se colaborou de alguma forma nos atentados, não deixo de considerar que ter de passar o resto da vida no estado islâmico and the likes – onde as mulheres costumam receber os mimos que se sabe – é uma boa punição.

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Foi quando te vi…

Foi quando te vi estendido que percebi. Naquele momento era eu que estava no chão.

Foi quando vos vi estendidos que percebi. Naquele momento, em cada um, era eu que estava no chão.

Fui eu estendido, fui eu que levantei a mão.

É isto que não me quero esquecer.

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Do horror

Isto não foi um horror; isto é um horror. E eu não sou Charlie, ninguém é. Perderam-se vidas humanas, pessoas que têm o seu nome próprio. O delas. Esse é que é o meu nome. O de cada uma delas.

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E agora? Que mais ódios aparecerão?

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