Coincidências de conteúdo

Na sexta passada li no DN este artigo de opinião com bastante fel da Fernanda Câncio sobre o veto presidencial à lei do divórcio. Nada na opinião surpreende (bem, de facto surpreende, porque escrever “Sendo adquirido que a um Presidente da República se exige não confundir as suas convicções com a realidade” é algo estranho, tendo em conta que a eleição presidencial é pessoal e na avaliação pelos eleitores dos vários candidatos contam exactamente as convicções do candidato nas mais variadas matérias e que se vota naquele cujas convicções mais se aproximam das nossas, pelo que se pede precisamente a um PR que aja segundo as suas convicções), só se estranha é que alguém que uma vez se declarou desinteressada do casamento tenha tanto interesse no final do estado civil em que nunca pretende entrar, mas isso é problema alheio; cada um gasta o tempo como lhe apetece.

O que surpreende, porque apesar de não conhecer o funcionamento de um jornal presumo que os jornalistas não publiquem o que lhes apetece sem concordância superior, é que, páginas à frente, houvesse um texto assinado pela mesma jornalista sobre os impropérios proferidos pelos autores da lei perante as reservas presidênciais à sua criação legal. Até se percebe a irritação dos autores da lei – afinal ninguém gosta de ser vetado – mas já me parece inaceitável num jornal de referência como o DN foi e pretende ser, que tem dos melhores colunistas da imprensa (alguns deles como o Alberto Gonçalves ou o João Miranda ou o Ferreira Fernandes trazidos pelo actual director) se publique sob a forma de notícia os desabafos dos autores de uma lei vetada, num texto assinado por quem escreve na mesma edição o texto acima linkado, sem qualquer contraditório. É que mostrar uma parte ínfima da verdade pode servir para deturpar a verdade. E acho que o DN devia acautelar-se contra este mau jornalismo.

Já agora, sobre as questões jurídicas leia-se este post do Carlos Loureiro, bem como os comentários que suscitou, inclusivé do autor do post. Muito elucidativos sobre o alegado ridículo das reservas que originaram o veto.

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