Farmácia Central nos Cuidados Intensivos

John Kerry Secretary of State

Numa tentativa desesperada de, à 25ª hora, reanimar este querido blogue moribundo – ou, se já for tarde de mais para tal, pelo menos torná-lo num blogue zombie razoavelmente ativo – fiz um facelift ao layout do Farmácia, adicionei-lhe uma pitada de roxo (que faz sempre falta) e cá venho cumprir a minha obrigação de postar.

Podia (porque este blogue desde o início se rendeu – isto para dar a ideia, falsa, de que se debateu na tentativa de resistir a tal outcome – às futilidades), colocar aqui um texto, ao qual acrescentaria as minhas pertinentes observações, sobre sapatos e carteiras. Para dar um ar literato ao post lá referiria no meio aquela afirmação que Virginia Woolf faz no Mrs Dalloway (por interposta personagem) de que uma senhora se distingue pelos sapatos e pelas luvas. Eu até diria que pelos sapatos se distingue quase tudo sobre uma mulher. Quanto às luvas, estou com as minhas dúvidas. Eu própria já fui bastante adepta de luvas (se calhar porque dantes viajava com mais frequência para climas enregelados durante o inverno) e cheguei a ter uma coleção das ditas bastante fancy (da qual ainda usufruo a espaços em que tenho tal necessidade). Mas não estou inteiramente certa que me possam avaliar pelas minhas luvas. Não tenho nenhum par roxo, por exemplo (tenho um rosa forte, outro encarnado, outro laranja e os restantes são pretos). Sobretudo, notaria a ascensão das carteiras, desconsideradas no pós Grande Guerra e agora o clímax dos acessórios femininos.

Mas não. Escolho trazer-vos um texto sobre John Kerry, o inepto secretary of state de Obama, da Vogue de Outubro (que ainda não recebi no correio, mais uns dias e vou reclamar). Se está a torcer o nariz pela escolha da Vogue para temas políticos, fique a saber que ou é do Bloco de Esquerda ou um imperdoável ignorante (se o leitor me permitir o insulto), porque a Vogue é conhecida por peças magistrais sobre políticos seminais. Foi na Vogue, no ano passado, que Obama & wife se prestaram à mais magistral peça de propaganda dos últimos tempos no hemisfério norte, e há pouco tempo foi Rand Paul o objeto de tão glomouroso escrutínio – isto para ficarmos por dois exemplos, entre muitos.

Aqui vos deixo o perfeito democrata. Não precisam de agradecer as gargalhadas.

«Having come from the seventieth-anniversary commemorations of the Normandy invasion, Kerry, 70 himself and slender as the Tin Man, is dressed in a midnight-blue suit and a pink-orange tie, his dense, graying hair as immovable as ever. He glances toward the windswept Brittany coastline and then at the crowds trailing his convoy, eager to see an eminent American so intimately connected with their village give a speech about the war. […]

The summer will bring a cascading and surreal series of international crises, which keeps him constantly on the move. Rarely a day goes by without shocking and terrifying news: a fierce election dispute in Afghanistan that threatens to bring the country to civil war; the downing of a Malaysia Airlines jetliner in Ukraine; a deadly conflict between Israel and Hamas; the advance across Iraq of the jihadist group ISIS, on whom President Obama authorizes air strikes in mid-August.

During this jolting period Kerry will seem to be everywhere at once, engaging in negotiations, jousting with his foreign counterparts, and struggling to pull off small victories before jumping back on his plane.“I don’t think there has ever been a Secretary of State who has thrown himself into the job with as much verve and conviction as this guy has,” says Strobe Talbott, a deputy Secretary of State under President Clinton and now the president of the Washington think tank the Brookings Institution as well as a Kerry adviser. “If he can’t get a workable and acceptable compromise on a dispute, it’s very hard to imagine anybody who can.”»

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3 respostas a Farmácia Central nos Cuidados Intensivos

  1. JMG diz:

    25ª hora indeed. Porque o post anterior a este é de Janeiro…donde me pergunto se não haverá antigos fiéis como eu, mas não tanto como eu, que já tenham desertado.

  2. Maria João Marques diz:

    Meu caríssimo JMG, isso é porque outros descuram a importância que eu atribuo à persistência e à capacidade para demonstrações de apreço – qualidades que tu, evidentemente, tens em abundância.

  3. Pingback: Sobre a lei da cópia privada e conexos | Farmácia Central

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