5 anos

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Sem conhecer pessoalmente, considero o Nuno Gouveia um dos melhores bloggers nacionais. Conheci-o pelo seu magnífico trabalho independente como estudioso das eleições americanas, que sigo antentamente, mas também gosto muito do que escreve no seu blogue pessoal onde fala sobre todos os temas, sem necessidade de independência, embora com uma enorme serenidade. Mas desta vez, não me parece que hipocrisia seja a palavra correcta para apelidar quem reconhece ter sido traído. Muito pelo contrário.

Hoje, não tenho dúvidas, completam-se 5 anos de falta de verdade e de engano. O que se passou no Iraque é coisa muito séria e desonesta e não são os poucos argumentos de verdade que ainda sobejam que legitimam todos os argumentos de falta dela que foram utilizados. Errado é insistir com palavras naquilo que não pensamos com a cabeça. Afinal, não é isso a hipocrisia?

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13 respostas a 5 anos

  1. panaxginseng diz:

    Quais sao os poucos argumentos de verdade que ainda restam?

    – O mundo nao estaa melhor sem o Saddam, muito menos o meedio oriente, muito menos o Iraque…

    Para algueem afirmar o contraario, ee necessaario partir do argumento muito simplista que um “mau” a menos no mundo ee sempre positivo…

    Extraordinaario que depois destes 5 anos (qual ee o longo-prazo aqui?) ainda nao se perceba o papel que Saddam desempenhava na coabitacao forcada (mas paciifica) entre as vaarias faccoes que agora se matam diariamente…

    Eu ainda estou para perceber os poucos argumentos de verdade nisto tudo…

  2. Caro Rui,
    Obrigado pelo elogio, mas certamente não é merecido…

    Em relação ao Iraque, certamente muitos que apoiaram a intervenção no Iraque terão mudado de opinião porque se arrependeram verdadeiramente. Ou porque não gostaram do que se passou depois. (eu também não gostei) Ou porque acreditavam que Sadam merecia ser removido apenas por causa das armas de destruição, que todos os serviços secretos pensavam que eles tinham.

    Como disse o JPP ontem na Quadratura do Circulo, em Portugal é considerado delito de opinião ser a favor da intervenção aliada no Iraque. Sadam está morto. Não deveremos lutar pela liberdade de todos os povos? Em 1999, não era Portugal inteiro que exigia uma acção contra Indonésia? Pela liberdade de Timor? Os Iraquianos no Ocidente não pediam liberdade para o Iraque? Bem sei que pedir liberdade para os outros é fácil… A verdade é que quem tem matado pessoas no Iraque são terroristas. A discussão sobre o Iraque é enviesada. Morrem pessoas todos os dias às mãos dos terroristas. O meu lado é o da liberdade e da democracia. Enquanto os fanáticos religiosos estiverem a matar inocentes, no Iraque, na Turquia, na Indonésia, em Espanha ou em Inglaterra, estarei do lado contrário. Eles estão a matar Iraquianos inocentes, nas mesquitas, nos mercados. E o Ocidente questiona-se sobre a invasão do Iraque. Não deveria estar a protestar contra estes atentados terroristas contra inocentes?

    E acham mesmo que a solução é retirar do Iraque? O que seria do Iraque se os Estados Unidos se retirassem do Iraque agora?

  3. hirudoid diz:

    Cao Nuno,

    Tudo isso era previsível quando se optou pela invasão. Lembro que a maioria da opinião pública não era contra uma oposição ao regime se Saddam, mas sim contra o timing e a forma, à revelia das instâncias internacionais, em que estava a ser feito.
    Muitos, como eu, consideraram que o melhor aparelho secreto e militar do mundo, ainda por cima ferido de terror, não seria capaz iludir de forma tão vergonhosa o resto do mundo apsear das evidências. Enganei-me. Não me custa reconhecer. Não me tornei anti-americano (o que é isso?). Simplesmente não consigo mais avaliar o que se passa no Iraque com esses olhos desviantes de virar a agulheta outra vez para o terrorismo depois de tudo em que fomos enganados.
    A minha desilusão foi tal que tendo mesmo a concordar com o meu amigo João Pedro. Se era Saddam quem segurava as facções internas, então temos que pensar bem se até o seu afastamento, que aparentemente parece ter sido uma coisa boa, não terá sido um tiro no charco.

    Infelizmente não consigo pensar de outra maneira passados 5 anos.

  4. panaxginseng diz:

    Caramba Rui, ee preciso estares muito desiludido para concordares comigo??!?

    Entao?

    O Mundo nao ee feito de bons e maus, nem os paiises sao presenteados com uma escolha entre democracia (daquela que noos vivemos sem muitas vezes perceber as pre-condicoes institucionais para a fazer muito mais que apenas eleicoes) e autocracia…

    Nao sao escolhas… nao foram escolhas em Cuba, na China, no Vietname, em Aafrica, etc… muitas autocracias impuseram-se ao caos anterior… muitas autocracias igualitaarias imposeram-se a autocracias feudais capturadas por elites… a escolha entre autocracia e democracia (verdadeira) nunca foi uma opcao contemporanea dos povos…

    Eu vivo nas Filipinas (onde haa eleicoes formalmente), e tenho trabalhado no Vietnam (onde nao haa eleicoes formalmente) e no Cambodja (onde as haa), e prepara-se: existe mais democracia (no sentido dos resultados em que esta se apresenta como “a melhor dos sistemas”) no Vietname que nas Filipinas ou no Cambodja…

    EE esta observacao uma ode ao comunismo? Absolutamente que nao… seria estuupido… principalmente vindo de mim… mas ee a democracia (verdadeira) uma opcao viaavel para o Vietname agora? EE tanto, como nao tem sido para as Filipinas nos uultimos 20 anos… significa isto que um paiis “comunista” ou de regime autocraatico estaa destinado aa miseeria? Absolutamente que nao… como os episoodios mais marcantes de raapido desenvolvimento no Sec XX teem mostrado…

  5. panaxginseng diz:

    Podem voces imaginar o que teria ocorrido em termos de estabilidade no norte de Aafrica se haa mais de uma deecada os EUA tivessem decidido entrar pela Liibia adentro, destruiisem as instituicoes do estado existentes, instaurassem uma administracao provisooria, e depois forcassem umas eleicoes chamando-lhe o avanco da democracia??!?!

    Lembram-se como o Khadafi era claramente apelidado de louco e extremamente perigoso? Depois de um susto ou outro, nao ee extraordinaario que agora o tipo passe por um piroso inofensivo? EE a Liibia um foco de instabilidade no mundo agora?

  6. Carmex diz:

    Rui, não entendo, há pouco tempo não dizias que, apesar dA MENTIRA inicial a situação actual do Iraque e do Médio Oriente estava melhor sem Saddam do que com Saddam? Esta mudança é para te adequares ao programa do MEP?!

    Quanto aos elogios ao Nuno Gouveia, concordo com todos (e com o post visado também).

  7. hirudoid diz:

    Carmex, não me lembro do MEP ter posição oficial sobre a guerra do Iraque, mas ainda bem que tua conheces. Para além disso, quando escrevo como MEP faço-o assumidamente aqui. No Farmácia, gosto de escrever como farmacêutico e ficava agradecido se os meus co-bloggers respeitassem isso sem permanentes associações dos meus posts ao MEP. Agradecido!

    Quanto à questão, não vejo em que é que:
    “A minha desilusão foi tal que tendo mesmo a concordar com o meu amigo João Pedro. Se era Saddam quem segurava as facções internas, então temos que pensar bem se até o seu afastamento, que aparentemente parece ter sido uma coisa boa, não terá sido um tiro no charco.” é antagónica com aquilo que tenho dito. É asim tão difícil aceitar que nem todos tenham que ficar casmurramente a só ver virtudes no que se passa e passou no Iraque?

    Durante a invasão defendi que para mim nem eram importantes as armas de destruição massiva embora fossem elas a “legitimar” a invasão à revelia das Nações Unidas. É natural que me sinta defraudado…

  8. hirudoid diz:

    Se o objectivo era derrubar um tirano sanguinário então porquê a desculpa das armas? Se o objectivo era atrar areia para um barril de pólvora no médio-oriente, então para quê a repetição até à exaustão das WMD?
    É isto que não é nada claro, por mais que se queira fazer crer nestes objectivos 5 anos depois…

  9. Carmex diz:

    Rui, a questão da WMD é outra, não a que levantei; se para ti era a principal causa da guerra, muito bem; se achas que toda a gente mentiu sem pudor, melhor ainda; não deverias querer que toda a gente se sentisse defraudada contigo, mas de resto está tudo muito bem.

    O que me espanta (muito)é a tua mudança de posição – e sim, houve mudança, porque agora achas que foi má a saída de Saddam do cargo de “senhor-todo-poderoso” do Iraque (de resto ao contrário da maioria dos Iraquianos, pelas sondagens que já lá se fizeram). Porque não era há um ano que dizias que a guerra tinha tido bons efeitos, apesar da mentira original, era há uns dois meses! E não vejo o que pode ter mudado a tua posição nestes últimos dois meses; seguramente não nenhuma notícia proveniente do Iraque.

    Não teve nada a ver com o MEP, então ainda bem, foi confusão minha (e, já agora, acho que o MEP devia ter posição sobre o assunto, mas isso é MESMO outra conversa). Continuo é curiosa com o que originou a mudança.

  10. Carmex diz:

    Bem, nem li o teu segundo comentário, Hirudoid. Agora os americanos já atiraram um barril de pólvora para o Médio Oriente?! E ainda dizes que não há mudança de opinião?

  11. Carmex diz:

    23 de Janeiro:
    “Outra coisa diferente é achar que o médio oriente e o Iraque não estão melhores depois da intervenção, porque estão. Infimamente talvez, mas estão. Mas esse argumento, apesar de ser o verdadeiro (não sendo o único) não legitimava a intervenção…”

    24 de Março (2 meses e 1 dia depois!):
    “Se o objectivo era atrar areia para um barril de pólvora no médio-oriente”

    Ambas as freses tuas, Hirudoid. Continuo muito curiosa sobre o que te fez mudar tanto a opinião do estado do Médio Oriente.

  12. hirudoid diz:

    Acho que andas baralhada. Com “atirar areia para um barril de pólvora no médio-oriente” queria dizer precisamente o contrário de “atirar um barril de pólvora para o Médio Oriente” (tipo, areia em cima de um barril de pólvora abafa a explosão, tás a ver?). Metáforas, de facto, nunca foram o meu forte…

    Como vês não mudei de posição e não ennetndo essa súbita argumentação de dedo em riste. Apenas acho que olhando para 5 anos de invasão do Iraque, os aspectos positivos não são suficientes para equilibrar a balança quando no outro prato está uma grande história de falta de verdade e de desonestidade. Só e apenas isso!

    23 de Janeiro
    “Outra coisa diferente é achar que o médio oriente e o Iraque não estão melhores depois da intervenção, porque estão. Infimamente talvez, mas estão. Mas esse argumento, apesar de ser o verdadeiro (não sendo o único) não legitimava a intervenção…”

    20 de Março
    “O que se passou no Iraque é coisa muito séria e desonesta e não são os poucos argumentos de verdade que ainda sobejam que legitimam todos os argumentos de falta dela que foram utilizados”

    Afinal onde está a incoerência?

  13. Carmex diz:

    A culpa é da falta das letras do atirar, suponho, ou tinha os óculos com as lentes sujas. Eu li tirar areia e deitar o barril de pólvora, que de resto estava de acordo com espírito do comentário anterior. So sorry for the misunderstanding!

    Mas está explicado – bem, pelo menos em parte, porque há uns meses parecias dar mais ênfase à parte das melhorias do Iraque e agora à mentira (supondo que existiu, o que também só se pode saber com certeza através da fé!!!) inicial.

    Só não concordo com a acusação com o dedo em riste… que posição tão inestética…

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