Publicado por: Maria João Marques | Maio 16, 2009

See you!

É sabido que as mães que trabalham são os seres vivos mais competentes na organização do seu tempo. Com uma quantidade inesgotável de tarefas e ainda a necessidade de ter espaço na agenda para si próprias e um tempinho livre em que se faz algo que dá prazer, somos especialistas prontas a sermos contratadas pela CIA para darmos lições sobre eficaz gestão do tempo. Ora esta gestão, no meu caso, a partir do momento em que comecei a escrever no Eleições 2009 - do qual já saí - e me juntei ao blogue não-oficial de apoio ao PSD para as próximas eleições com o witty nome de Papa Myzena leva-me a não ter tempo por agora para atender os clientes aqui do Farmácia e decidi-me a suspender aqui a minha participação.

Depois das eleições, do nascimento do meu filho, enfim, quando estiver um poucochinho mais desafogada, volto a este balcão. Entretanto, já sabem, insistam com a Margarida e o Zé para despacharem por aqui as vossas receitas e a mim leiam-me nos outros blogues.

(Os Jimmy Choo estão lá em cima só porque são bonitos, e nada têm a ver com o posts nem sequer com as sabrinas e flats que é o que eu actualmente consigo usar.)

Estas duas notícias do Sol sobre Sócrates fazem-me perguntar: terá ele alguma noção do que afirma? E a resposta é, convictamente: não. Neste caso - Sócrates considera investimento público «imperativo moral» – só pode estar a gozar com os eleitores de forma pouco subtil. É que mesmo se por razões de não deixar que no curto prazo a situação seja dramática (e ninguém sabe a que ponto vai ser dramática nem se investimento público a vai melhorar) se decida investir, fingir que não há riscos nessa política é simplesmente falta de seriedade gritante. A dívida que se vai transmitir para as gerações futuras não pode ser escamoteada (e se no longo prazo o Sr. Sócrates está morto, os meus filhos não), a escassez de crédito resultante para as empresas também não se deve ignorar, as ineficiências criadas por muita intervenção estatal vão perdurar e, por fim, num país onde o Estado vai pela primeira vez consumir mais de metade da nossa produção, considerar mais gastos públicos “um imperativo moral” é de fazer desconfiar se Sócrates se vendeu secretatamente a Lenin. (E a argumentação de que tudo é “estratégico” e sem esse investimento Portugal africanizar-se-á em definitivo só é suportada por uma grávida com a ajuda de uma daquelas bolinhas anti-stress.) A propósito desta necessidade de investimento, a responsabilidade com que isto é visto pela Comissão Europeia está a anos-luz deste senhor.

Quanto ao conselho de Sócrates para que os empresários “corram riscos”, ah como eu gosto sempre destes conselhos de quem nunca pagou ordenados e segurança social de outros na vida (com a excepção eventualmente da empregada doméstica), e em especial de quem sempre (ou quase sempre) recebeu ordenados pagos pelos contribuintes. Como sou uma menina bem-educada, não respondo ao repto do senhor engenheiro. Como não sou burra – e sei a rentabilidade que os investimentos da era Sócrates tiveram – vou ignorar o conselho. Investimentos nestes anos só ponderadamente e com minimização de riscos. Não se deve dar ouvidos a quem não percebe o que diz.

Já agora aproveito e comento a entrevista de Sócrates à RTP. a) A relação de Sócrates com a verdade não é em definitivo aquela que me ensinaram como boa desde pequenina; não devido ao caso Freeport (não faço ideia do que é verdade), mas pela incomensurável lata de Sócrates sobre as palavras do PR; ouvindo-o, e não tendo ouvido o PR, até parecia que Cavaco andava preocupado com o governo da Papua Nova-Guiné. b) Sócrates esteve mal: irritado, mal-educado, sem ter ensaiado bem ao espelhos as feições para a parte da vitimização. c) Nada de novo saíu da entrevista; Sócrates diz que estamos no melhor dos mundos e se não estamos ele preparou-nos para isso e foi uma sorte termos contas públicas na ordem à conta de uma subida da carga fiscal para agora podermos suportar um défice que pode ir a quase 10%. Deus e cada um de nós nos valha, que a autortidade temporal não está à altura.

Publicado por: Maria João Marques | Abril 26, 2009

É por estas e por outras que Alberto Gonçalves é um grande colunista

“Sou ateu (por convicção), assisti a duas missas (por favor) e nunca falei com um padre (por acaso). Por isso acho graça a certas pessoas que fazem questão de exibir desprezo pelas opiniões da Igreja e passam os dias a escrutinar as opiniões da Igreja, de modo a dedicar-lhes fúria ou galhofa. E desprezo, claro. Imagino que, à semelhança de uma temporada num spa, o exercício tenha efeitos retemperadores. Desde logo, permite aos iluminados pela descrença confrontarem o seu “progressismo” com a tradição religiosa e sentirem-se imensamente “modernos”, “racionais” e, vamos lá, superiores.

É por isso que essa gente aguenta calamidades sem se distrair do essencial: se Lisboa sofresse um terramoto de magnitude oito, os fundamentalistas ateus estariam no meio dos escombros, a criticar nos respectivos blogues as últimas declarações de um bispo qualquer sobre a homossexualidade. Não conheço católicos assim atentos à doutrina eclesiástica.

Ainda há dias, as notícias de que a economia nacional afocinhou para níveis quase inéditos foram, em alguns meios, ignoradas em favor de uma frase do cardeal patriarca acerca dos contraceptivos. Disse D. José Policarpo: “O preservativo é falível”.Num ápice, as caixas de comentários on line encheram- -se de comentários furiosos com a irresponsabilidade e o reaccionarismo do homem. Inchados com o seu íntimo esclarecimento, nenhum dos comentadores desmentiu um simples facto: o preservativo é falível.”

Dias Contados, no DN

Não percam o resto sobre o animado tema ”o preservativo e África”, e também as partes referentes à entrevista do nosso grande líder ou a essa encenação circense que foi a conferência da ONU contra o racismo.

Publicado por: Maria João Marques | Março 31, 2009

Novos blogues

Como se já não bastasse escrever em 3 blogues (com grande prejuízo do Farmácia, mas o tempo não dá para tudo), vou colaborar no blogue do Público de comentário às três eleições que se avizinham neste ano: o Eleições 2009, já em funcionamento.

Saúda-se também a iniciativa da Sábado de criar dois blogues - Blogue de Direita e Blogue de Esquerda - ao melhor estilo dos blogues ligados a revistas, e que eu tanto aprecio, como os da Spectator ou de The Weekly Standard.

Publicado por: Maria João Marques | Março 30, 2009

You go, girl!

“Chancellor Angela Merkel of Germany, an avowed friend of the United States and the leader of the European Union’s biggest economy, is diplomatic about the coming visit by President Obama. But she is clear that she is not about to give ground on new stimulus spending, stressing the need to maintain fiscal discipline even as she professes to want to work closely with the new American president.”

NY Times

Publicado por: Maria João Marques | Março 25, 2009

Leitura Diária Obrigatória

Clube das Repúblicas Mortas é o novo blogue – muito aguardado em certos quarters – de Henrique Raposo. Bem acompanhado de Rui Ramos.

Publicado por: Maria João Marques | Março 23, 2009

A inutilidade da formação

Através do Joaquim do Portugal Contemporâneo, descobri esta notícia da edição impressa do Público de Domingo (pág.13), da jornalista Natália Faria:

Sucesso profissional é determinado logo na infância
Investigadores seguiram 400 mil trabalhadores para concluir que os nossos salários já estão definidos
à entrada na idade adulta
O salário que uma pessoa receberá ao longo da vida está mais ou menos definido à chegada à idade adulta, segundo um estudo da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
Depois de dois anos a avaliar a situação de cerca de 400 mil trabalhadores, os economistas Paulino Teixeira e Ana Sofia Lopes concluíram que o sucesso profissional dos trabalhadores adultos é determinado pela educação que estes receberam no pré-escolar e nos primeiros anos de escola.
“Podemos afirmar, eventualmente com algum exagero, que, aos 18 anos, já está tudo determinado e que já é possível nesta fase saber qual é o perfil salarial dos indivíduos”, declara Paulino Teixeira, para reforçar a ideia de que “os primeiros anos de aprendizagem são decisivos”, muito mais do que a formação profissional que cada um venha a receber ao longo da vida.
“É ainda em tenra idade que se adquirem as características que acabam por ser decisivas na inserção no mercado do trabalho, como a persistência, a disciplina, a ambição, a capacidade de trabalhar em equipas e de as liderar”, precisa o investigador.
O ponto de partida do estudo, que se enquadra na tese de doutoramento de Ana Sofia Lopes, era explicar as disparidades salariais dos trabalhadores e perceber que repartição era feita dos ganhos da formação na produtividade das empresas. E o que os investigadores concluíram foi que factores como o grau de escolaridade e a experiência profissional são determinantes mas pelo que sugerem. “À partida, só quem é disciplinado e perseverante é que conclui uma licenciatura. Do mesmo modo, só quem reúne algumas destas características é que vai frequentar a formação profissional das empresas e tirar proveito dela.”
Para Paulino Teixeira, tornou-se assim claro que “não vale a pena estar a ‘investir’ em indivíduos que, aos 20 ou aos 22 anos, apresentam características desfavoráveis no mercado de trabalho, porque estes já perderam capital dificilmente recuperável”.
Por isso é que para este doutorado em Economia as políticas de requalificação profissional dirigidas a adultos, como o programa Novas Oportunidades, são pouco eficazes, na medida em que não conseguirão alterar as tais capacidades não mensuráveis que deviam ter sido adquiridas na infância e que serão determinantes no desempenho profissional.
“Se queremos proteger os mais desfavorecidos, o que temos que fazer é colocar as crianças destas famílias em colónias de férias para que se possam misturar com crianças de famílias favorecidas e beneficiar desse ‘caldo’ social”, preconiza, ao mesmo tempo que defende o reforço do ensino pré-
-escolar e uma aposta no alargamento da escolaridade obrigatória.”

Não faço ideia quando termina o processo em que as pessoas adquirem competências que lhes vão ser essenciais na vida adulta enquanto profissionais e que determinam ou não o sucesso profissional. Sei, contudo, que a formação profissional em adulto é absolutamente irrelevante e inútil se as pessoas não tiverem já as competências que lhes permitem aproveitar o sumo dos novos conhecimentos adquiridos. E quando os formadores e psicólogos falam em alterar comportamentos, desconfiem, querem vender o seu peixe, mas ninguém altera comportamentos na sequência da uma formação profissional; quando muito, pode decidir de forma diferente, se souber discernir a melhor forma de decidir, partindo das novas informações que a formação lhe forneceu. Em todo o caso, com muitas pessoas pode-se dar a formação que quisermos que não há, simplesmente, resultados. (E, a propósito, a obrigação de formação profissional de parte, acho que 10% do pessoal, estabelecida no código de trabalho Bagão Félix é apenas uma forma de obrigar as empresas a gastarem dinheiro sem retorno). Quando falamos de pessoas que não entendem a necessidade de dizer “bom dia” ou “boa tarde” a um cliente, ou que não têm pudor de contar em frente a clientes que não conhecem, durante conversas com colegas, os seus segredos de alcova – como tanto se encontra nas várias lojas portuguesas – há uma falta de competências básicas que não se resolvem com formação profissional.

Publicado por: imodium | Março 23, 2009

Incompetência cara

Um milhão de euros foi quanto custou ao Sporting a incompetência de Lucílio Baptista.

Mas como uma desgraça raramente vem só, eis que este expoente do que melhor temos na arbitragem nacional vem dizer às câmaras da SIC que não viu o penalty e que só o confirmou porque o seu assistente que estava atrás de si (e não é demais relembrar que Lucílio estava a tentar olhar para a bola) lho confirmou, porque o árbitro assistente que estava ao pé da bola disse que não tinha visto nada. Quando nesta altura se pensa que as coisas não podem piorar, eis que este mesmo senhor diz também que não se apercebeu que um encontrão que o leva a recuar dois passos e a abrir os olhos ao jogador que literalmente se atirou contra ele tenha sido um incidente grave, e portanto não viu necessidade de o mencionar no seu relatório…

Numa empresa normal, um erro grosseiro de um quadro incompetente que tenha um prejuízo de um milhão de euros pode ser considerado justa causa para despedimento. No futebol português, o próprio do incompetente aparece 24 horas depois da desgraça em plena televisão a dizer que assume o erro com muita pena mas agora já não pode fazer nada.

Com árbitros destes, alguns a quem a incompetência causa mesmo problemas de saúde (lembre-se a azia de Jorge Coroado, outro talento da nossa arbitragem, depois de um Chaves-Sporting), e com o presidente de um órgão responsável como a comissão de arbitragem a dizer de forma no mínimo irresponsável que quem não gosta das arbitragens o melhor é não ir ao estádio, não é de estranhar que os estádios de futebol por esse país fora construídos por altura do Euro2004 (esses grandes investimentos tão criteriosamente escolhidos e até agora com elevados retornos) estejam às moscas.

Não quero com isto tirar o mérito da vitória do Benfica, que embora não tivesse jogado grande coisa nem merecido vencer no final dos 90 minutos (visto que o prolongamento da decisão para a marcação de grandes penalidades foi presente de Lucílio Baptista), soube tirar partido da situação melhor que o Sporting na marcação dos penaltys (coisa que os discípulos de Paulo Bento têm que melhorar). Ironia das ironias, o tipo que acabou por decidir o jogo a favor do Benfica saiu do Sporting pela porta pequena há bem pouco tempo.

Publicado por: Maria João Marques | Março 18, 2009

Agora que me lembro do Vicomte de Valmont

e que vale sempre a pena recordar o Colin Firth, aqui vai a capa do dvd do filme de Milos Forman, Valmont, adaptação de Les Liaisons Dangereuses de Choderlos de Laclos. Com uma também adorável (como quase sempre) Anette Benning.

Publicado por: Maria João Marques | Março 18, 2009

Bastou um

10 Literary one-hit wonders
Luke Leitch looks at those authors for whom one book was enough
, Times

Só li quatro dos dez livros referidos no texto above mentioned – a saber: Wuthering Heights, The Picture of Dorian Gray, Gone With the Wind e o Deus das Pequenas Coisas (este está em português porque li a tradução e apesar de as traduções terem muita culpa em esventrarem obras boas no original no caso concreto parece-me que o livro era mau em qualquer língua) – contudo acho o critério da lista estranho. Oscar Wilde, por exemplo, teve imenso sucesso com as suas peças – An Ideal Husband é a minha preferida, e já teve uma mais que adequada adaptação cinematográfica, com o Jeremy Northam, a Cate Blanchett e o Rupert Everett - e escreveu ainda várias pequenas histórias excelentes para adultos – Lord Arthur Savile´s Crime é delicioso – e para crianças. Além do De Profundis (que eu não li), que me dizem, pessoas em quem acredito, ser muito recomendável. Não me parece ter sido um homem de um êxito só. O mesmo se pode dizer de J.D. Salinger, que publicou com sucesso livros de pequenas histórias. E Arundhati Roy, além de ter escrito um livro mau, booker winner ou não, é nova e pode publicar ainda imenso.

E, atravessando o canal, há autores de sucessos únicos que poderiam figurar na lista, como o Choderlos de Laclos – que além do Les Liaisons Dangereuses escreveu algumas obras filosóficas, mas pelo pouco sucesso e pela área distinta não me parecem contar – ou a Madame de Lafayette com A Princesa de Clèves.

Publicado por: Maria João Marques | Março 17, 2009

A propósito das desinformações

Ao cuidado do Senhor Dr. Carlos Abreu Amorim:

“Vaticano critica excomunhão no caso de aborto no Brasil
Para colaborador de Bento XVI, decisão de arcebispo de Olinda e Recife foi apressada

Em artigo publicado pelo jornal da Santa Sé, o Osservatore Romano, neste sábado, o presidente da Academia Pontifícia para a Vida, Monsenhor Rino Fisichella afirma que os médicos que praticaram o aborto na menina de 9 anos, grávida de gêmeos após ter sido estuprada pelo padrasto, não mereciam a excomunhão.

“São outros que merecem a excomunhão e nosso perdão, não os que lhe permitiram viver e a ajudarão a recuperar a esperança e a confiança, apesar da presença do mal e da maldade de muitos”, escreve Monsenhor Rino Fisichella, um dos mais próximos colaboradores do papa Bento 16 e maior autoridade do Vaticano em bioética. “

Estadão.com.br

A gente sabe que dá sempre muito jeito fingir que as posições individuais de mebros do clero são posições do Vaticano – e como não é só a blogosfera portuguesa que está cheia de Torquemadas moralistas, geralmente anti-clericais, que gostam de julgar e excluir e vituperar as pessoas e as instituições pelo que pensam e fazem, a Igreja também tem a sua quota de justiceiros sempre prontos a julgar os outros e sem entenderem que para Jesus Cristo as pessoas sempre estiveram antes das leis e que agir sem compaixão não é próprio de um cristão, o que resulta em bastantes disparates provenientes de católicos - mas lá por ser conveniente não quer dizer que seja sério.

(E aproveito para fazer um mea-culpa: com a idade vou-me tornando mais tolerante com as falhas alheias, com uma excepção: não suporto gente moralista; não tolero quem tenha a infelicidade de pensar que pode dar lições ou conselhos aos outros, do alto do seu irrepreensível pedestal de ética – pensam os próprios nestes termos do pedestal, claro.)

Publicado por: Maria João Marques | Março 14, 2009

Uma desinformaçãozita ou outra

Hoje li na última Sábado uma pequena notícia que fazia o favor de me (des)informar que Obama(, o Magnífico), havia levantado a proibibição de pesquisa científica com células estaminais embrionárias, imposta durante a época Bush(, o Vilão).

Li também no Blasfémias o CAA, sempre preocupado e ocupado com o que diz o Vaticano – algo cuja razão escapa a toda a compreensão -,  e lá vem novamente a mesma lenga-lenga do parágrafo anterior. (Juntamente com uma moralizaçãozita sobre o que é a defesa da vida, grande campo de especialidade de CAA.) (Não perder também os comentários de Gabriel Silva a desdizer o disparate sobre a posição do Vaticano anunciada por CAA no caso da menina de 9 anos grávida.)

Só é pena que a Sábado e o CAA não digam as coisas como elas são: que Obama não levantou nenhuma proibição à pesquisa mas sim ao financiamento público dessa pesquisa; que Bush financiava publicamente a pesquisa de células estaminais sem destruição de embriões; que a pesquisa que não era financiada publicamente não era apenas de células estaminais mas também com destruição de embriões humanos - e  é muito engraçado tal não levantar questões morais a quem pretende dar lições a outros sobre defesa da vida humana, mas a soberba e a falta de noção não têm limites - e, por fim, que actualmente há um processo de reprogramação de células adultas em células estaminais que torna não só a pesquisa de células estaminais com destruição de embriões humanos desnecessária como economicamente pouco apelativa; e sem levantar qualquer reserva ética. As razões de Obama para ir por este caminho prendem-se apenas com a sua incapacidade de decisão gritante que demonstra em tudo o resto, encostando-se às guerras culturais. Mas, por cá, as pessoas esclarecidas aproveitam sempre, sabe-se lá por que razão, para dizer disparates mentirosos.

Publicado por: Maria João Marques | Março 11, 2009

Ajudar filhos a nascer não interessa tanto

Tendo em conta que os anos contam na fertilidade feminina (e, logo, na capacidade de produção óvulos de qualidade), é chocante este estado de coisas. Tanto mais quanto temos um governo que despenalizou o aborto, o realiza gratuitamente a pedido nos hospitais públicos ou o paga nos privados se não puder cumprir os prazos e ainda paga de 15 dias a um mês a totalidade do ordenado às mulheres que abortam.

Há escolhas que envergonham qualquer pessoa decente.

Publicado por: Maria João Marques | Março 9, 2009

Vergonhas – que levam a violências

“One in seven people believe it is acceptable in some circumstances for a man to hit his wife or girlfriend if she is dressed in “sexy or revealing clothes in public”, according to the findings of a survey released today.

A similar number believed that it was all right for a man to slap his wife or girlfriend if she is “nagging or constantly moaning at him”.

The findings of the poll, conducted for the Home Office, also disclosed about a quarter of people believe that wearing sexy or revealing clothing should lead to a woman being held partly responsible for being raped or sexually assaulted.”

Este artigo do Times é arrepiante. Mas deixa-nos perceber as razões de absurdos como a sugestão de que partes da sharia pudessem ser aplicadas pelo enquadramento legal britânico às comunidades muçulmanas – o mesmo é dizer às mulheres muçulmanas -, de tolerâncias absolutamente excessivas e criminosas com o tratamento a que são sujeitas as mulheres e raparigas e crianças do sexo feminino das comunidades muçulmanas na Europa, de aceitação que tantas mulheres, só por terem o azar de nascerem em culturas muçulmanas, não sejam cidadãs europeias com todos os direitos disponíveis para os demais. Porque – é disto que se trata – há quem concorde, no fundo, com a visão muçulmana do que devem ser os direitos das mulheres e do que é a condição feminina.

E este facto indecoroso não se esgota nos que pensam ser aceitável bater numa mulher porque ela está vestida de forma sexy (para quem?) ou porque ela é uma chata. Há os que, não batendo, recorrem ao sempre eficaz método passivo-agressivo. Desde os que não permitem que as suas respectivas usem certas roupas – não é preciso pensar em tops de decotes vincados; sei de casos em que uns inofensivos sapatos de uma cor mais ousada são motivo para torcer o nariz – aos que, permitindo (são uns liberais!) torcem o nariz a que a sua mulher/namorada use maquilhagem ou as ditas roupas mais reveladoras e destapam o seu pote de fel nos comentários que fazem. Atenção, eu acho que os homens têm todo o direito de gostarem ou não do que uma mulher veste e escolherem uma mulher que se veste com o recato que julgam adequado; eu também objecto muito a certos tipos de roupa ou a alguns acessórios nos homens; as pessoas também se escolhem pelo que vestem; o que nunca me passaria pela cabeça era proibir ou condicionar as escolhas de quem eu gosto (o que inclui gostar do seu gosto por roupa/acessórios/maquilhagem). Há homens, no entanto, que gostam de determinar o que as suas mulherzinhas vestem (geralmente não se ficam pela aparência física, também se dedicam ao que fazem, ao que lêem,…) - no fundo, gostam de determinar o que elas são.

A culpa de haver homens assim não é só dos próprios. As mulheres que os aturam e se vergam aos seus desejos também são culpadas. É que aquelas que tiveram a sorte de nascer em sociedades livres têm a obrigação de não aturar machistas. E de lhes dar umas lições.

Publicado por: Maria João Marques | Março 9, 2009

Handmania2007

Se alguém estiver interessado em bolos que põem os miúdos loucos, aqui vai o blogue da Sara Infante do Carmo, com indicações para a encomenda dos ditos cujos. Eu, que já experimentei, recomendo e garanto a admiração dos sub-10 (que foi a amostra que tive). E aqui ficam umas sugestões, para os meninos e para as meninas:

Não são lindos?!

Publicado por: Maria João Marques | Março 7, 2009

Porque ontem foi sexta

Uns deliciosos  yummie-yummie flats da Stella McCartney.

Como há pessoas muito perigosas por esse mundo, capazes das maiores atrocidades sem qualquer remorso (aquilo que geralmente se designa como psicopata), com os quais as regras de civilidade normais não se aplicam sem perigar a segurança de muita gente, e como por muito odioso que seja – e é – sítios como Guantánamo podem prevenir males maiores do que os que produzem, o melhor é o público americano (e, já agora, mundial) não saber que houve boa gente liberta de Guantánamo que mais valia lá ter ficado.

“At 12:01 P.M. on January 20, 2009, minutes before Barack Obama was sworn in as president, the first post went up on the Obama White House website. It included a reiteration of a campaign promise Obama repeatedly made: “President Obama has committed to making his administration the most open and transparent in history.”Two days later, Obama ordered the detention facility at Guantánamo Bay closed. And two days after that, on January 24, Newsweek’s Michael Isikoff wrote about a Pentagon study that will provide an early test of this promise: “The report, which could be released within the next few days, will provide fresh details about 62 detainees who have been released from Guantánamo and are believed by U.S. intelligence officials to have returned to terrorist activities.”

The report was not, in fact, released within the next few days. On February 2, Commander Jeffrey Gordon, the Pentagon spokesman who handles inquiries about Guantánamo, told us that the report would likely be released later that day. We were told to consult the website–defenselink.mil–that afternoon. No report. When we asked where it was, Commander Gordon wrote: “Nothing today, please check back with me in a couple days.” We did. No report.

This pattern has repeated itself for a month.”

Second Thoughts
The ‘most transparent administration in history’ buries a Gitmo report. , The Weekly Standard

(A propósito, este meu post n´O Insurgente.)

Publicado por: Maria João Marques | Março 2, 2009

Sinais da idade

Com a idade a nossa pele muda mesmo – acreditem, isto não é só conversa de marca de produtos de beleza. É normal que uma pele esteja seca e a precisar de hidratação despois de um banho ou, na caso das mãos, depois de cada lavagem de mãos. E eu sempre fui muito cuidadosa com essa coisa da hidratação. Com a pele da cara também sempre tive cuidados de limpeza – não me recordo de algum dia depois dos meus quinze anos ter-me deitado sem limpar a pele da maquilhagem ou das impurezas diárias acumuladas – mas o certo é que até há uns anos nunca havia sentido verdadeira secura da pele da cara. Eu tenho a pele tendencialmente oloesa, pelo que só uso hidratantes oil-free e matificantes (e, claro, os pozinhos matificantes para não exibir uma cara brilhante). Nunca foi nada usual esquecer-me de hidratar a face, mas se acontecesse quase nem reparava. no entanto, contudo, however, nevertheless de há uns tempos para cá, a hidratação da cara tornou-se verdadeiramente essencial. Um dia esqueci-me de pôr o meu All About Eyes e uma meia hora depois lá tive que corrigir a malfeitoria, porque a pele dos meus olhos parecia rígida. Se me esqueço de pôr o hidratante (o que se tornou impossível) sinto a pele da minha cara como uma lixa fina e verdadeiramente desconfortável até repor os níveis de água na minha sôfrega cara. Sinais da idade, presumo. Em todo o caso, hoje é dia de agradecer os bons genes herdados da minha mãe, senhora de muito poucas rugas para a sua idade, que me permitem ainda persistir sem uma única linha de expressão na minha cara. Com a ajuda da hidratação (que, é verdade, é o melhor tratamento contra o envelhecimento da pele), espero continuar assim por muito mais anos.

(Se os meninos que lêem este post estão a pensar que isto é girltalk, desenganem-se: a partir de certa idade, depois de experimentarem um ligeiro bálsamo para os olhos e o conforto súbito subsequente, não vão querer outra coisa. E fazem muito bem.)

Publicado por: Maria João Marques | Março 2, 2009

Parabéns

O Insurgente - outra casa minha na blogosfera - fez quatro anos a 27 de Fevereiro. Parabéns são devidos, não apenas pela data, mas por ajudar a impor a agenda liberal na blogosfera – e já se sabe como o que vem da blogosfera vai transpirando para o resto da sociedade – sempre com qualidade inexcedível (ainda que agora me fique mal dizer isto, mas considerem que estou a referir-me aos Insurgentes que escreviam no blogue antes de Janeiro deste ano).

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 26, 2009

Será que os tories tiveram o azar de dar ouvidos a Manuel Pinho?

“Fraser Nelson says that the Conservatives are taking their cue from the West Coast of America: the land of Google, Stanford University and venture capital. They want to rebuild Britain in California’s image: dynamic, high-tech, green and ‘family-friendly’Once every fortnight or so, David Cameron’s chief strategist lands at San Francisco airport and returns to his own version of Paradise. Steve Hilton has spent just six months living in this self-imposed exile – but his friends joke that, inside his head, he has always been in California. Look at it this way: this is the place on Earth which fuses everything the Cameroons most like in life, where hard-headed businessmen drink fruit smoothies and walk around in recycled trainers. It is where a dynamic economy meets the family-friendly workplace. And it is here, to an extent that is greatly underestimated, that the Conservative government-in-waiting is looking to find a new blueprint for Britain.”

The Spectator

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 23, 2009

Os meus preferidos dos Oscars (4)

Anne Hathaway em Armani Privé

Lamentavelmente não posso dar opinião sobre os filmes que venceram ou foram derrotados, já que o meu tempo para cinema tem sido inexistente e ainda não vi nada com aroma a Oscar. Ainda lamentavelmente, constata-se que à medida que as senhoras se aprumam com cada vez maior glamour para a cerimónia e que os Oscars se tornam a cobiçada montra dos vários designers mais ou menos consagrados (nesto último caso, à procura de consagração), os senhores andam uma vergonha. Há os que substituem os laços dos smokings por gravatas pretas (que, como se sabe, são adequadas para ocasiões de luto), ou as camisas brancas por camisas cinzentas ou pretas, ou, pior, que nem levam gravata ou envergam um fato sem qualquer semelhança com o código black tie. Uma vergonha e uma desconsideração pelas senhoras, que nitidamente se esforçam. Nunca é de mais repetir que lá porque as senhoras devem ser originais e seguir as tendências da moda isso não quer dizer que os senhores também o façam; os homens querem-se, em especial em eventos formais, conservadores.

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 23, 2009

Os meus preferidos dos Oscars (3)

Jennifer Aniston em Valentino

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 23, 2009

Os meus preferidos dos Oscars (2)

Taraji P. Henson em Roberto Cavalli

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 23, 2009

Os meus preferidos dos Oscars (1)

Freida Pinto em John Galliano

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 23, 2009

Interessante

o quadro mostrado pelo PR. E que questiona de forma pertinente a prosperidade económica nos tempos democráticos do pós 1975.

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 23, 2009

Delicioso

É maldade escalpelizar os deslizes alheios, mas políticos são políticos e se projectam uma imagem é bom que estas sejam pelo menos um bocadinho verdadeiras. E estas leituras de Pedro Passos Coelho, além de inexistentes, são deveras curiosas. E apesar de terem sido apresentadas para consolidar uma imagem consistente e de solidez intelectual, só prejudicam o candidato. É que eu, por exemplo, tenho muita relutância em dar o meu voto a quem lê Tolstoi e Dostoievski antes de Somerset Maugham ou Voltaire antes de Eça. E desconfio de quem lê Kafka em qualquer idade e gosta. Alguém com este perfl de leituras tem duas alternativas: se for falso, é um pavão pretensioso; se for real (na parte não Sartre) revela alguns desequilíbrios de personalidade e não tornam nada a pessoa confiável para candidato a Primeiro-Ministro.

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 23, 2009

As coisas que se lêem e os problemas que as pessoas inventam

Li na última Sábado um texto sobre mães que se irritam por serem tratadas por “mãe”; não pelos filhos (se bem que em alguns casos se parecia chegar a esse limite), mas pelas outras pessoas: os médicos, os professores, os colegas dos filhos e o mundo em geral. Confesso que também acho um pouco ridículo que a enfermeira que dava as vacinas ao meu filho no centro de saúde, bem como outros médicos e enfermeiros durante consultas da pessoa mais pequena lá de casa, me tratasse por “mãe”; enfim, não sou mãe desses senhores e senhoras e acho despropositada a confiança. Mas reconheço que acho inteiramente normal que as mães dos colegas do meu filho me perguntem, ao telefone, se sou a mãe do Francisco e se apresentem como a mãe do Rodrigo, por exemplo. Eu fiz o mesmo quando respondi por telefone a um convite para uma festa de aniversário de uma menina da sala do meu filho. Não nos conhecemos, não temos relação, o elemento de ligação são os filhos, pelo que a forma mais lógica de apresentação é esta, mesmo que acompanhada pelo nome próprio, o que claro que também é simpático. Ainda nas consultas de urgência me parece inteiramente correcto que me tratem novamente por “mãe do Francisco”. Os médicos e ajudantes têm demasiada informação para apreenderem para se ocuparem a decorar por minutos o meu nome. Nunca esta forma de tratamento me fez sentir um apêndice do meu filho ou alguém sem identidade para além do meu papel de mãe. E nunca me ocorreu que as pessoas a quem eu pergunto “é a mãe de…?” sejam umas tolas que se esgotem enquanto mães e que mais nada tenham a oferecer ao mundo.

(E o mesmo se aplica à identificação de “mulher de”; como é óbvio, aos colegas do meu marido que não me conhecem, ou em reuniões familiares alargadas com caras de que apenas nos recordamos vagamente mas não colocamos no lugar certo, acho normal esclarecer quem sou deste modo; afinal eu não estou nesses sítios em nome próprio. O mesmo sucede em simetria com o meu marido nas mesmas situações, sem quaisquer dramas.) (De resto, orgulho-me muito destes qualificativos “mulher de…” e “mãe de…”)

Contudo, algumas mães que devem estar ociosas em demasia para se encarregarem de inventar problemas entendem que serem tratadas por “mãe de …” é uma afronta que a sociedade lhes faz e uma tentativa feroz de lhes roubar a individualidade e as plasmar apenas como mães. Até criam sites e, qualquer dia, associações para protestar contra este ingóbil facto da vida.

Repito: é não terem nada que fazer, para se ocuparem com disparates. Ou, então, têm tão pouca confiança nas suas qualidades fora da maternidade que se sentem em perigo se a sociedade não as reconhecer como mulheres, profissionais,beneméritas, o que for, em cada minuto dos seus dias. Sinceramente, problema dessas senhoras. O que se agradece é que não chateiem as suas semelhantes um bocadinho mais seguras de si próprias. E que a comunicação social, à falta de histórias interessantes e contáveis, não apresente estas tonterias como se de uma tendência irreversível e mui moderna da sociedade se tratasse.

“Crimes de corrupção e tráfico de influências podem ter prescritoOs alegados crimes de corrupção e tráfico de influências do caso Freeport podem já ter prescrito. Se a autorização para a construção do ‘outlet’ de Alcochete for considerada legal, mesmo com eventuais subornos, esses crimes já não podem ser julgados, o que constituirá um sério revés no processo.” SIC

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 19, 2009

Faz de conta que é uma democracia

que há liberdade de expressão, que se podem satirizar os políticos e as suas políticas e propostas. Já se percebeu que José Sócrates não consegue viver com a oposição parlamentar sem ser mal-educado (talvez isso seja uma constante na sua personalidade, não sei que felizmente não o conheço, de qualquer forma fica mal em televisão), sabíamos que Sócrates também não gosta de manifestações que não idolatrem a sua pessoa e até manda a polícia espantar tais ingratos manifestantes, ficamos agora a saber que até com brincadeiras de Carnaval se amofina. E a independência do Ministério Pùblico está bem e recomenda-se, claro.

E pensar que por tão menos que isto Santana Lopes foi dispensado. Os Gatos Fedorentos e outros que tais que se cuidem.

“Ministério Público proíbe sátira ao Magalhães no Carnaval de Torres Vedras”, Público

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 16, 2009

A ler

a sempre recomendável Melanie Philips:

“So let’s get this straight. The British government allows people to march through British streets screaming support for Hamas, it allows Hizb ut Tahrir to recruit on campus for the jihad against Britain and the west, it takes no action against a Muslim peer who threatens mass intimidation of Parliament, but it bans from the country a member of parliament of a European democracy who wishes to address the British Parliament on the threat to life and liberty in the west from religious fascism.

It is he, not them, who is considered a ‘serious threat to one of the fundamental interests of society’. Why? Because the result of this stand for life and liberty against those who would destroy them might be an attack by violent thugs. The response is not to face down such a threat of violence but to capitulate to it instead.”

The Spectator

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 14, 2009

Investigadores em auto-avaliação

Não são apenas os investigadores envolvidos no caso Freeport que revelam as mais variadas ligações ao PS ou até ao caso investigado – assegurando assim uma insusceptível de suspeita imparcialidade – como também é o PGR que vai inverigar o que correu mal nos organismos que dependem do PGR e pelos quais é responsável organica, operacional e institucionalmente – o que, claro, também nos garante um rigor justicialista de quem ninguém vai poder duvidar.  E espantamo-nos nós que o processo Freeport só se tenha mexido por pedidos ingleses. E, sobretudo, podemos estar muito sossegados com a qualidade dos resultados das investigações pelas instâncias portuguesas.

“As peripécias do caso Freeport estão a incendiar o Ministério Público, gerando um ambiente de revolta entre os magistrados contra Pinto Monteiro. E ninguém percebe que ele vá investigar a actuação de um departamento directamente dependente dele próprio – o DCIAP”, Sol

“Os Governos de António Guterres funcionaram como epicentro, mas não só. De algum modo, no processo Freeport, investigadores e investigados cruzaram-se ali. Um deles teria sido escolhido para substituir Souto de Moura. Amizades? Ressentimentos? Coincidências? Um retrato de um mundo pequeno, num pequeno país.”, Público

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 13, 2009

E porque é sexta

Aqui ficam uns soberbos saltos azuis – da Jimmy Choo.

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 13, 2009

Processo Revolucionário Em Curso

Como se percebe, eu não sou uma adepta do relativismo moral. Há coisas que são “mal” e são “mal” independentemente da cultura, da geografia, do grau de instrução, da religião, de todos os possíveis condicionamentos que limitem uma pessoa. E a forma como são negados direitos às mulheres nas sociedades islâmicas (em maior ou menor grau, conforme os países, mas sempre alguma coisa menores do que os dos homens) é sem dúvida um “mal”. E confesso que vejo como arrepiante pessoas que gozam de todos os direitos das sociedades ocidentais preferirem a defesa destes países com leis imorais à da sociedade mais democrática do mundo – refiro-me, claro, aos EUA, que mesmo nos piores momentos são radicalmente mais justos e morais do que qualquer destas sociedades islâmicas mesmo que esforçadas.

Vale a pena ler este texto do NY Times, para nos apercebermos como as mulheres islâmicas quando têm liberdade para isso querem gozar dos mesmos direitos das mulheres que tiveram a sorte de nascer em sociedades mais justas (isto porque há sempre luminárias que defendem que para as muçulmanas faz muito sentido viverem com direitos pela metade) e como no Irão ainda há tanto “mal” para purgar.

“In a year of marriage, Razieh Qassemi, 19, says she was beaten repeatedly by her husband and his father. Her husband, she says, is addicted to methamphetamine and has threatened to marry another woman to “torture” her.

Rather than endure the abuse, Ms. Qassemi took a step that might never have occurred to an earlier generation of Iranian women: she filed for divorce.

Women’s rights advocates say Iranian women are displaying a growing determination to achieve equal status in this conservative Muslim theocracy, where male supremacy is still enscribed in the legal code. One in five marriages now end in divorce, according to government data, a fourfold increase in the past 15 years.

(…)

Despite the gains they have made, women still face extraordinary obstacles. Girls can legally be forced into marriage at the age of 13. Men have the right to divorce their wives whenever they wish, and are granted custody of any children over the age of 7. Men can ban their wives from working outside the home, and can engage in polygamy.

 By law, women may inherit from their parents only half the shares of their brothers. Their court testimony is worth half that of a man. Although the state has taken steps to discourage stoning, it remains in the penal code as the punishment for women who commit adultery. A woman who refuses to cover her hair faces jail and up to 80 lashes.

Women also face fierce resistance when they organize to change the law. The Campaign for One Million Signatures was founded in 2005, inspired by a movement in Morocco that led to a loosening of misogynist laws. The idea was to collect one million signatures for a petition calling on authorities to give women more equal footing in the laws on marriage, divorce, adultery and poligamy.”

NY Times

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 13, 2009

Talvez também seja mudança, mas é seguramente incompetência

“Nova baixa na equipa de Barack Obama
Judd Greg, o senador republicano que ia assumir o lugar de secretário do Comércio no governo de Obama, anunciou quinta-feira que não vai ocupar o cargo devido a «diferenças políticas». É a quarta baixa na equipa do Presidente dos EUA”, Sol

Além dos never-ending pacotes de estímulos que Obama pretende implementar e que teimam em não fazer sentir consequências além de descidas consecutivas dos índices bolsistas.

Ah, mas já me esquecia, o incompetente era o Bush. Obama, faça o que fizer, é “the special one” e mais infalível dos que os Papas quando se pronunciam sobre dogmas de fé (que é quando a infalibilidade se aplica, apesar de várias ignorâncias dos sítios do costume nos últimos dias).

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 5, 2009

A quem se deve agradecer?

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 5, 2009

A ver vamos como corre a ideia luminosa de Obama

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 4, 2009

Dress for Success

At least the Bank of England has recognised a truth often overlooked by really clever people, which is this: what you wear matters. In a recession it really, really matters. Whereas a five-year-old would once have had difficulty in not finding a job, now there are going to be 750 wildly overqualified candidates competing for everything. We’ll all need whatever ammo we can get hold of.

And so, more than 40 years after Edith Head, the scary, Oscar-winning Hollywood costume designer wrote How to Dress for Success, 34 years after John T. Molloy penned the much bossier-sounding Dress for Success and at least a decade after we all stopped dressing for success on the ground that it sounded ridiculous and outmoded, like something that all the secretaries on Mad Men might do, Dressing For Success appears to be making a comeback. And where Dressing For Success lurks, can that other much-derided 1980s term, Power Dressing, be far behind, and not in an ironic or sexist way?”

Times

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 3, 2009

Justiça pesada para esta gente

“A woman suspected of recruiting more than 80 female suicide bombers has been arrested, the Iraqi military claimed today, potentially dealing a blow to one of the deadliest forms of insurgent attack in Iraq.The woman, who was identified as Samira Ahmed Jassim and by her nickname Umm al-Mumineen, was shown confessing in a video at a press conference in Baghdad.

Dressed in a black Islamic robe, she described how she would persuade women to carry out suicide missions, escort them to an orchard for insurgent training, and finally pick them up and lead them to their targets”, no Telegraph.

Em Março do ano passado li num jornal americano uma peça onde se relatava que a grande preocupação dos pais iraquianos era com os filhos rapazes jovens, que eram os mais fáceis alvos de recrutamento pelos terroristas (anteriormente tinham-se preocupado sobretudo com as filhas, não fossem elas envolverem-se com os soldados americanos, e possivelmente lá se iria a virgindade e quem sabe viria um assassinato da rapariga para defesa da honra, ou o repúdio da família, ou outro bom costume islâmico). Será que os pais iraquianos se deveriam preocupar novamente com as suas filhas?

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 3, 2009

Por minha culpa, minha tão grande culpa

É para mim incompreensível esta mania ocidental de culpar a própria sociedade pelos erros alheios. Claro que com Bush isto foi levado a níveis patológicos, mas a verdade é que este sentimento de auto-diabolização vem da era pré-Bush. Depois do 11 de Setembro, meses depois da posse de Bush e quando este ainda só tinha defendido que os Estados Unidos deviam tratar dos seus problemas e deixar que o resto do mundo tratasse dos deles (ou seja, pouco intervencionista), já muito culpavam os ataques às Twin Towers com a arrogância americana, o seu poderio militar, o embargo a Cuba, a vitória da Guerra Fria, enfim, o facto de persistir como a única super-potência. (Sim, o ódio aos Estados Unidos vem de longe e só procurava algo onde materializar-se; da mesma forma, a adoração por Obama nada tem a ver com admiração pelos EUA, mas sim por aquilo que é de facto anti-americano em Obama e aquilo que pensam, erradamente, que Obama vai fazer parecer os EUA com o shangri-lá socialista ou socializante por que anseiam).

Obama, é claro, entronca nesta corrente que gosta de se culpar pelas culpas de terceiros. É urgente que se diga que a culpa das desgraças do mundo muçulmano são dos muçulmanos. A radicalidade crescente neste espaço não é instigada por fora mas pelos próprios, que resolvem canalizar os seus ódios e insucessos para a violência terrorista. A pobreza das suas sociedades não se deve ao ocidente mas sim aos líderes incapazes que têm produzido que, para esconder insucessos governativos, têm levado as populações a contentarem-se com sentimentos anti-ocidentais. Que os muçulmanos aceitem isto não é novamente culpa do ocidente mas demérito próprio. E não vale a pena virem com a tal minoria que é radical, porque os outros são cordatos, porque o que passa por cordato no mundo muçulmano corresponde a ultra-conservador e perigoso no meu mundo. Não me recordo de denúncias dos muçulmanos “moderados” das barbáries dos radicais, como por exemplo na violência que se seguiu às caricaturas de Maomé ou no assassinato do Theo van Gogh.

Obama escolheu ir por outro caminho. Coitadinhos do muçulmanos, que não tinham a atenção devida dos EUA. A culpa é dos EUA, que tem sido um arrogant bastard. Claro que Obama sempre revelou que se considera um homem providencial, que consegue pelo charme e pela sua capacidade titânica mudar o mundo – o que é porventura a faceta mais perigosa em Obama, porque o homem evidentemente não tem noção dos seus limites – mas de facto é insultuoso (até para mim, que faço parte deste espaço euro-americano que é alvo dos terroristas islâmicos) que Obama clareie desta forma despudorada as culpas islâmicas pelas suas agruras.

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 1, 2009

A propósito deste oportuno post do André A. Correia, lembrei-me de ir buscar o que escrevi no Atlântico, aquando do veto do PR à mais recente lei do divórcio, que termina com a imputação de culpa (esse conceito com o qual as mentes modernas e progressitas e isentas de simpatias supersticiosas com as religiões não conseguem conviver) e com o divórcio litigioso:

O divórcio e (desculpem lá a evidência) a pobreza feminina

O Presidente da República vetou a lei do divórcio que a esquerda concebeu. Fez muito bem, mas logo se levantou o coro indignado do costume e até se acusou – horror, horror! – o Presidente de ter actuado segundo as suas convicções. Não vou aqui referenciar as falhas jurídicas do diploma vetado (já o fez quem muito mais percebe do assunto que eu). Também não vou debruçar-me sobre o argumento algo falho de inteligência de que se deve legislar de forma a facilitar aquilo que é corrente no nosso país (parece que os cheques sem cobertura abundam, bem como casos de violência doméstica ou de evasão fiscal). Mas houve uma acusação feita ao PR que é tão hilariante que não posso deixar de a referir: ao afirmar que o diploma vetado desprotege a parte mais fraca, geralmente a mulher, o nosso estimável presidente estaria a assumir que afinal as mulheres são seres débeis e fracos, que não conseguem fazer valer os seus direitos e menos ainda pensar pela própria cabeça, tudo ideias muito contrárias à modernidade, ao progresso e a outras coisas boas relacionadas com as anteriores.

Se este argumento tivesse sido apenas proferido pela brigada fracturante do costume ninguém se surpreenderia – que, tão curiosamente, acha que mulheres geralmente bem na vida, portadoras de licenciaturas e mestrados e doutoramentos e com experiência profissional invejável não conseguem mostrar o seu valor e, coitadinhas, se não houver quotas nas listas eleitorais, serão um valiosíssimo contributo perdido para a nação. Mas até Pedro Passos Coelho dignificou este disparate referindo-o na entrevista que deu ao Expresso (e tendo eu apreciado tanto as ideias que propôs aquando das directas, fiquei agora a suspeitar que PPC ou tem um raciocínio muito superficial ou se deixa levar por opiniões que, por serem numerosas e mediáticas, não deixam de ser erradas; talvez fosse melhor regressar aos limites do Estado).

Ora a realidade, felizmente, não é a preto e branco nem se confunde com a utopia. Claro que as mulheres são capazes de tomarem as decisões que consideram melhores para a sua vida e concretizá-las (mesmo quando se enganam nessas decisões; acontece a todos). No entanto, factores vários (e alguns deles decorrentes das decisões das próprias mulheres, por exemplo quererem ter a guarda dos filhos ou levarem a termo uma gravidez em vez de abortarem) tornam as mulheres mais propensas à pobreza do que os homens. Se quem se pronunciou sobre a inexistência de parte mais fraca (mesmo no caso de casais com rendimentos baixos) conhecesse pobres além dos constantes nos livros de Dickens (se calhar eram mais adequados o Soeiro Pereira Gomes ou o Manuel da Fonseca) talvez soubesse que um grande alvo da pobreza é precisamente a mulher que se separa/divorcia e tem que assumir a maioria, se não todas, das despesas dos filhos (ou porque o pai não quer contribuir, ou tem uma nova família que lhe afecta grande parte dos recursos, ou porque não tem rendimentos – e sabe-se como são as despesas com os filhos, em que uma conta mais exorbitante na farmácia pode rebentar com um orçamento periclitante). Quem não conhece mulheres que se divorciam, mesmo por mútuo acordo e em casos longe da pobreza, e cujo nível de vida piora materialmente? Isto não é exclusivo de Portugal. Exemplos: no Reino Unido, 53% do total das famílas mono-parentais vivem em situação de pobreza; no Canadá, 51,6% das famílias mono-parentais sustentadas por mulheres vivem na pobreza. Com a subida do número de divórcios nos países industrializados, prevê-se o correspondente aumento da pobreza feminina. Associada à pobreza feminina está, evidentemente, a pobreza infantil. E esta pobreza feminina das mulheres divorciadas não se esbate com o envelhecimento.

Mas, claro, não devemos deixar que estes números e esta realidade se sobreponham à necessidade de atacar instituições como o casamento ou a família tradicional e, por tabela, a Igreja. Os valores não têm todos as mesmas prioridades.

(No post original estão uns linkes que valem a pena)

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 1, 2009

Umas novidades da nova colecção, para fazer esquecer o mau tempo

Jimmy Choo

Publicado por: Maria João Marques | Fevereiro 1, 2009

De facto não se escolhe a família

Obama também se pode queixar dos seus familiares. Talvez devesse trocar experiências com o nosso PM.

“Barack Obama’s half-brother George arrested in Kenya over drugs”, Telegraph

Publicado por: Maria João Marques | Janeiro 29, 2009

Liberal bias

Não que nos sirva de consolo, mas a comunicação social não é só enviezada para a esquerda no nosso pequeno rectângulo – a perguiça com que tem sido tratado desde 2005 o caso Freeport (sim, porque se o MP e a PJ nada têm feito nos últimos anos se não quando a isso são obrigadas por pedidos britãnicos, também não se entende porque só agora os media pegaram na história; não havia fundamentos para investigação aprofundada desde que surgiram as notícias? teriam medo de desagradar ao PM?) é exemplificativa disso mesmo. Nos EUA, com a dispensa do colunista Bill Kristol (republicano e que, como eu, tem o bom gosto de apreciar a Sarah Palin) pelo New York Times, esse bastião do liberalismo americano, muitos dedos se têm apontado. Aqui vai uma das mais divertidas explicações para a dispensa de Kristol:

“I can report on copper-bottom authority that The New York Times let Kristol go owing to public health concerns. As the Times’ financial condition has grown fragile, the publisher of the Times, Arthur Ochs Sulzberger Jr., has become apprehensive that Kristol’s conservative views could endanger the health of some of the newspaper’s neurotic liberal readers. During the past year, readers unexpectedly encountering Kristol in the otherwise lenitive company of Paul Krugman and Bob Herbert have complained on the correspondence page of various discomforts.”

Emmet Tyrrel, Townhall

Publicado por: Maria João Marques | Janeiro 24, 2009

A very stinky affair

“Na edição de hoje, o “Sol” revela pela primeira vez que o ministro de Guterres referido numa conversa entre Charles Smith e um administrador do Freeport é José Sócrates. Nessa conversa, gravada pelo administrador com recurso a uma câmara oculta, Smith diz que gastou avultadas quantias em “pagamentos corruptos”, de acordo com o que ficou combinado numa reunião com Sócrates. Este vídeo fará parte do processo de investigação que corre no Reino Unido, onde estará igualmente um e-mail enviado para o Freeport a pedir uma recompensa pelo desbloqueamento do licenciamento.”, Público

Publicado por: Maria João Marques | Janeiro 24, 2009

É só até um republicano voltar à Casa Branca (e continuará)

“President Barack Obama on Friday struck down the Bush administration’s ban on giving federal money to international groups that perform abortions or provide abortion information — an inflammatory policy that has bounced in and out of law for the past quarter-century. Obama’s executive order, the latest in an aggressive first week reversing contentious Bush policies, was warmly welcomed by liberal groups and denounced by abortion rights foes.The ban has been a political football between Democratic and Republican administrations since GOP President Ronald Reagan first adopted it 1984. Democrat Bill Clinton ended the ban in 1993, but Republican George W. Bush re-instituted it in 2001 as one of his first acts in office.” NY Times.

Mais grave do que isto é a pretensão de Obama de tornar lei o Freedom Of Choice Act – como de resto prometeu – que retira todas as pequenas restrições que os republicanos conseguiram assegurar para os casos de aborto. Em suma, uma das leis mais iníquas que algum governante pode patrocinar. Perante isto, uns socos nuns terroristas são peanuts. Mas claro, Obama é um redentor e o tipo da esperança e o bonzinho que agora governa o mundo.

Publicado por: Maria João Marques | Janeiro 24, 2009

Caríssimos

Por manifesta falta de tempo graças às revolucionárias mudanças em catadupa na minha vida, ainda não comuniquei aqui as mais recentes alterações blogosféricas respeitantes a moi (inspirando-me no Bergdorf Blondes, livro muito divertido e recomendável a quem venera o mundo Vogue, o que, como se sabe, é o meu caso). O Atlântico - sem dúvida um dos melhores blogues portugueses, repleto de autores (considerem que estou a referir-me aos meus colegas, para não soar a auto-elogio) que além de escreverem muitíssimo bem produziram das melhores análises nacionais e internacionais do todo comunicacional português, um blogue assumidamente de direita sem vergonhas nem condicionamentos pós-abrilistas e revelando a (saudável) diversidade da direita, e, sobretudo, liderado pelo Paulo Pinto de Mascarenhas, um grande jornalista, um grande blogger e alguém que, com grande gosto meu, a blogosfera me permitiu conhecer – terminou, com o “nosso” PPM no novo projecto do jornal diário dirigido pelo Martim Avillez Figueiredo (portanto, quando sair, toca todos a comprar o jornal). De seguida convidaram-me para escrever em dois blogues  de que muito gosto e dos quais já era compulsiva leitora – O Insurgente e O Cachimbo de Magritte - e eu, claro, aceitei. Vai daí, como agora estou em três e já não em dois, se algum dia não me encontrarem aqui na Farmácia, se tiver um autocolantezinho a dizer “volto já”, procurem-me aqui ou aqui, que talvez me encontrem.

Publicado por: Maria João Marques | Janeiro 22, 2009

A stinky affair

Publicado por: Maria João Marques | Janeiro 20, 2009

Sou eu

ou já se nota o sol mais radiante, o ar transporta um leve e agradável aroma floral, as pessoas tornaram-se de súbito mais calorosas, a cólera e a malária iniciaram a regressão, o Irão (cheio de bons rapazes que só se estavam a armar em valentões mas, no fundo, têm uns corações de ouro, aquelas vergastadas às mulheres eram só parte da representação) está em vias de se tornar o maior aliado dos Estado Unidos, as colheitas nos países pobres adivinham-se promissoras, e por aí adiante?

Só lamento quem, à falta de capacidade de racciocínio, diabolizava Bush e o culpava de todos os males do mundo, desde o terrorismo à crise económica actual. Devem estar com um vazio estranho, que ódios irracionais também ocupam espaço.

E aqui fica um sugestão de leitura, muito certa e – que pena – contradizendo os profetas da desgraça que sabiam, desde o dia em que nasceram, que o regime de Saddam era bom, cristalino, não tinha armar de destruição em massa e que qualquer guerra no Iraque seria perdida pelos invasores (como ainda alguns tentam acreditar): Bush’s Real Sin Was Winning in Iraq, WSJ

Publicado por: Maria João Marques | Janeiro 9, 2009

Bicos de Bunsen da Carmex – Blogue do ano 2008: Eleições Americanas de 2008

Sei que já é um pouco tarde para estes galardões, e que estes incompetentes farmacêuticos que vos aviam nem encontraram um bocadinho de tempo para entregar estes tão conceituados prémios anuais até ao fim do ano correspondente, e que graças às mudanças, à gripe e a uma ainda relativa info-exclusão (se os senhores do MEO/PT não forem lá a casa colocar rapidamente a ligação, ai vai correr mal, vai sim, senhora) e, por fim, ao escritório do meu pai onde vos escrevo ser muuuito frio já estamos quase a meio de Janeiro. Mas apetece-me entregar uns Bicos de Bunsen – só meus, neste caso, os outros farmacêuticos podem entregar galardões concorrentes, que a gente divide os vultuosos prémios monetários por todos os escolhidos para a mesma categoria.

E, assim, o blogue do anoo 2008 que ganhou o Bico de Bunsen da Carmex é o Eleições Americanas de 2008 de Nuno Gouveia. Pela relevância do tema, pela qualidade da cobertura, pela quantidade de informação oferecida, pela isenção que soube manter apesar da sua simpatia por McCain, pela perspicácia das análises que foi fazendo. Sem dúvida nenhuma a melhor cobertura em língua portuguesa às eleições presidênciais americanas e também das melhores coberturas que se viram fora dos Estados Unidos. O Nuno Gouveia é um trunfo para comentários sobre a política norte-americana para qualquer meio de comunicação social que for suficientemente inteligente para o requisitar e é também um trunfo para o PSD na sua compreensão do que pode ser um bom fenómeno comunicacional – assim o PSD o queira aproveitar.

Publicado por: Maria João Marques | Janeiro 6, 2009

Os comentadores

Os comentários dos comentadores depois da entrevista do PM ontem (em que, claro, Portugal está no melhor dos mundos para enfrentar uma crise económica que se afigura severa, as contas públicas estão “em ordem” – nada à custa de um saque ao contribuinte que agora o desprotege face a uma crise, não senhor -, o endividamento só se deve ao aumento dos preços petrolíferos e do gás natural, e até parece que nem houve diminuição do investimento – estrangeiro e nacional – ou um aumentozito do desemprego; enfim, ilusões de quem nos governa) e viu-se porque Henrique Monteiro e José Manuel Fernandes, com todos os defeitos que as suas publicações exibem, dirigem os melhores jornais nacionais: porque apesar de tudo têm alguma noção das causas e dos sintomas da pasmaceira económica nacional. O Mário Bettencourt Resendes, pelo contrário, deu um espetáculo embaraçoso: então não é que o atraso nacional se deveu a pouco investimento público? E que as políticas despesistas são excelentes são óptimas porque “no longo prazo estamos todos mortos”?

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