Não sei se estas revelações serão muito bem vistas em Buckingham Palace, sobre o frio que se sente em Balmoral (será sovinice com o dinheiro gasto em aquecimentos?), o facto mais que usual de serem desempacotadas e arrumadas pelo pessoal doméstico as bagagens dos convidados das casas aristocráticas e as consequências reprodutivas na vida de um casal dos dois pontos anteriores.

“In an emotional account of losing her baby at the age of 47, she writes of her disbelief that her husband and Mr Campbell telephoned to discuss the announcement as she lay in pain and still bleeding. They did so in order that a delay in their holiday did not trigger false speculation of an early invasion of Iraq.

The former Prime Minister’s wife also reveals that she and her husband conceived their fourth child, Leo, while guests of the Queen at Balmoral. It happened because she had not packed her contraceptive equipment and because of the bitter cold, Mrs Blair says.

The astonishing disclosures are made in extracts from her book, Speaking for Myself.

They may cause some embarrassment within the Royal Household because Mrs Blair says that her decision not to pack her contraceptive equipment for the annual prime ministerial visit to Balmoral in 1999 was because the previous year all her belongings, including her toilet bag, had been unpacked.”

No Times.

Isto tudo só me faz lembrar as cenas iniciais do filme a Rainha e o diálogo entre a Rainha e o seu secretário a propósito da falta de vontade (que se percebia na estranha rigidez que impedia a flexão dos joelhos) de Cherie Blair fazer a vénia à Rainha.

(Eu sou uma fã de biografias - decentes, não das do género Andrew Morton, claro - e de autobiografias; se de boa qualidade são documentos e testemunhos interessantíssimos. Por isso não me vou escandalizar, qual Buckingham Palace, com as reveleções de Cherie Blair; se ler o livro, o que se duvida, escandalizar-me-ei se for mal escrito ou sem propósito.)

Há uns dias o Kruzes Kanhoto dizia num comentário aqui no blogue que gostava de Bento XVI porque, como o Kruzes, o Papa não gostava de “mouros”. Eu pensei logo que este comentário merecia um post, entretanto os dias foram passando e outros assuntos disputando a minha atenção e só agora escrevo umas linhas sobre o assunto.

Ratzinger não tem nenhum desgosto especial pela mourama, claro está. Só que também não os justifica, não os desculpa, não desiste de interpelar a fé em Maomé (como certamente considera que a fé católica deve ser interpelada) - aliás de uma forma respeitosa, de quem considera que o outro é adulto e sabe fundamentar as suas crenças; no fundo, Ratzinger tem melhor opinião do Islamismo do que os maluquinhos que correm para manifestações, vandalizam embaixadas e matam membros do clero quando Bento XVI diz umas coisas inócuas sobre o Islão -, não relativiza conceitos para dar abrigo a selvajarias. E isto, hoje neste mundo que fala de “terrorismo de estado” para Israel e de “mártires” para terroristas, é quase escandaloso.

O Papa defende duas ideias muito acertadas nesta relação entre religiões. A primeira: deve haver reciprocidade no tratatmento dos crentes. Não se pode aceitar - como tantos ateus e católicos o fazem - que um muçulmano que se converta ao cristianismo seja ameaçado de morte e obrigado a viver escondido, quando os clérigos muçulmanos na Europa se dediquem a proselitismo quase violento; não é sustentável que os cristão sejam discriminados e molestados (das mais diversas formas, muitas delas violentas) nos países muçulmanos quando são livres na Europa de viverem segundo a sua religião e hábitos (para mim, até com excessiva permissividade que nos vai sair muuuuito dispendiosa - mas isto é outra conversa).

A segunda: a certeza que o cristianismo não é uma religião entre outras; é, antes, A Religião. Apesar de haver muitos católicos (um bocadinho esquizofrénicos, diria eu) que consideram que Deus se revelou por igual em todas as religiões e que o cristianismo deve aceitar que a verdade das restantes religiões é tão válida como a sua, o Papa muito saudavelmente envia esta conversa para as urtigas. Claro que as várias religiões (não incluo aqui grupos e grupelhos de gente que quer criar uma religião para astisfazer as suas vontades e apetites) têm partes de verdade e podem ser um meio de Deus chegar aos crentes. No entanto um católico não pode acreditar que Jesus é Filho de Deus, que morreu crucificado e ressuscitou e depois achar que está bem, os judeus têm a sua razão ao dizer que Jesus não era nada o Messias, e os muçulmanos também não erram de todo ao dizer que Jesus foi um grande profeta e não foi nada crucificado, que disparate, Alá permitiria lá uma aberração dessas. Por outro lado, um católico não pode deixar de acreditar que Deus se revelou nas Escrituras e com Jesus Cristo e que a Revelação terminou aí. E que o Credo não tem lá pelo meio referências a verdades alternativas de outras religiões.

Também por ser tão claro e tão certo nestas questões eu admiro Ratzinger.

O resultado das primárias de ontem foi muito mau para Hillary - o bom, ou o necessário, para continuar a campanha com fulgor - seria uma vitória de dois dígitos no Indiana e perder por pouco na North Carolina (o que pareceu tão possível há poucos dias). E, para piorar o cenário, não vai ter tempo para se recuperar. Faltam poucas primárias, cujas vitórias deve dividir com Obama, e o DNC está com muita vontade que a corrida à nomeação se decida com rapidez, que há que ir atrás de John McCainn. Eu, por mim, tenho muitas dúvidas que Hillary desista antes de se verificar que é impossível ser a nomeada.

Clinton Vows to Fight On Despite Split Primary Result, NY Times

 

Toda a gente sabe que os vestidos-tendência dos designers considerados mais criativos nem sempre são muito abonatórios quando usados para aquilo que foram criados: vestir as mulheres. Os sites (e as páginas) das revistas de moda estão repletos de senhoras e meninas que perderam a cabeça e parecem um daqueles cestos de onde costumam subir as cobras em espiral ao som da flauta dos seus encantadores. Ainda se lembram dos pavorosos vestidos Balenciaga (mas muuuuuito originais, com uma espantooooosa reinvenção dos volumes) sem qualquer forma corporal - pelo menos de um corpo humano, já nem se pede um corpo feminino - que o Nicolás Ghesquières criou, com aqueles folhos duros e grossos que ficavam na horizontal na zona das ancas? Pois. (Se não se recordam, que sorte a vossa.)

Diz-me o Times Online que algumas senhoras ligadas à moda enlouqueceram e vestiram-se para o Costume Institute Gala em subserviência ao tema (Superheróis). Não foi certamente o momento sartorialista de que mais se vão orgulhar quando na velhice reflectirem sobre as suas escolhas, mas estou totalmente convencida que os designers que as vestiram se encantaram com a possibilidade de soltarem as rédeas (e espicaçarem um bocadinho com umas ondulações de chicote) à sua criatividade. É bom saber que estas senhoras gostam tanto de ajudar os outros.

(Amber Valletta e Anna Wintour)

O blogue de apoio a Pedro Passos Coelho, que é sem dúvida o candidato a líder do PSD da maioria da direita blogosférica. E com razão, que é o que defende ideias mais perto dessa direita blogosférica. Apesar de se envergonhar alguma coisa do seu sector ideológico, diz coisas certas e referscantes sobre o papel do Estado que mais ninguém diz na Direita (tirando os poucos da ala liberal do PP). Quer retirar o Estado das empresas onde ainda atormenta os portugueses, privatizar pelo menos o canal 1 da RTP, flexibilizar a legislação laboral (e, pelo que percebi da história do casamento dos homossexuais, não vê que o Estado deva meter-se na vida íntima das pessoas mas também não me parece vir com uma agenda fracturante que imponha a todos valores de uma pequena minoria). E da sondagem do Expresso/Sic, verifica-se que num cenário Sócrates-PPC, muitos votantes passam para os indecisos num espera para ver o que PPC oferece, mesmo dos que votariam em Sócrates nos outros dois cenários.

Também não há dúvida: o PSD tem dois bons candidatos à liderança. Apesar de eu pender para PPC, Manuela Ferreira Leite seria uma muito melhor PM que o senhor que por lá anda actualmente. Sim, é próxima ideologicamente de Sócrates, mas tem algumas nuances que são importantes (não vê o Estado tão controlador, considera que a Saúde e a Educação podem ser prestados pelos privados desde que regulados e fiscalizados pelo Estado). Ainda: não tem a agenda anti-católica de Sócrates e nem anti-PMEs. E longe de mim denegrir alguém por ser muito séria e muito competente - duas qualidades ab-so-lu-ta-men-te fundamentais num PM, como se percebe quando não existem. (Concordo inteiramente com Manuel Pinheiro.)

podem faze-lo aqui.

Desejo às Mães um Dia da Mãe cheio de beijos em bochechas apetecíveis (se as bochechas já cresceram, recomendam-se as maçãs de rosto salientes), de caras enfiadas em pescoços irresistíveis, de cócigas em barrigas suaves, de abraços muito apertados. Aos filhos desejo um dia repleto de mimos às Mães.

Os socialistas já no anterior período em que foram governo deixaram a factura das SCUTs para o futuro, quando estivesse outro partido a governar. Preparam-se para nova ronda de dar a factura a quem vem a seguir. As lições dos mentores nunca são totalmente desaproveitadas.

no Sol.

Ler o texto da M. Fátima Bonifácio no Atlântico:

por M. Fátima Bonifácio

Há mais de trinta anos, Mário Soares cometeu um dos feitos mais difíceis da História: travar a revolução, sem cair na reacção: os anos de 1974 a 1976 contêm o apogeu do seu génio político. É verdade que cometeu outras proezas. Mas há muito se tornara límpido que o “pai da Pátria” não tolerava ser expropriado do PS, uma criação da qual se achava o legítimo proprietário. O congresso “Portugal: Que Futuro?” foi o prenúncio do declínio que culminou no esquerdismo serôdio da sua candidatura presidencial.”

Declaração de interesses: não gosto de Mário Soares. Sem dúvida que foi central no pós-25 de Abril, mas isso aconteceu quando eu era um toddler. Do que me lembro da actuação de Soares, o fio condutor parece ser precisamente a promoção do seu poder e influência, agindo segundo o interesse pessoal e nunca segundo o interesse nacional (e menos ainda, mas desse eu quero lá saber, segundo o interesse do PS). As posições de Mário Soares nos últimos anos são absurdas e fazem-me desconfiar que ou o tal faro político de Soares é um mito muito distante da realidade ou que, de facto, a idade não perdoa. A melhor descrição do Dr. Soares que já li foi produzida por Cavaco Silva, num dos volumes da sua autobiografia política; de memória, dizia que Soares tinha um paradoxal gosto por pompa e pelo cerimonial para um socialista republicano.

(Discordo do texto da Fátima Bonifácio num ponto: na campanha presidencial de 2005/2006 não foi apenas o inner circle de Soares a considerar que a campanha seria ganhadora e poria Cavaco em grandes dificuldades. Lembro-me, por exemplo, de ouvir o Luís Osório dizer - com evidente satisfação - que Cavaco não conseguiria retirar um voto de esquerda a Soares; e vários elogios surreais foram emitidos na comunicação social por comentadores e jornalistas que eu até pensava terem alguma noção da realidade.)

Deixem-me revisitar este texto da Sargenor e levá-lo para maus caminhos. A mim poucas coisas me incomodam mais do que a hipocrisia ou (menos má mas de facto quase-quase tão má) a incapacidade de se assumir o que se é e o que se pensa. Claro que há assuntos que são indiferentes (ou perto) para cada um de nós e o melhor é não gastarmos energias nem alocarmos neurónios a pensarmos neles. Por exemplo, para mim, o hoquei em patins (que alguns me teimam em dizer que somos - ou fomos? - uma grande potência); não sei nada nem quero saber. E tantos outros assuntos. Não me interpretem mal: não é destes casos que quero escrever, muito diferentes daqueles (e que me interessam) em que as pessoas demonstram interesse, até paixão, revelam ter opiniões muito arregimentadas mas, depois, não gostam de ser conotadas com grupos com que partilham exactamente as mesmas opiniões. Isto por vezes é falta de honestidade, outras é desconforto em se associar a um grupo a que não se quer pertencer, apesar de terem tanto em comum.

Confesso que não tenho nenhum respeito por estes desconfortos, filhos tanto do preconceito como da falta de verdade que se aceita viver. Obviamente os argumentos são imensos e sempre em constante produção e mutação. O mais comum é: certas divisões não fazem sentido nenhum, estão ultrapassadas, a malta moderna rejeita-as. E, depois de as proferirem, os seus autores ainda se sentem na posição de olhar para os mais honestos com sobranceria.

Na política esta falta de verdade é comum. Ora vejamos, em sentido ascendente. Os novos projectos de partidos - MEP e MMS-Movimento Mérito e Sociedade - recusam definir-se de esquerda ou de direita e consideram a divisão obsoleta (isto apesar de o fundador do MEP defender política fiscal à esquerda do PCP). O PSD de Luís Filipe Menezes dizia-se de esquerda, mesmo nos dias em que defendia que ia desmantelar o Estado em seis meses; Manuela Ferreira Leite presume-se que não considere as categorias suficientemenete interessantes para se decidir por uma delas; Pedro Passos Coelho também já considerou a divisão esquerda/direita ultrapassada (o que lhe ficou um bocadinho mal), ao mesmo tempo que defende menos Estado na economia e se categoriza como liberal. Obama, o supremo político postiço, também se insinua centrista e capaz de congregar os “dois lados do corredor”, namora (com sucesso) os independentes centristas e, na realidade, tem o record de votações mais à esquerda do Senado.

Eu, com os meus modestos trinta e quatro anos, só tenho uma coisa a dizer a estas pessoas: ganhem juízo.

 

Há aquela imagem dos desenhos animados do diabinho e do anjinho sobre os ombros de um personagem.

 

O diabinho, sempre mais interessante e inteligente que o anjinho. O anjiho até um pouco patético e fora da realidade, balofo, intelectual e fisicamente.

 

O diabinho, esse sim, engraçado, desafiador, esperto…

 

O mal é de facto mais atraente, o bem mais maçador.

O mal é mais exigente, o bem mais conformista.

O mal é mais estimulante, o bem mas pacífico.

 

É pelo menos esta a imagem social de bem e mal.

 

Mas agora já crescida (ou mais crescida) pergunto-me se o bem pode ser atraente, exigente, estimulante, desafiador. Como quase sempre neste tipo de resposta, o resultado é: individualmente sim, socialmente não.

 

Que estranho esta recorrente resposta que em termos individuais me diz uma coisa, mas em termos sociais me diz outra. Isto espanta-me!

 

“Manuela discursou duas vezes, deu um beijinho aos notáveis e dois aos militantes das bases. Depois saiu, volante do seu próprio carro, uma station wagon BMW.”, diz Francisco Almeida Leite no DN.

Não sei qual a relevância que o pormenor dos beijinhos tem neste processo de directas no PSD (presumo que nenhum; faz lembrar os disparates que se escreveram durante a campanha para o referendo do aborto e da quantidade de beijinhos que se davam em cada lado), mas só mostra que MFL é bem educada; só um tonto (e mal-educado) se alinha totalmente por deixar pessoas que sabe darem dois beijinhos de cara pendurada. (Apesar de se ter que reconhecer que numa situação como estas é muito mais prático e rápido despachar toda a gente com um beijinho; os militantes de base também deviam ter consideração pela senhora.)

A problemática (e que promete ser tão feroz como tantas outras que envolva ambientalismo) questão das fraldas descartáveis foi abordada no Times.

Eu nunca experimentei - claro, mas claro que o meu filho usa fraldas descartáveis - mas parece-me que, do que a minha mãe e a minha sogra contam do processo de limpeza das fraldas de pano, o uso de detergentes, de água, de mais detergente e mais água e ainda uns adicionais detergentes e água (a água afinal já não é um recurso escasso?!) para ter fraldas de pano reutilizáveis limpas não deve ser muito mais ecológico de que o processo de tratamento do lixo constituido por fraldas descartáveis. Claro que uma boa solução é a produção de fraldas descartáveis biodegradáveis (as marcas existentes em Portugal não oferecem esta alternativa). Agora não usar de todo fraldas nos bebés (que, bem, tendo em conta a roupa do bebé, do berço, dos pais, dos tapetes onde se senta, etc., etc., que se sujaria com esta opção e que necessitaria de uma vigorosa lavagem e consequente água e detergentes usados, também não me parece muito ecológica, mas isto sou eu…) só de cabeças hippies pouco amigas da higiene.

Vexing Issue for the Clinton Campaign: What to Make of Bill? , no NY Times.

Será Bill, para Hillary, friend or foe? Eu - ao invés de alguma feministas que o acusam de estar consciente ou inconscientemente a boicotar a campanha da mulher - acredito que o papel de Bill tem sido benéfico. Tem sido o rosto de algumas polémicas que desagradaram a partes do eleitorado, mas não me parece que isto seja só a falta de vontade de se acomodar ao espartilho em que os candidatos se colocam sempre que falam. Bill tem dito algumas verdades, e mesmo as que na altura foram mal vistas têm feito o seu caminho. Por exemplo os comentários sobre a questão racial antes da primária de South Carolina. De início foram repudiados, mas agora, depois da questão do Rev. Wright, verifica-se que não eram descabidos e muitos eleitores democratas não confiam inteiramente que Obama não tenha uma questão racial não assumida.

E, a propósito do Rev. Wright, será que o senhor ainda não percebeu que deveria ficar caladinho até Novembro? Isto se quiser ajudar o seu paroquiano.

As Minister Repeats Comments, Obama Tries to Quiet Fray, no Washington Post.

Em bom rigor, ninguém pode manifestar-se surpreendido com o rumo das políticas governamentais - e menos ainda como elas são apresentadas, em cerimónias de propaganda que quase fazem lembrar os parteitags de Nuremberga (mas com uns mimos tecnológicos a mais, tipo fundos com imagens em tempo real da “monstruosa” realidade que se quer alterar), em que nos é dito que aquilo que é ali anunciado é, não só absolutamente indispensável para o desenvolvimento sustentado e justo do país, como será o garante da construção de Shangri-La neste nosso território.

Agora anuncia-se a construção de túneis e afins em Alcântara (no mesmo local, mais metro menos metro, onde o último túnel levou mais dez anos a terminar do que se previu). Nem vou aqui referir a desnecessidade de se gastar dinheiro em obras públicas faraónicas - para este assunto haverá certamente outros materiais. Mas tem de se reconhecer: este governo não tem ideazinha nenhuma para o desenvolvimento do país que não passe por obras públicas. Aquela política em que confiou Cavaco, numa época em que se demorava um dia para chegar a Bragança, exactamente a mesma que os alegres defensores deste governo vilipendiam como a prova de que Cavaco era uma fraude, porque não tornou Portugal um país produtor em exclusivo de tecnologia de ponta, quem sabe inventando mecanismos para teletransportar pessoas e bens para Bragança. Mas as necessidades básicas de infraestruturas já foram supridas; agora só restam obras para afagar egos de governantes sem ideias inovadoras.

E, se alguém me conseguir ajudar, que bloqueamento económico é criado pela passagem de uns comboios de contentores em Alcântara? Será alguma questão de feng shui? As energias daqueles espaço são quebradas pelos contentores? Não se resolvia o problema contratando um ou dois esotéricos para irem lá proferir uns mantras? (Isto sem ofensa para os interessados pelo esoterismo, claro, que legitimamente podem ofender-se por serem associados ao Governo.)

 

Embora repetindo o tema, aqui vai.

 

Antes o dia da mãe era um dia fixo, hoje, é um domingo móvel.

 

Antes no dia da mãe os filhos “homenageavam” as mães.

 

Hoje acho que são as mães que por vezes precisam de um dia para se lembrarem que têm filho(s) e de terem tempo para eles, de serem mães. Talvez por isso um domingo.

 

Para as mulheres, as solicitações são muito variadas, e para os homens também. Mas temos de concordar que na nossa cabeça quando se fala de mãe ou de pai o tipo de relação/exigência não é o mesmo, embora devesse ser.

 

Vamos ao que interessa: mães – tirem este dia para os vossos filhos!

 

Muito bom texto do JCN sobre a alta do preço dos bens alimentares, com lucidez e sem alarmismos.

“O fantasma da Fome Global

(…)

Muito mais importantes são as duas forças decisivas: o mercado e a lei. A razão principal desta situação é algo excelente: o recente desenvolvimento das regiões pobres aumentou a procura de alimentos. Isso significa que a fome está a descer, não a subir.

Curiosamente, agora que os preços alimentares estão altos, os activistas protestam em nome dos pobres consumidores, enquanto antes, quando estavam baixos, protestavam em nome dos pobres produtores. Como sempre, a subida de preços criará a correcção de mercado. Novos investimentos nesses sectores, desencorajados nos anos de preços baixos, tenderão a prazo a reduzir a carestia.

Se a política o deixar, claro. Os mercados agrícolas e alimentares são dos mais espartilhados e regulamentados. Os governos, convencidos que apoiam e promovem, criam enormes bloqueios e distorções, de que a política agrícola europeia é um exemplo terrível. As negociações globais de liberalização da Organização Mundial do Comércio estão moribundas sobretudo por causa do dossiê agrícola. Às pressões rurais juntaram-se agora as ambientais, com a opção pelo biodiesel a justificar novas manipulações.

Desde o tempo de Malthus que as boas intenções políticas, impedindo importações e manipulando preços, geram episódios de escassez.

A melhor solução para a carestia seria a liberalização.

Mas como a comida apaixona o mundo, não há grandes esperanças.”

Leiam, se faz favor:

“Ask any man when he last phoned his mother, and he will pull a guilty face. Ask him when he last talked about her to his friends and he will look at you as if you are insane. Why is the mother-son relationship so complicated? To find out, our correspondent asked someone who should know – his mum

Men are more likely to confess to a predilection for pornography than admit to a close relationship with their mother. There isn’t much left that the modern man is made to feel ashamed of, yet confessing to your friends that you sometimes call your mum for a chat is something few do. Even though a man’s mother is likely to be the second most important woman in his life, even though he may have deep feelings of love for her, this is a relationship about which men are sheepish, secretive and often outright embarrassed.

Why are men ashamed to be seen being kind to their mothers? Cultural pressure is a factor. On film or television, if you see a man talking to his mother, or (heaven forbid) listening to her advice, you are probably watching a comedy, and the conversation will be the screenwriter’s way of letting you know this is the kind of guy you can push around. But is there something more complicated at work here? And how do mothers feel about their sons’ reticence? There is only one person to ask: my mother. “

William Sutcliffe no Times.

Há pessoas que mentem. Há pessoas que dizem mentiras. Não é a mesma coisa.

 

As pessoas que mentem, mentem com a vida, as pessoas que dizem mentiras mentem com a boca.

 

Para mim é claríssima esta difrença. Os que mentem com a boca ou com a vida.

 

Porque uma coisa é exagerar numa história ou mesmo contar algo que não aconteceu. É sempre desagradável para quem ouve e consegue ver a falta de verdade.

 

Mas pior, pior, é mentir com a vida. É acreditar numa coisa e fazer outra. É no silêncio de si próprio não estar contente com a sua própria verdade. E ver que não se vai por onde se gostaria de ir. E para os outros, dar conta desta falta de verdade é, quase sempre uma desilusão, porque aquela pessoa fez-nos acreditar que era alguém que no fundo não era.

 

Só que agora, preferimos lanças armas contra quem diz mentiras e não quem vive na mentira. É pena… e superficial.

 

Por definição a mentira é um engano propositado ou uma ilusão. É essa a diferença (nada melhor que consultar um dicionário): mentir com a boca é um engano propositado, mentir com a vida é uma ilusão.

a propósito da fotografia aqui de baixo: um dos grandes desgostos da minha vida foi nunca ter usado um destes tutus, apesar de uns valentes anos no ballet. Mas as minhas professoras, que de certeza nunca ouviram falar em deixar as crianças e os adolescentes cumprirem os seus sonhos, impunham nos primeiros anos o uso daquelas saias evasé sem roda (e sem piada) em rosa ou em azul e, nos anos seguintes, apenas o uso de maillot. Eram todas, sem dúvida, aparentadas com o Vasco Granja. Umas exterminadoras das fantasias da crianças, era o que eram.

(fotografia de Richard Chalmes)

Com os devidos agradecimentos ao André Azevedo Alves - once again!

(E agora, farmacêuticos mandriões, toca a postar!)

Não estou no grupo das pessoas que considera Alberto João Jardim um tonto, um palhaço, um proto-ditador. Jardim terá muitos defeitos - entre os quais um estilo truculento em certas ocasiões insuportável (às vezes até acerta com as suas diatribes; no caso do “bando de loucos” que seria a oposição do parlamento regional, depois de ver na televisão umas cenas do mencionado parlamento, há uns dias, fiquei muito tentada a concordar com AJJ) - e pode ter beneficiado de umas boas transferências de fundos do vilipendiado continente; mas vê-se o resultado desses fundos e a Madeira não tem estado definitivamente parada no tempo. Além disso, o estilo truculento de Jardim é filho da ilha; os madeirenses são bairristas e orgulhosos; já ouvi muitos rumores de produtos de grande consumo que tiveram didficuldades nas vendas na Madeira depois de retirarem o fornecimento a uma empresa da ilha e o efectuarem a partir de Lisboa, com direito a cenas cómicas de guerra de desinformação ou de retaliações em supermercados com a retirada das prateleiras dos produtos traidores. No entanto, se Jardim pode ser adequado para a Madeira, ninguém com o juízo perfeito o pode considerar como uma alternativa para líder do PSD nacional. Claro que esta candidatura ou ameaça de candidatura são só para a reinação.

Os designers de sapatos e carteiras têm aplicado o seu talento a criar os ditos sapatos e carteiras em pele de cobra. A tendência tem já algumas estações, mes neste Spring-Summer a pele de cobra está em todas as colecções sem saltar nenhuma, nas mais variadas cores (algumas das vezes em tons absolutamente divinos e em combinações deliciosas) e nos mais distintos locais das peças (um vivozinho nas clutches, uma argola do fecho de uma hobbo, a pega de uma wristlet, por aí adiante, em locais traiçoeiros). Ora padecendo eu de uma vincada fobia anti-cobras, já me sucedeu nestes últimos meses, em algumas ocasiões, pegar em carteiras lindas, de repente perceber que estava a tocar em escassos centímetros de pele de cobra (dos produtos ostensivos eu fujo, claro) e largar as peças como se de um réptil vivo se tratasse, para estupefacção de empregados das lojas onde isto se passa e respectivos clientes. Para que estas más figuras da minha parte não continuem a ocorrer com frequência preocupante e para que eu não corra o risco de começar a ser barrada em algumas lojas que aprecio, por uma vez peço aos humanos: deixem as cobras em paz. (O meu apelo costumava ser: exterminem-nas; quero lá saber de ecossistemas que envolvam estas repelentes criaturas rastejantes.)

Os outros candidatos nas directas do PSD não merecem posts, mas como eu sou boa rapariga, aqui vão algumas linhas.

De Neto da Silva nada sei dizer, não faço ideia quem seja, o que representa e o que propõe - se alguma coisinha. Por mim está tudo dito quanto à pertinência da candidatura.

Patinha Antão é um bocadinho mais conhecido, presume-se santanista (não apoiando Santana), tem daqueles discursos palavrosos em que nada é dito (o Prós e Contras da RTP foi um momento estílisto revelador) e claro que a candidatura não vai a lado nenhum.

Santana Lopes está a tentar acertar as contas com o passado. Até se percebe: PSL tem muito de quem se queixar (além de si próprio e da sua impreparada e incomeptente actuação como PM): recebeu o partido em circunstâncias que não desejaria, sofreu da comunicação uma oposição vergonhosa (a avaliar-se pelo que foi publicado; se os jornalistas sabem mais e não contam, como o editorial de 6ª feira de José Manuel Fernandes parece indiciar, paciência, contassem, que eu avalio por aquilo que sei a actuação da comunicação social); aturou um PR que entendeu por bem dissolver um parlamento com uma maioria absoluta dando a justificação muito fundamentada de existência de “trapalhadas” (e isto do mesmo PR que conviveu alegremente com Guterres e com uma experiência governativa que consistiu em dar dinheiro que não tinha a rodos, que nos ofereceu ex-ministros a contarem rancores na praça pública, que se afundou no pântano e de onde o PR o quis retirar e recolocar no governo da nação; enfim, o pior PR eleito que tivémos). O problema de PSL é que não interessa a ninguém que tenha motivos de queixa e que se queira desforrar. A todas as outras pessoas interessam os nossos próprios probleminhas e, nos que um governo pode ajudar a resolver, é ponto assente nos eleitores que PSL não é uma boa ideia para providenciar essa ajuda. Além disto, como neste caso, um partido político deve ser usado para servir o interesse nacional e não para afagar os egos dos seus (ex-)dirigentes e proporcionar-lhes as suas desforrazinhas privadas.

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, acusou hoje a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) de estar a “perverter” o seu funcionamento ao distribuir “objectivos quantificados” que cada inspector deve cumprir. Segundo Paulo Portas, o CDS-PP teve acesso a um “documento oficial da ASAE distribuído dentro da Direcção Regional do Norte” daquela entidade, no qual estão quantificados os objectivos anuais para cada inspector.De acordo com o documento, precisou Paulo Portas, cada inspector daquela direcção da ASAE “tem que detectar 124 infracções, levantar 61 processos de contra-ordenação, que vão terminar em coimas, abrir oito processos-crime e fechar ou suspender o funcionamento de pelo menos seis estabelecimentos”. “E até têm de, por instrução central, fazer, pelo menos, duas detenções de pessoas”, frisou.”

 

No Público.

Mas, bem, sempre foi óbvio que a ASAE nada tinha a ver com a fiscalização de condições de higiene e segurança dos produtos comercializados, antes que se destinava a ser um organismo de extorção legal, pautando a sua acção pelo extremo máximo que a lei permite e desproporcionado relativamente às supostas infracções, que nada de bom traz aos consumidores nem à Economia e resulta apenas em dificultar a actividade das empresas (tantas vezes em situações agindo de forma a preservar a segurança e a higiene do que comercializam e não cumprindo a interminável burocracia) e em encaixar receitas.

O único futuro decente para a ASAE é ser desmatelada.

Mitos e Lendas saídos do 25 de Abril (II), PMF

Mas, quem sabe, aprendemos a lidar com a frustação naqueles momentos em que esperávamos ver o Tom & Jerry e, em vez disso, nos brindavam com uns “desenhos animados” em cor sépia - como se sabe, da preferência das crianças - de bonecos de plasticina que adquiriam várias formas ou com filhos estílisticos do realismo socialista. Sem dúvida: a RTP ou nos traumatizou ou nos preparou para o mais impensável nesta vida.

 Este desenfreamento político/PSD tem me trazido esta pergunta: o que é que eles precisam de provar?

 

Cada um precisa, à sua maneira, de provar a sua eficência, a sua capacidade intelectual, a sua bondade…

 

E a quem é preciso provar, aos outros ou a nós próprios? Tanto num caso como noutro parece-me uma prova difícil, porque nem sabemos os que os outros esperam de nós, nem o que queremos provar.

 

Acho que entramos com facilidade em competição, independentemente dos critérios/objectivos dessa competição.

 

Agora uma pequena interrupção.

 

E se não fosse preciso provar nada nem aos outros nem a nós? O que nos motivaria e moveria? Que metas queríamos?

 

Porque vivemos com metas de outros, com expectativas de outros, com uma competição cujo prémio não nos consola.

 

Quando consigo dizer “não preciso de provar nada”, ganho uma liberdade que gostaria de ver alargar a tantos que se prender nesta necessidade de se provarem.

E um pequeno reparo final. Provar é estabelecer a verdade, é para isso que servem as provas, mas se calhar não é para isso que as usamos, ou talvez as usemos numa verdade fantasiada e pouco verdadeira.

Está mais alguém na farmácia?! Estão todos de férias nestas semanas curtinhas e não me disseram nada?! Deixaram-me aqui para atender todos os clientes e à mercê de qualquer mal-intencionado que cá entre e queira surripiar umas coisas das prateleiras das para-farmácias?! Já nem tenho a companhia da Sargenor (que ontem almoçou comigo, portanto não está de férias em local exótico e inacessível) nem da Valdispert para ir à casa de banho?!

Depois queixem-se se eu não dividir os lucros da farmácia….

Tenho tido alguma dificuldade em ouvir e ler na totalidade as várias entrevistas recentes a Pedro Passos Coelho - parece uma maldição que sofri há uns bons anos e que se abatia sobre mim sempre que tentava ver um filme (pela primeira vez) do James Stewart que passasse numa das nossas estações de televisão; uma vez deixei a gravar o Mr Smith Goes to Washington e a cassete acabou quando o above mentioned Mr Smith desmaiou no chão do Senado, no meio do maior negrume e desânimo; outra vez programei o video para gravar o Rear Window; claro que o filme começou uma hora depois do previsto e eu vi os primeiros três quartos do filme. Mas se o PPC valer tanto a espera como o Jimmy Stewart, bem, temos homem, temos PM, temos PR, vamos já começar a esboçar perfis de PPC para cunhar nos nossos euros.

Dos fragmentos que ouvi e li, as ideias de PPC são uma refrescante surpresa. Tem um descomplexado discurso liberal e de centro-direita. Ataca as vacas sagradas do estatismo português como a CGD (que tem a incomensurável vantagem de permitir ao Estado, através dela, estar presente em sectores tão fundamentais para a soberania nacional como os sumos e o turismo), não defende um estado tentacular e que consome recursos enquanto asfixia a iniciativa privada, é articulado, agradável, sabe o que quer e o que tem para transmitir, tem muito boa imagem, vive para além da política, é apelativo a uma nova geração que não se revê nas várias variantes socializantes que nos têm governado nas últimas décadas (sendo que o país e o mundo não são os mesmos de há dez anos, pelo que a social-democracia e o socialismo eram mais compreensíveis então do que agora).

Fico a aguardar mais detalhes, mas até agora a candidatura de PPC traz novas ideias - é provável que seja a única - e um projecto diferente para o PSD. É uma gigantesca mais-valia nestas directas. Vai permitir uma escolha entre ideias e não apenas uma escolha entre pessoas (e personalidades, curricula, realizações, estilo de liderança, tec., tudo coisas muito importantes, sem dúvida, mas é conveniente uma boa embalagem conter um equivalente conteúdo). Juntamente com a candidatura de MFL, a de PPC torna este processo de directas interessante, clarificador e, quiçá, quiçá, regenerador.

Aproveito para me demarcar de todas as comparações que foram feitas entre PPC e Obama (que, incrivelmente, se pretendiam elogiosas, onde é que as pessoas estão com a cabeça). É uma grande injustiça comparar PPC a alguém tão postiço como Obama. E PPC é consideravelmente mais bonito.

Amanhã ou depois tentarei produzir alguns parágrafos sobre os restantes candidatos, o quase candidato e o que eu gostaria que fosse candidato.

O PR, do Intromissões, perguntava-me ontem o que penso eu de Manuela Ferreira Leite e obviamente é absolutamente essencial escrevinhar aqui algumas linhas sobre os candidatos nas directas do PSD.

Manuela Ferreira Leite foi uma boa Ministra das Finanças - de um governo que tinha ministras em pastas duras e para gente grande e resiliente, não como os governos socialistas que têm sempre um par de mulheres decorativas (apesar de as aparências parecerem desdizer isto….) em pastas como a Saúde, a Educação, a Cultura, a Igualdade (!!!), a Segurança Social, aquelas áreas assintenciais e levezinhas que as mulheres, para os socialistas, conseguem aguentar - apesar da subida do Iva de 17% para 19% (que foi um erro). Conseguiu conter défices em anos muito complicados, recorrendo a receitas extraordinárias que tiveram o mérito de não onerar tanto os contribuintes como as posteriores subidas de impostos, taxas e taxinhas que caracterizam a corrente legislatura. É sem dúvida uma pessoa séria, determinada (durante o Governo Barroso teve os sociais-democratas muito descontentes com as suas contenções orçamentais e, no entanto, nenhuma contestação organizada ou sonora existiu) e de reconhecido mérito e prestígio.  Tem a sua corte de admiradores, sem dúvida nenhuma, como se comprova pela leitura de alguns blogues e por conversas avulsas que vou tendo com amigos (e marido, dos mais fieis). Contudo há algumas reservas da minha parte. Não sei exactamente que ideia tem ela para Portugal ou - questão central por estes dias - o mesmo é dizer que ideia tem para o papel do Estado na economia, na saúde, na educação e em mais meia dúzia de sectores e, se não for pedir muito, que ideia tem para começarmos a ter um sistema judicial em Portugal (o actual é só a brincar, como se comprova diariamente). Também: tenho algumas reservas sobre a capacidade de mobilização de MFL (mas se calhar estou errada, dada a dita corte de admiradores). Em todo o caso, é infinitamente melhor como líder do PSD e da oposição do que LFM ou Marques Mendes. Com as propostas políticas certas pode ser mesmo a ideal para dar uma valente sova a Sócrates em 2009. E tem a vantagem de ser mulher; a agressividade natural no animal feroz (e mal-educado) Sócrates fará muitos estragos (no próprio) se dirigido a uma senhora.

(Bem, há outro senão: aquele slogan do PSD “XXXXX, amigo, o povo está contigo” não rima com “Manuela, amiga, o povo está contigo”. Problema de difícil resolução…)

(E, já agora, leiam a opinião do PR).

Aqui vai uma entrevista muito interessante do Nuno Crato ao Público sobre o ensino da Matemática e os benefícios seu estudo. Eu - que sou uma maluquinha da Matemática, que considero que a Matemática é um verdadeiro manual para pensar (e não só: há uns tempos, numa conversa com uma professora de Português do colégio que fica ano sim, ano sim no topo das classificações dos exames de Matemática do 12º ano, dizia ela que os alunos com melhores notas a Matemática escreviam melhor do que os restantes, lá se vai o mito de que ou se é habilidoso para as letras ou para os números - repararam no duplo “ou” exclusivo?) - não podia deixar de a reproduzir aqui. Interessante sobretudo a defesa dos automatismos e do estímulo à memória; concordo em absoluto, apesar de só ter aprendido a fazer divisões por números de dois ou mais algarismos lá para o 8º ano, quando aprendi a (e percebi a lógica de) dividir polinómios (até aí enganava os professores decompondo os números de vários algarismos em multiplicações de números de um só algarismo: se queria dividir por 72, por exemplo, dividia por 2, depois por 6 e novamente por 6). Aprecio muito a compreensão e o racciocínio em Matemática porque me levavam a qualquer lado - mas claro que isto foi depois de ter decorado a tabuada (e a memória também não é nada má, felizmente).
(more…)

o que envolve a Felícia Cabrita e o Ministério Público. Será mesmo possível que duas jornalistas sejam acusadas por escreverem criticamente sobre uma investigação criminal e por citarem a desconfiança na investigação de um dos investigados? Não li o livro (nem o despacho de acusação), mas será crime questionar as instituições que funcionam reconhecidamente mal?

Quando anunciaram, há três anos, que o próximo Papa seria Joseph Ratzinger, não tentei sequer esconder o meu desagrado, proferindo frases pouco próprias para serem aqui reproduzidas (ainda assim não cheguei ao ponto de soltar um sonoro m****, como sucedeu com um certo sacerdote). A minha opinião foi entretanto sendo suavizada. Ratzinger fora o coordenador desse documento notável que é A Intrepretação da Bíblia na Igreja, de 1995, onde é perceptível uma enorme inteligência, uma desconcertante abertura para a liberdade da investigação científica (que é querida e acarinhada), um gosto por se responder a questões (aparentemente) difíceis da Bíblia. Enfim, quem coordena aquele documento não é nenhum tonto, por muito conservador que seja. De seguida, a primeira encíclica de Bento XVI centrou o seu pontificado no que é mais importante, de facto no que é fundamental e criador, no cristianismo. Acresce a tudo isto Bento XVI ser saudavelmente pouco mariano quando comparado com o antecessor.

Agora, com a viagem aos Estados Unidos e a forma como Bento XVI tem enfrentado os escândalos sexuais que enfraqueceram a Igreja norte-americana, informo que o considero muito corajoso.

No próximo sábado, entre as 11.30 e as 17 horas, vai haver no Colégio São João de Brito (Estrada da Torre, 28, Lumiar) uma recolha de sangue para o Banco de Dadores de Medula Óssea.

Qualquer pessoa com mais de 18 anos, menos de 45 e com mais de 50 kg pode tornar-se dador de Medula Óssea.

É um procedimento simples, implica apenas, nesta fase inicial, tirar um pouco de sangue (semelhante a uma análise simples) e demora cerca de 15 minutos.

Mesmo que se seja chamado para dar medula, o procedimento é pouco invasivo e pode implicar, também, apenas dar sangue.
 
Divulguem sff, sobretudo os amigos de Lisboa.

Ainda sobre a viagem de Bento XVI aos Estados Unidos e o escândalo da pedofília, ler

Pope Celebrates Mass With Message of Hope, no NYT.

Sobre as escolhas sartoriais de Bento XVI, podem dirigir-se ao Washington Post:

Pope Couture, Vintage Vestments: The Philosophical Threads Woven Into Papal Garments.

Não sei se foi no mês passado se foi no anterior que li uma peça na Vogue, escrita por uma menina que sabia muito bem manejar o teclado (cujo nome agora não recordo; em casa acrescento-o), sobre uma experiência da própria em Itália. A autora havia viajado para Itália aos vinte e poucos anos, conhecido um italiano, namorado com esse italiano e ponderado ficar em Itália permanentemente, casando com o dito namorado. A decisão vai ser de não casar e regressar aos Estados Unidos. Vários factores pesaram nessa decisão. Ela era filha de um pai rico mas ausente e de uma mãe artista; ele pertencia a uma rica e aristocrática família florentina, com os seus rituais peculiares, católicos, num círculo social onde esperar que as senhoras se sentem e beijar a mão às senhoras casadas são normas básicas de boa educação e quem não as segue é um selvagem. As ideias e os valores de família eram claramente diferentes (more of which later). Algum snobismo da família italiana incomodava a autora. Entre os vinte e cinco e os trinta anos a autora considerava que não devia casar porque ainda não se conhecia a si própria (esta razão é muito reveladora, desde logo de imaturidade; não que eu não aprecie o auto-conhecimento, pelo contrário, acho-me um assunto fascinante, eh, eh, eh, e sou uma admiradora incondicional do Eneagrama, mas não concebo que uma pessoa apaixonada e casada não se consiga conhecer a si própria - claro que a paixão e o amor causam distorções no nosso comportamento, tanto para melhor como para pior, mas só causam as distorções que a nossa personalidade permite). Havia indícios de sangue fraco, resultante de séculos de casamentos entre as mesmas famílias, em crianças aparentadas com o namorado. Contudo, a razão para não casar dada pela autora que mais me chocou (desde logo por ser ter sido uma razão) foi o tempo que demora um divórcio em Itália (três anos).

Não sei se se referia a divórcio litigioso - e nesse caso tivémos até agora uma legislação semelhante - se a divórcio por mútuo acordo. Nem interessa. O que é relevante é o facto de a facilidade ou dificuldade de obter um divórcio pesar na decisão de qualquer pessoa casar - decisão que, não obstante o facto de se poder assumir como erro no futuro e, logo, dissolver-se através de um divórcio, implica (ou deveria) uma vontade de permanência, vontade essa muito benéfica para a constutuição de família. Claro que quem pondera no divórcio enquanto pensa em casar faz muito bem em nunca casar. Mas que seja normal argumentação deste género, com destaque para esta frase no meio do texto e tudo, é revelador dos valores que uma sociedade não deve ter. A liberdade não é equivalente a irresponsabilidade, a egoísmo ou a recusa de deveres - e menos ainda quando o uso da nossa liberdade tem consequências tão significativas em outros, por exemplo nos filhos.

Contudo foi neste sentido que se legislou em Portugal por estes dias.

Sou eu que sou picuinhas ou escrever este texto revela que não se quer perceber?

Quanto ao choque e à revolta pelos casos de pedofilia nos Estados Unidos e consequente protecção de padres pedófilos pela hierarquia norte-americana claro que não questiono as palavras do CAA.

Mas no resto… Bem, em primeiro lugar, é bom verificar que CAA se juga na posição de definir quem é liberal ou não - significativo… que isto do liberalismo é como no comunismo, não pode haver variantes (perdão, traições ao movimento operário), temos todos que ter as opiniões iguaizinhas, ou corremos o risco do grande timoneiro publicamente denunciar a nossa blasfémia e - sempre que possível - enviarmo-nos para um saudável e arejado campo de reeducação onde aprendamos a repetir sem cessar que a religião é o ópio do povo (o que, de momento, está em alta).

Em segundo lugar, a Igreja norte-americana pagou indemnizações mais que devidas às vítimas de pedofilia. Comparar isso a vender indulgências é uma grosseira má-fé.

Em terceiro lugar, claro que é um escândalo Bento XVI não ir a Boston. Devia ir, pois sim, e levantar os seus paramento e deixar-se açoitar por todas as vítimas (que se calhar nem querem ser identificadas, mas o bem maior a isso obriga) de pedofilia em público. Isso e apenas isso faria sarar os traumas das vítimas e só assim se alcançaria justiça. Agora pagarem 400 milhóes de dólares aos abusados, onde é que já se viu… E, numa tentativa patética de impedir que a vergonha se repetisse, dificultar o acesso de homossexuais ao sacerdócio - que disparate!

O acordo ortográfico é um assunto daqueles que eu não sei o que pensar. Oiço os pró e vejo benefícios; escuto os contra e penso que estão cheios de razão. Entendo que a diversificação entre o português de Portugal e o do Brasil possa levar a que a lígua deixe de ser uma apenas e que isso trará sobretudo prejuízos para o “nosso” português, pela simples força dos números “deles”. Não entendo como um acordo ortográfico, ou este acordo ortográfico (que muda apenas a ortografia em casos de letras mudas e não harmoniza as situações em que uma letra é muda em apenas um dos  lados do Atlântico, por exemplo), vai prevenir tal catástrofe. 

E um por cento das palavras?! É um excesso. E, pior, o critério passa para somente fonético, abandonando a lógica na construção de uma palavra. Eu sei que os ingleses têm as mais variadas fonéticas para a mesma grafia e isso não os sobressalta (faz-me lembrar um poema que me deram no British para aprender a pronúncia de moth versus a fonética de both - era both?), mas eu gostava deste rigor no Português, o de ter regras menos anárquicas.

No fundo, o que me incomoda é não entender porquê. Que fim tão nobre, tão importante, tão indispensável será alcançado com o acordo para que eu deixe agora, aos trinta e tal anos, de saber escrever português. Para que eu deixe de sentir esta língua como minha. Para que o meu filho, que apanhará a mudança em plena primária, seja sujeito a ortografias cambiantes. Para que eu passe a vergonha de, perante o meu filho, não saber a ortografia de “úmido” e outros que tais. Mas pode ser que, tal como no dito poema, o meu filho possa dizer deste portugês pós-moderno “I mastered it when I was five“. E me ensine.

Francisco Almeida Leite do Corta-Fitas é da mesmo opinião - quanto ao bife, não quanto à hedionda ASAE - do Borostyrol.