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Apresentamo-vos mais alguém que vem aqui atender os fregueses da farmácia, amigo aqui da casa de longa data e presença veterana na blogosfera: o André A. Correia.

Obrigados e voltem sempre.

A ler

Um excelente post de Pedro Correia, versando a vergonhosa, vergonhosa, vergonhosa versão do Avante!-barra-PCP da queda do muro de Berlim (como o Pedro Correia também lembra, não graças ao efeito da gravidade).

Estive em Berlin em 2005. Não notei os contrastes entre a parte RDA e a parte RFA que, quem lá esteve pouco depois de 1989, me contava serem gritantes. Havia, na antiga zona comunista, ainda prédios de habitação tristonhos e feios e todos (quase) iguais - diferentes dos elegantes prédios aristocráticos que rodeavam o Tiergarten na parte livre – e vários edifícios da administração pública ‘democrática’ – recordo-me da minha confusão de criança com este nome de República Democrática Alemã, que o meu pai me explicava ser, paradoxalmente, a parte não-democrática da Alemanha; não sabia, então, que um dos instrumentos da guerra cultural da política é dotar de um nome agradável uma coisa em tudo diferente da realidade associada a esse nome – no estilo arquitectónico monolítico que a União Soviética ofereceu ao mundo. Que são actualmente uma mais-valia para a cidade, que, juntando à arquitectura mais clássica da zona RFA, às várias construções barrocas da área, exemplares Bauhaus e aos novos edifícios de arquitectura moderna (e a arquitecura moderna na Alemanha é, para mim, do melhor que se faz no mundo), se torna um museu de arquitectura.

Alguns pormenores contrastavam com outra cidade alemã que conheço bem: Frankfurt. Em Berlim não se viam os muitos imigrantes (sobretudo turcos, mas também portugueses ou até italianos) que são atraídos por Frankfurt. As empregadas de limpeza dos hoteis er am alemãs, em vez de imigrantes com turbantes dos sikhs (neste caso uma boa mudança, já que têm uma aparência bem mais asseadinha). Berlim, como todas as cidades da Europa central que se prezam, tem boas casas de música clássica e de Ópera; no entanto quem as frequenta (e lhes dá uso assíduo, como todos os habitantes da Europa central que se prezam e têm estas boas casas nas suas cercanias) está geralmente vestido com roupas fora de moda e gastas, ao contrário das multidões mais elegantes que se vêem nas boas casas de música e Ópera (sobretudo Ópera) de Frankfurt. Já lá havia as habituais lojas de marcas de luxo obrigatórias numa capital europeia, mas mais pequenas e posteriores às de Frankfurt. Enfim, pormenores de uma prosperidade q.b., quando comparada com a prosperidade fulgurante, evidente, até ostensiva de Frankfurt.

Sim, o espectro do comunismo ainda se fazia sentir em Berlim. Mas cada ano mais ténue.

adam´s rib

A guerra dos sexos no seu auge. (Fora do cinema a guerra dos sexos faz tanto sentido como a luta de classes. Nenhum. Até porque as mulheres inteligentes – e, claro, incluem-se aqui as sucedâneas da Lorelai Lee – ganham sempre.)

Não sei onde está o dvd de The Philadelphia Story, que tem porventura o trio de actores mais formidavel de sempre.

philadelphia story

poirot

Manias

Se há coisa que não entendo é esta mania das pessoas escreverem sobre o que não sabem.

Vamos por partes:

1. O casamento religioso não se chama matrimónio (por oposição a casamento, que seria civil), mas sim casamento. Foi o Estado que foi buscar o casamento à Igreja (e esta à natureza humana, com a sua propensão para se agrupar e constituir família) e não o contrário.

2. O objectivo do casamento católico não é apenas a procriação; estão lá também a expressão do amor, a comunhão de vida e mais umas coisas bonitas.

3. A Igreja – como, de resto, qualquer organização – deve expressar a sua opinião sobre aquilo que entender pertinente. E é muito estalinista pretender o contrário.

4. O casamento civil não só é reconhecido (entre pessoas não baptizadas é tão vinculativo, para a Igreja, como um casamento religioso de um católico) como é necessário para o casamento religioso.

5. O local próprio para a Igreja defender os seus pontos de vista é onde a Igreja entender, desde que não viole a lei.

6. É crente e membro clero quem quer, pelo que, sendo-o, aceita as condições prévias. Um bocadinho diferentes são as leis do país, a seguir por todos, crentes ou não, com concordância ou não.

Emma

emma

O Andrew Davies falhou na adaptação do Sense and Sensibility, e, acreditando no que leio nesta crítica à nova adaptação da BBC de Emma, continua nos mesmos (maus) caminhos. Se não se quer Jane Austen, adapte-se outra coisa qualquer, por exemplo William Makepeace Thakeray que é mais picante. Actualizar Jane Austen não tem sentido (não se ganha em colocar temas numa história de Jane Austen que a própria decidiu excluir dos seus romances, sejam a sexualidade explícita, as guerras napoleónicas, a escravatura ou outro qualquer assunto que hoje consideremos, pelos vistos, mais fascinantes que as relações familiares, as limitações sociais e económicas das mulheres, os efeitos da pobreza – ainda que relativa – nas gentlewomen, os casamentos por amor ou por dinheiro, o excesso de filhos nos casamentos pobres, a ganância e mais uns quantos) e melhorar Jane Austen é impossível. Nonetheless, Andrew Davies acertou na adaptação do Pride and Prejudice de 1995 (pelo que terá a minha eterna gratidão e um quinhão aceitável de palavras simpáticas neste blogue) e esteve muito bem na adaptação de Northanger Abbey. O resultado inevitável é que vou encomendar esta nova adaptação de Emma. Depois vos direi.

(Uma nota: Emma foi dedicado, a pedido do próprio, a George IV, o vilão do filme aqui de baixo.)

madness king george

 

Um excelente discurso, o de Cavaco Silva ontem na tomada de posse do Governo, ofuscando o de Sócrates, que foi chocho, demasiado genérico e que mostrou como o Governo se prepara para nada fazer e culpar a oposição do facto. Cavaco, numa muito boa intervenção depois da incompetência do caso das escutas, começou por fazer o diagnóstico da situação económica do país (é melhor enviar um desenho explicativo ao PM, já que, pelo que se viu na campanha eleitoral e no discurso de tomada de posse, o senhor ainda não entendeu que há crise, e grave, em Portugal que vai além das consequências da crise internacional), afirmou-se como referencial de estabilidade, lembrou a sua (positiva) experiência como líder de um governo minoritário, apelou à responsabilidade, colocou o horizonte temporal do governo em quatro anos; um discurso leal com o governo eleito, mas também de responsabilização do mesmo. Mostrou que entende o que está em causa (melhor do que o PM) e que, na sequência da novela veraneja, também sabe do que é feito o PM (com as referências ao carácter e à fidelidade à palavra dada tanto em público como em privado).

Vergonha

É conveniente lembrar que foi um juiz português que decidiu estragar, talvez sem remédio, a vida desta menina. É certo que as nossas leis tendem a ser estúpidas, mas também é verdade que o juíz que decidiu entregar uma menina a uma mãe alcoólica e ex-prostituta, para a levar para um país onde não conhecia ninguém e com uma língua desconhecida tinha margem para manter a criança na família de acolhimento. Este juíz devia ser inibido de julgar qualquer caso relacionado com menores.

F_AngelicoNoleTangere

Também me parece que esta dificuldade que Saramago e alguns ateus têm em compreender o que está escrito na Bíblia tem mais a ver com problemas de literacia do que com ausência de fé.

anatomy of a murder

Quase apetece um ciclo James Stewart, um grande actor e um bom homem, mas só se for na fase tardia da carreira, talvez os Hitchcocks. Não quero ir parar ao Mr Smith Goes to Washington; a política para os lados do PSD já é – e, parece-me, continuará a ser – deprimente o suficiente, e para vilões assassinos de carácter (enfim, é aquilo a que aspiram, felizmente com o pouco talento de que dispõem não singram) já temos na vida real meia dúzia de passoscoelhistas.

I didn´t do it

O Luís bateu no ponto: durante três anos e meio Sócrates queixou-se de que tudo o que corria mal (e foi muito) se devia à herança dos mauzões do PSD que lá haviam estado antes a governar; no último anos, tudo o que correu mal (e foi muito) foi culpa da crise internacional, provocada pelos vilões neo-liberais, que não permitia aproveitar os enormes benefícios da governação socialista; na próxima legislatura, tudo o que correr mal (e teme-se que seja muito) vai ser culpa da oposição que não deixa o esforçado governo governar. Mas não há problema, a comunicação social (sempre bem comportada e socialista) vai dar eco a estas culpas de toda a gente menos do PS e nós sempre gostámos de queixinhas.

Tenho “mixed fellings” sobre este assunto. Se por um lado, posso entender que andar de um lado para o outro com leões e afins tem o seu  risco – embora não exista um historial de animais de circo a fugir – e as condições em que vivem não são concerteza as melhores, também sou sensivel que  o circo faz parte da nossa cultura. Quem não foi ao circo em pequeno? O circo sempre nos mostrou uma mistura de truques e malabarismos bem como a possibilidade de ver animais exóticos. Muitos vão dizer que para isso existe o Zoo, mas a verdade é que não existem ao virar da esquina. Zoos que se vejam, existe o de Lisboa  e da Maia.

Será que vamos entrar numa fobia de defesa dos direitos dos animais e acabar com as Touradas?

northanger abbey

If I may, sugiro a leitura deste post, onde lá para o fim se aprecia o que está na imagem acima.

affirmative-action

Vi hoje à hora de almoço um bem interessante episódio do Boston Public (a série que dá numa das Foxes, passada na Winslow, uma escola pública de Boston). Dois estudantes (um branco e um negro) envolvem-se numa discussão (escalando até à violência) sobre a affirmative action, contaminando de seguida os colegas e até os professores. Vimos os argumentos pró e contra estas políticas de discriminação positiva; a favor: dar maiores oportunidades às minorias, tradicionalmente mais desfavorecidas, garantir uma maior diversidade nos vários locais, concretamente nas universidades, a melhoria de vida de membros das ditas minorias; contra: tornar-se uma espécie de racismo invertido, a injustiça que cria para os brancos que perdem oportunidades para negros ou hispânicos menos qualificados, a capacidade das mulheres e das minorias conseguirem obter o sucesso por seu mérito sem necessitarem de discriminação. (Para mim ganham os argumentos contra, como é óbvio; deve-se garantir a igualdade de oportunidades a todos, e contrabalançar os malefícios do nascimento numa família desfavorecida, mas nunca preferir quem tem piores resultados devido ao género ou à raça ou à etnia). No entanto, o mais interessante do episódio foram os retratos das reacções àquela discussão. Os alunos negros consideravam racismo o repúdio da affirmative action e que esta lhes era devida porque existiu a escravatura (os argumentistas não exploraram a razoabilidade da raiva ainda subsistente nos Estados Unidos devido à escravatura, o que é pena, mas foi só um episódio de 40 minutos) e reagiam com violência. Os alunos brancos sentiam também a injustiça e reagiam com violência. No olimpo dos professores, o director (negro) é a favor da affirmative action e descobre que a sua namorada (negra) é contra a affirmative action e, mais surpreendente ainda, republicana. O namorado nega que tenha problemas com estas descobertas mas fica evidentemente desconfortável. Outra professora (negra) ofende-se pela opinião da até então amiga e considera que esta é uma apoiante dos white supremacists.

Tudo termina, como se esperava, num happy end. Mas foi um bom esboço de como as posições políticas e as opiniões sobre questões polémicas podem envenenar – e sem necessidade nenhuma – as relações pessoais.

O que poderia esperar de uma criança com apetite permanente para causar o caos? Uma uma sitcom onde 5 filhos rapazes massacram os pais. Noddy, volta que estás perdoado…

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an affair to remember

imitation of life

Caros clientes, agora que a minha criança mais nova já tem mais de um mês, que as eleições já terminaram – com o deprimente resultado das legislativas que se sabe – e que eu estou em casa com uma criança calminha (vade retro, cólicas), regresso aqui à Farmácia Central para um part-time. E é um bom dia para regressar. Não só, mais dia menos dia (agora não me recordo e também não tenho assim tanto tempo para ir procurar), comecei há dois anos a minha participação blogosférica, como hoje o meu one month old sorriu pela primeira vez (sorriso voluntário, é claro, não aqueles esgares queridos provocados por movimentos intestinais). Para a mãe (como deve ser o primeiro sorriso). Com um sorriso lindo. (Agora que estou a escrever isto lembrei-me de Francisco Louçã; será que sempre que escrever sobre sorrisos de crianças me vou lembrar dele? Argh…).

E por hoje é tudo, que um dos meliantes cá de casa está na cama há horas a tentar não adormecer e outro começou agora a chorar com fome.

See you!

É sabido que as mães que trabalham são os seres vivos mais competentes na organização do seu tempo. Com uma quantidade inesgotável de tarefas e ainda a necessidade de ter espaço na agenda para si próprias e um tempinho livre em que se faz algo que dá prazer, somos especialistas prontas a sermos contratadas pela CIA para darmos lições sobre eficaz gestão do tempo. Ora esta gestão, no meu caso, a partir do momento em que comecei a escrever no Eleições 2009 - do qual já saí - e me juntei ao blogue não-oficial de apoio ao PSD para as próximas eleições com o witty nome de Papa Myzena leva-me a não ter tempo por agora para atender os clientes aqui do Farmácia e decidi-me a suspender aqui a minha participação.

Depois das eleições, do nascimento do meu filho, enfim, quando estiver um poucochinho mais desafogada, volto a este balcão. Entretanto, já sabem, insistam com a Margarida e o Zé para despacharem por aqui as vossas receitas e a mim leiam-me nos outros blogues.

(Os Jimmy Choo estão lá em cima só porque são bonitos, e nada têm a ver com o posts nem sequer com as sabrinas e flats que é o que eu actualmente consigo usar.)

Estas duas notícias do Sol sobre Sócrates fazem-me perguntar: terá ele alguma noção do que afirma? E a resposta é, convictamente: não. Neste caso - Sócrates considera investimento público «imperativo moral» – só pode estar a gozar com os eleitores de forma pouco subtil. É que mesmo se por razões de não deixar que no curto prazo a situação seja dramática (e ninguém sabe a que ponto vai ser dramática nem se investimento público a vai melhorar) se decida investir, fingir que não há riscos nessa política é simplesmente falta de seriedade gritante. A dívida que se vai transmitir para as gerações futuras não pode ser escamoteada (e se no longo prazo o Sr. Sócrates está morto, os meus filhos não), a escassez de crédito resultante para as empresas também não se deve ignorar, as ineficiências criadas por muita intervenção estatal vão perdurar e, por fim, num país onde o Estado vai pela primeira vez consumir mais de metade da nossa produção, considerar mais gastos públicos “um imperativo moral” é de fazer desconfiar se Sócrates se vendeu secretatamente a Lenin. (E a argumentação de que tudo é “estratégico” e sem esse investimento Portugal africanizar-se-á em definitivo só é suportada por uma grávida com a ajuda de uma daquelas bolinhas anti-stress.) A propósito desta necessidade de investimento, a responsabilidade com que isto é visto pela Comissão Europeia está a anos-luz deste senhor.

Quanto ao conselho de Sócrates para que os empresários “corram riscos”, ah como eu gosto sempre destes conselhos de quem nunca pagou ordenados e segurança social de outros na vida (com a excepção eventualmente da empregada doméstica), e em especial de quem sempre (ou quase sempre) recebeu ordenados pagos pelos contribuintes. Como sou uma menina bem-educada, não respondo ao repto do senhor engenheiro. Como não sou burra – e sei a rentabilidade que os investimentos da era Sócrates tiveram – vou ignorar o conselho. Investimentos nestes anos só ponderadamente e com minimização de riscos. Não se deve dar ouvidos a quem não percebe o que diz.

Já agora aproveito e comento a entrevista de Sócrates à RTP. a) A relação de Sócrates com a verdade não é em definitivo aquela que me ensinaram como boa desde pequenina; não devido ao caso Freeport (não faço ideia do que é verdade), mas pela incomensurável lata de Sócrates sobre as palavras do PR; ouvindo-o, e não tendo ouvido o PR, até parecia que Cavaco andava preocupado com o governo da Papua Nova-Guiné. b) Sócrates esteve mal: irritado, mal-educado, sem ter ensaiado bem ao espelhos as feições para a parte da vitimização. c) Nada de novo saíu da entrevista; Sócrates diz que estamos no melhor dos mundos e se não estamos ele preparou-nos para isso e foi uma sorte termos contas públicas na ordem à conta de uma subida da carga fiscal para agora podermos suportar um défice que pode ir a quase 10%. Deus e cada um de nós nos valha, que a autortidade temporal não está à altura.

“Sou ateu (por convicção), assisti a duas missas (por favor) e nunca falei com um padre (por acaso). Por isso acho graça a certas pessoas que fazem questão de exibir desprezo pelas opiniões da Igreja e passam os dias a escrutinar as opiniões da Igreja, de modo a dedicar-lhes fúria ou galhofa. E desprezo, claro. Imagino que, à semelhança de uma temporada num spa, o exercício tenha efeitos retemperadores. Desde logo, permite aos iluminados pela descrença confrontarem o seu “progressismo” com a tradição religiosa e sentirem-se imensamente “modernos”, “racionais” e, vamos lá, superiores.

É por isso que essa gente aguenta calamidades sem se distrair do essencial: se Lisboa sofresse um terramoto de magnitude oito, os fundamentalistas ateus estariam no meio dos escombros, a criticar nos respectivos blogues as últimas declarações de um bispo qualquer sobre a homossexualidade. Não conheço católicos assim atentos à doutrina eclesiástica.

Ainda há dias, as notícias de que a economia nacional afocinhou para níveis quase inéditos foram, em alguns meios, ignoradas em favor de uma frase do cardeal patriarca acerca dos contraceptivos. Disse D. José Policarpo: “O preservativo é falível”.Num ápice, as caixas de comentários on line encheram- -se de comentários furiosos com a irresponsabilidade e o reaccionarismo do homem. Inchados com o seu íntimo esclarecimento, nenhum dos comentadores desmentiu um simples facto: o preservativo é falível.”

Dias Contados, no DN

Não percam o resto sobre o animado tema ”o preservativo e África”, e também as partes referentes à entrevista do nosso grande líder ou a essa encenação circense que foi a conferência da ONU contra o racismo.

Novos blogues

Como se já não bastasse escrever em 3 blogues (com grande prejuízo do Farmácia, mas o tempo não dá para tudo), vou colaborar no blogue do Público de comentário às três eleições que se avizinham neste ano: o Eleições 2009, já em funcionamento.

Saúda-se também a iniciativa da Sábado de criar dois blogues - Blogue de Direita e Blogue de Esquerda - ao melhor estilo dos blogues ligados a revistas, e que eu tanto aprecio, como os da Spectator ou de The Weekly Standard.

You go, girl!

“Chancellor Angela Merkel of Germany, an avowed friend of the United States and the leader of the European Union’s biggest economy, is diplomatic about the coming visit by President Obama. But she is clear that she is not about to give ground on new stimulus spending, stressing the need to maintain fiscal discipline even as she professes to want to work closely with the new American president.”

NY Times

Clube das Repúblicas Mortas é o novo blogue – muito aguardado em certos quarters – de Henrique Raposo. Bem acompanhado de Rui Ramos.

Através do Joaquim do Portugal Contemporâneo, descobri esta notícia da edição impressa do Público de Domingo (pág.13), da jornalista Natália Faria:

Sucesso profissional é determinado logo na infância
Investigadores seguiram 400 mil trabalhadores para concluir que os nossos salários já estão definidos
à entrada na idade adulta
O salário que uma pessoa receberá ao longo da vida está mais ou menos definido à chegada à idade adulta, segundo um estudo da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.
Depois de dois anos a avaliar a situação de cerca de 400 mil trabalhadores, os economistas Paulino Teixeira e Ana Sofia Lopes concluíram que o sucesso profissional dos trabalhadores adultos é determinado pela educação que estes receberam no pré-escolar e nos primeiros anos de escola.
“Podemos afirmar, eventualmente com algum exagero, que, aos 18 anos, já está tudo determinado e que já é possível nesta fase saber qual é o perfil salarial dos indivíduos”, declara Paulino Teixeira, para reforçar a ideia de que “os primeiros anos de aprendizagem são decisivos”, muito mais do que a formação profissional que cada um venha a receber ao longo da vida.
“É ainda em tenra idade que se adquirem as características que acabam por ser decisivas na inserção no mercado do trabalho, como a persistência, a disciplina, a ambição, a capacidade de trabalhar em equipas e de as liderar”, precisa o investigador.
O ponto de partida do estudo, que se enquadra na tese de doutoramento de Ana Sofia Lopes, era explicar as disparidades salariais dos trabalhadores e perceber que repartição era feita dos ganhos da formação na produtividade das empresas. E o que os investigadores concluíram foi que factores como o grau de escolaridade e a experiência profissional são determinantes mas pelo que sugerem. “À partida, só quem é disciplinado e perseverante é que conclui uma licenciatura. Do mesmo modo, só quem reúne algumas destas características é que vai frequentar a formação profissional das empresas e tirar proveito dela.”
Para Paulino Teixeira, tornou-se assim claro que “não vale a pena estar a ‘investir’ em indivíduos que, aos 20 ou aos 22 anos, apresentam características desfavoráveis no mercado de trabalho, porque estes já perderam capital dificilmente recuperável”.
Por isso é que para este doutorado em Economia as políticas de requalificação profissional dirigidas a adultos, como o programa Novas Oportunidades, são pouco eficazes, na medida em que não conseguirão alterar as tais capacidades não mensuráveis que deviam ter sido adquiridas na infância e que serão determinantes no desempenho profissional.
“Se queremos proteger os mais desfavorecidos, o que temos que fazer é colocar as crianças destas famílias em colónias de férias para que se possam misturar com crianças de famílias favorecidas e beneficiar desse ‘caldo’ social”, preconiza, ao mesmo tempo que defende o reforço do ensino pré-
-escolar e uma aposta no alargamento da escolaridade obrigatória.”

Não faço ideia quando termina o processo em que as pessoas adquirem competências que lhes vão ser essenciais na vida adulta enquanto profissionais e que determinam ou não o sucesso profissional. Sei, contudo, que a formação profissional em adulto é absolutamente irrelevante e inútil se as pessoas não tiverem já as competências que lhes permitem aproveitar o sumo dos novos conhecimentos adquiridos. E quando os formadores e psicólogos falam em alterar comportamentos, desconfiem, querem vender o seu peixe, mas ninguém altera comportamentos na sequência da uma formação profissional; quando muito, pode decidir de forma diferente, se souber discernir a melhor forma de decidir, partindo das novas informações que a formação lhe forneceu. Em todo o caso, com muitas pessoas pode-se dar a formação que quisermos que não há, simplesmente, resultados. (E, a propósito, a obrigação de formação profissional de parte, acho que 10% do pessoal, estabelecida no código de trabalho Bagão Félix é apenas uma forma de obrigar as empresas a gastarem dinheiro sem retorno). Quando falamos de pessoas que não entendem a necessidade de dizer “bom dia” ou “boa tarde” a um cliente, ou que não têm pudor de contar em frente a clientes que não conhecem, durante conversas com colegas, os seus segredos de alcova – como tanto se encontra nas várias lojas portuguesas – há uma falta de competências básicas que não se resolvem com formação profissional.

Incompetência cara

Um milhão de euros foi quanto custou ao Sporting a incompetência de Lucílio Baptista.

Mas como uma desgraça raramente vem só, eis que este expoente do que melhor temos na arbitragem nacional vem dizer às câmaras da SIC que não viu o penalty e que só o confirmou porque o seu assistente que estava atrás de si (e não é demais relembrar que Lucílio estava a tentar olhar para a bola) lho confirmou, porque o árbitro assistente que estava ao pé da bola disse que não tinha visto nada. Quando nesta altura se pensa que as coisas não podem piorar, eis que este mesmo senhor diz também que não se apercebeu que um encontrão que o leva a recuar dois passos e a abrir os olhos ao jogador que literalmente se atirou contra ele tenha sido um incidente grave, e portanto não viu necessidade de o mencionar no seu relatório…

Numa empresa normal, um erro grosseiro de um quadro incompetente que tenha um prejuízo de um milhão de euros pode ser considerado justa causa para despedimento. No futebol português, o próprio do incompetente aparece 24 horas depois da desgraça em plena televisão a dizer que assume o erro com muita pena mas agora já não pode fazer nada.

Com árbitros destes, alguns a quem a incompetência causa mesmo problemas de saúde (lembre-se a azia de Jorge Coroado, outro talento da nossa arbitragem, depois de um Chaves-Sporting), e com o presidente de um órgão responsável como a comissão de arbitragem a dizer de forma no mínimo irresponsável que quem não gosta das arbitragens o melhor é não ir ao estádio, não é de estranhar que os estádios de futebol por esse país fora construídos por altura do Euro2004 (esses grandes investimentos tão criteriosamente escolhidos e até agora com elevados retornos) estejam às moscas.

Não quero com isto tirar o mérito da vitória do Benfica, que embora não tivesse jogado grande coisa nem merecido vencer no final dos 90 minutos (visto que o prolongamento da decisão para a marcação de grandes penalidades foi presente de Lucílio Baptista), soube tirar partido da situação melhor que o Sporting na marcação dos penaltys (coisa que os discípulos de Paulo Bento têm que melhorar). Ironia das ironias, o tipo que acabou por decidir o jogo a favor do Benfica saiu do Sporting pela porta pequena há bem pouco tempo.

e que vale sempre a pena recordar o Colin Firth, aqui vai a capa do dvd do filme de Milos Forman, Valmont, adaptação de Les Liaisons Dangereuses de Choderlos de Laclos. Com uma também adorável (como quase sempre) Anette Benning.

Bastou um

10 Literary one-hit wonders
Luke Leitch looks at those authors for whom one book was enough
, Times

Só li quatro dos dez livros referidos no texto above mentioned – a saber: Wuthering Heights, The Picture of Dorian Gray, Gone With the Wind e o Deus das Pequenas Coisas (este está em português porque li a tradução e apesar de as traduções terem muita culpa em esventrarem obras boas no original no caso concreto parece-me que o livro era mau em qualquer língua) – contudo acho o critério da lista estranho. Oscar Wilde, por exemplo, teve imenso sucesso com as suas peças – An Ideal Husband é a minha preferida, e já teve uma mais que adequada adaptação cinematográfica, com o Jeremy Northam, a Cate Blanchett e o Rupert Everett - e escreveu ainda várias pequenas histórias excelentes para adultos – Lord Arthur Savile´s Crime é delicioso – e para crianças. Além do De Profundis (que eu não li), que me dizem, pessoas em quem acredito, ser muito recomendável. Não me parece ter sido um homem de um êxito só. O mesmo se pode dizer de J.D. Salinger, que publicou com sucesso livros de pequenas histórias. E Arundhati Roy, além de ter escrito um livro mau, booker winner ou não, é nova e pode publicar ainda imenso.

E, atravessando o canal, há autores de sucessos únicos que poderiam figurar na lista, como o Choderlos de Laclos – que além do Les Liaisons Dangereuses escreveu algumas obras filosóficas, mas pelo pouco sucesso e pela área distinta não me parecem contar – ou a Madame de Lafayette com A Princesa de Clèves.

Ao cuidado do Senhor Dr. Carlos Abreu Amorim:

“Vaticano critica excomunhão no caso de aborto no Brasil
Para colaborador de Bento XVI, decisão de arcebispo de Olinda e Recife foi apressada

Em artigo publicado pelo jornal da Santa Sé, o Osservatore Romano, neste sábado, o presidente da Academia Pontifícia para a Vida, Monsenhor Rino Fisichella afirma que os médicos que praticaram o aborto na menina de 9 anos, grávida de gêmeos após ter sido estuprada pelo padrasto, não mereciam a excomunhão.

“São outros que merecem a excomunhão e nosso perdão, não os que lhe permitiram viver e a ajudarão a recuperar a esperança e a confiança, apesar da presença do mal e da maldade de muitos”, escreve Monsenhor Rino Fisichella, um dos mais próximos colaboradores do papa Bento 16 e maior autoridade do Vaticano em bioética. “

Estadão.com.br

A gente sabe que dá sempre muito jeito fingir que as posições individuais de mebros do clero são posições do Vaticano – e como não é só a blogosfera portuguesa que está cheia de Torquemadas moralistas, geralmente anti-clericais, que gostam de julgar e excluir e vituperar as pessoas e as instituições pelo que pensam e fazem, a Igreja também tem a sua quota de justiceiros sempre prontos a julgar os outros e sem entenderem que para Jesus Cristo as pessoas sempre estiveram antes das leis e que agir sem compaixão não é próprio de um cristão, o que resulta em bastantes disparates provenientes de católicos - mas lá por ser conveniente não quer dizer que seja sério.

(E aproveito para fazer um mea-culpa: com a idade vou-me tornando mais tolerante com as falhas alheias, com uma excepção: não suporto gente moralista; não tolero quem tenha a infelicidade de pensar que pode dar lições ou conselhos aos outros, do alto do seu irrepreensível pedestal de ética – pensam os próprios nestes termos do pedestal, claro.)

Hoje li na última Sábado uma pequena notícia que fazia o favor de me (des)informar que Obama(, o Magnífico), havia levantado a proibibição de pesquisa científica com células estaminais embrionárias, imposta durante a época Bush(, o Vilão).

Li também no Blasfémias o CAA, sempre preocupado e ocupado com o que diz o Vaticano – algo cuja razão escapa a toda a compreensão -,  e lá vem novamente a mesma lenga-lenga do parágrafo anterior. (Juntamente com uma moralizaçãozita sobre o que é a defesa da vida, grande campo de especialidade de CAA.) (Não perder também os comentários de Gabriel Silva a desdizer o disparate sobre a posição do Vaticano anunciada por CAA no caso da menina de 9 anos grávida.)

Só é pena que a Sábado e o CAA não digam as coisas como elas são: que Obama não levantou nenhuma proibição à pesquisa mas sim ao financiamento público dessa pesquisa; que Bush financiava publicamente a pesquisa de células estaminais sem destruição de embriões; que a pesquisa que não era financiada publicamente não era apenas de células estaminais mas também com destruição de embriões humanos - e  é muito engraçado tal não levantar questões morais a quem pretende dar lições a outros sobre defesa da vida humana, mas a soberba e a falta de noção não têm limites - e, por fim, que actualmente há um processo de reprogramação de células adultas em células estaminais que torna não só a pesquisa de células estaminais com destruição de embriões humanos desnecessária como economicamente pouco apelativa; e sem levantar qualquer reserva ética. As razões de Obama para ir por este caminho prendem-se apenas com a sua incapacidade de decisão gritante que demonstra em tudo o resto, encostando-se às guerras culturais. Mas, por cá, as pessoas esclarecidas aproveitam sempre, sabe-se lá por que razão, para dizer disparates mentirosos.

Tendo em conta que os anos contam na fertilidade feminina (e, logo, na capacidade de produção óvulos de qualidade), é chocante este estado de coisas. Tanto mais quanto temos um governo que despenalizou o aborto, o realiza gratuitamente a pedido nos hospitais públicos ou o paga nos privados se não puder cumprir os prazos e ainda paga de 15 dias a um mês a totalidade do ordenado às mulheres que abortam.

Há escolhas que envergonham qualquer pessoa decente.

“One in seven people believe it is acceptable in some circumstances for a man to hit his wife or girlfriend if she is dressed in “sexy or revealing clothes in public”, according to the findings of a survey released today.

A similar number believed that it was all right for a man to slap his wife or girlfriend if she is “nagging or constantly moaning at him”.

The findings of the poll, conducted for the Home Office, also disclosed about a quarter of people believe that wearing sexy or revealing clothing should lead to a woman being held partly responsible for being raped or sexually assaulted.”

Este artigo do Times é arrepiante. Mas deixa-nos perceber as razões de absurdos como a sugestão de que partes da sharia pudessem ser aplicadas pelo enquadramento legal britânico às comunidades muçulmanas – o mesmo é dizer às mulheres muçulmanas -, de tolerâncias absolutamente excessivas e criminosas com o tratamento a que são sujeitas as mulheres e raparigas e crianças do sexo feminino das comunidades muçulmanas na Europa, de aceitação que tantas mulheres, só por terem o azar de nascerem em culturas muçulmanas, não sejam cidadãs europeias com todos os direitos disponíveis para os demais. Porque – é disto que se trata – há quem concorde, no fundo, com a visão muçulmana do que devem ser os direitos das mulheres e do que é a condição feminina.

E este facto indecoroso não se esgota nos que pensam ser aceitável bater numa mulher porque ela está vestida de forma sexy (para quem?) ou porque ela é uma chata. Há os que, não batendo, recorrem ao sempre eficaz método passivo-agressivo. Desde os que não permitem que as suas respectivas usem certas roupas – não é preciso pensar em tops de decotes vincados; sei de casos em que uns inofensivos sapatos de uma cor mais ousada são motivo para torcer o nariz – aos que, permitindo (são uns liberais!) torcem o nariz a que a sua mulher/namorada use maquilhagem ou as ditas roupas mais reveladoras e destapam o seu pote de fel nos comentários que fazem. Atenção, eu acho que os homens têm todo o direito de gostarem ou não do que uma mulher veste e escolherem uma mulher que se veste com o recato que julgam adequado; eu também objecto muito a certos tipos de roupa ou a alguns acessórios nos homens; as pessoas também se escolhem pelo que vestem; o que nunca me passaria pela cabeça era proibir ou condicionar as escolhas de quem eu gosto (o que inclui gostar do seu gosto por roupa/acessórios/maquilhagem). Há homens, no entanto, que gostam de determinar o que as suas mulherzinhas vestem (geralmente não se ficam pela aparência física, também se dedicam ao que fazem, ao que lêem,…) - no fundo, gostam de determinar o que elas são.

A culpa de haver homens assim não é só dos próprios. As mulheres que os aturam e se vergam aos seus desejos também são culpadas. É que aquelas que tiveram a sorte de nascer em sociedades livres têm a obrigação de não aturar machistas. E de lhes dar umas lições.

Handmania2007

Se alguém estiver interessado em bolos que põem os miúdos loucos, aqui vai o blogue da Sara Infante do Carmo, com indicações para a encomenda dos ditos cujos. Eu, que já experimentei, recomendo e garanto a admiração dos sub-10 (que foi a amostra que tive). E aqui ficam umas sugestões, para os meninos e para as meninas:

Não são lindos?!

Uns deliciosos  yummie-yummie flats da Stella McCartney.

Como há pessoas muito perigosas por esse mundo, capazes das maiores atrocidades sem qualquer remorso (aquilo que geralmente se designa como psicopata), com os quais as regras de civilidade normais não se aplicam sem perigar a segurança de muita gente, e como por muito odioso que seja – e é – sítios como Guantánamo podem prevenir males maiores do que os que produzem, o melhor é o público americano (e, já agora, mundial) não saber que houve boa gente liberta de Guantánamo que mais valia lá ter ficado.

“At 12:01 P.M. on January 20, 2009, minutes before Barack Obama was sworn in as president, the first post went up on the Obama White House website. It included a reiteration of a campaign promise Obama repeatedly made: “President Obama has committed to making his administration the most open and transparent in history.”Two days later, Obama ordered the detention facility at Guantánamo Bay closed. And two days after that, on January 24, Newsweek’s Michael Isikoff wrote about a Pentagon study that will provide an early test of this promise: “The report, which could be released within the next few days, will provide fresh details about 62 detainees who have been released from Guantánamo and are believed by U.S. intelligence officials to have returned to terrorist activities.”

The report was not, in fact, released within the next few days. On February 2, Commander Jeffrey Gordon, the Pentagon spokesman who handles inquiries about Guantánamo, told us that the report would likely be released later that day. We were told to consult the website–defenselink.mil–that afternoon. No report. When we asked where it was, Commander Gordon wrote: “Nothing today, please check back with me in a couple days.” We did. No report.

This pattern has repeated itself for a month.”

Second Thoughts
The ‘most transparent administration in history’ buries a Gitmo report. , The Weekly Standard

(A propósito, este meu post n´O Insurgente.)

Com a idade a nossa pele muda mesmo – acreditem, isto não é só conversa de marca de produtos de beleza. É normal que uma pele esteja seca e a precisar de hidratação despois de um banho ou, na caso das mãos, depois de cada lavagem de mãos. E eu sempre fui muito cuidadosa com essa coisa da hidratação. Com a pele da cara também sempre tive cuidados de limpeza – não me recordo de algum dia depois dos meus quinze anos ter-me deitado sem limpar a pele da maquilhagem ou das impurezas diárias acumuladas – mas o certo é que até há uns anos nunca havia sentido verdadeira secura da pele da cara. Eu tenho a pele tendencialmente oloesa, pelo que só uso hidratantes oil-free e matificantes (e, claro, os pozinhos matificantes para não exibir uma cara brilhante). Nunca foi nada usual esquecer-me de hidratar a face, mas se acontecesse quase nem reparava. no entanto, contudo, however, nevertheless de há uns tempos para cá, a hidratação da cara tornou-se verdadeiramente essencial. Um dia esqueci-me de pôr o meu All About Eyes e uma meia hora depois lá tive que corrigir a malfeitoria, porque a pele dos meus olhos parecia rígida. Se me esqueço de pôr o hidratante (o que se tornou impossível) sinto a pele da minha cara como uma lixa fina e verdadeiramente desconfortável até repor os níveis de água na minha sôfrega cara. Sinais da idade, presumo. Em todo o caso, hoje é dia de agradecer os bons genes herdados da minha mãe, senhora de muito poucas rugas para a sua idade, que me permitem ainda persistir sem uma única linha de expressão na minha cara. Com a ajuda da hidratação (que, é verdade, é o melhor tratamento contra o envelhecimento da pele), espero continuar assim por muito mais anos.

(Se os meninos que lêem este post estão a pensar que isto é girltalk, desenganem-se: a partir de certa idade, depois de experimentarem um ligeiro bálsamo para os olhos e o conforto súbito subsequente, não vão querer outra coisa. E fazem muito bem.)

Parabéns

O Insurgente - outra casa minha na blogosfera - fez quatro anos a 27 de Fevereiro. Parabéns são devidos, não apenas pela data, mas por ajudar a impor a agenda liberal na blogosfera – e já se sabe como o que vem da blogosfera vai transpirando para o resto da sociedade – sempre com qualidade inexcedível (ainda que agora me fique mal dizer isto, mas considerem que estou a referir-me aos Insurgentes que escreviam no blogue antes de Janeiro deste ano).

“Fraser Nelson says that the Conservatives are taking their cue from the West Coast of America: the land of Google, Stanford University and venture capital. They want to rebuild Britain in California’s image: dynamic, high-tech, green and ‘family-friendly’Once every fortnight or so, David Cameron’s chief strategist lands at San Francisco airport and returns to his own version of Paradise. Steve Hilton has spent just six months living in this self-imposed exile – but his friends joke that, inside his head, he has always been in California. Look at it this way: this is the place on Earth which fuses everything the Cameroons most like in life, where hard-headed businessmen drink fruit smoothies and walk around in recycled trainers. It is where a dynamic economy meets the family-friendly workplace. And it is here, to an extent that is greatly underestimated, that the Conservative government-in-waiting is looking to find a new blueprint for Britain.”

The Spectator

Anne Hathaway em Armani Privé

Lamentavelmente não posso dar opinião sobre os filmes que venceram ou foram derrotados, já que o meu tempo para cinema tem sido inexistente e ainda não vi nada com aroma a Oscar. Ainda lamentavelmente, constata-se que à medida que as senhoras se aprumam com cada vez maior glamour para a cerimónia e que os Oscars se tornam a cobiçada montra dos vários designers mais ou menos consagrados (nesto último caso, à procura de consagração), os senhores andam uma vergonha. Há os que substituem os laços dos smokings por gravatas pretas (que, como se sabe, são adequadas para ocasiões de luto), ou as camisas brancas por camisas cinzentas ou pretas, ou, pior, que nem levam gravata ou envergam um fato sem qualquer semelhança com o código black tie. Uma vergonha e uma desconsideração pelas senhoras, que nitidamente se esforçam. Nunca é de mais repetir que lá porque as senhoras devem ser originais e seguir as tendências da moda isso não quer dizer que os senhores também o façam; os homens querem-se, em especial em eventos formais, conservadores.

Jennifer Aniston em Valentino

Taraji P. Henson em Roberto Cavalli

Freida Pinto em John Galliano

Interessante

o quadro mostrado pelo PR. E que questiona de forma pertinente a prosperidade económica nos tempos democráticos do pós 1975.

Delicioso

É maldade escalpelizar os deslizes alheios, mas políticos são políticos e se projectam uma imagem é bom que estas sejam pelo menos um bocadinho verdadeiras. E estas leituras de Pedro Passos Coelho, além de inexistentes, são deveras curiosas. E apesar de terem sido apresentadas para consolidar uma imagem consistente e de solidez intelectual, só prejudicam o candidato. É que eu, por exemplo, tenho muita relutância em dar o meu voto a quem lê Tolstoi e Dostoievski antes de Somerset Maugham ou Voltaire antes de Eça. E desconfio de quem lê Kafka em qualquer idade e gosta. Alguém com este perfl de leituras tem duas alternativas: se for falso, é um pavão pretensioso; se for real (na parte não Sartre) revela alguns desequilíbrios de personalidade e não tornam nada a pessoa confiável para candidato a Primeiro-Ministro.

Li na última Sábado um texto sobre mães que se irritam por serem tratadas por “mãe”; não pelos filhos (se bem que em alguns casos se parecia chegar a esse limite), mas pelas outras pessoas: os médicos, os professores, os colegas dos filhos e o mundo em geral. Confesso que também acho um pouco ridículo que a enfermeira que dava as vacinas ao meu filho no centro de saúde, bem como outros médicos e enfermeiros durante consultas da pessoa mais pequena lá de casa, me tratasse por “mãe”; enfim, não sou mãe desses senhores e senhoras e acho despropositada a confiança. Mas reconheço que acho inteiramente normal que as mães dos colegas do meu filho me perguntem, ao telefone, se sou a mãe do Francisco e se apresentem como a mãe do Rodrigo, por exemplo. Eu fiz o mesmo quando respondi por telefone a um convite para uma festa de aniversário de uma menina da sala do meu filho. Não nos conhecemos, não temos relação, o elemento de ligação são os filhos, pelo que a forma mais lógica de apresentação é esta, mesmo que acompanhada pelo nome próprio, o que claro que também é simpático. Ainda nas consultas de urgência me parece inteiramente correcto que me tratem novamente por “mãe do Francisco”. Os médicos e ajudantes têm demasiada informação para apreenderem para se ocuparem a decorar por minutos o meu nome. Nunca esta forma de tratamento me fez sentir um apêndice do meu filho ou alguém sem identidade para além do meu papel de mãe. E nunca me ocorreu que as pessoas a quem eu pergunto “é a mãe de…?” sejam umas tolas que se esgotem enquanto mães e que mais nada tenham a oferecer ao mundo.

(E o mesmo se aplica à identificação de “mulher de”; como é óbvio, aos colegas do meu marido que não me conhecem, ou em reuniões familiares alargadas com caras de que apenas nos recordamos vagamente mas não colocamos no lugar certo, acho normal esclarecer quem sou deste modo; afinal eu não estou nesses sítios em nome próprio. O mesmo sucede em simetria com o meu marido nas mesmas situações, sem quaisquer dramas.) (De resto, orgulho-me muito destes qualificativos “mulher de…” e “mãe de…”)

Contudo, algumas mães que devem estar ociosas em demasia para se encarregarem de inventar problemas entendem que serem tratadas por “mãe de …” é uma afronta que a sociedade lhes faz e uma tentativa feroz de lhes roubar a individualidade e as plasmar apenas como mães. Até criam sites e, qualquer dia, associações para protestar contra este ingóbil facto da vida.

Repito: é não terem nada que fazer, para se ocuparem com disparates. Ou, então, têm tão pouca confiança nas suas qualidades fora da maternidade que se sentem em perigo se a sociedade não as reconhecer como mulheres, profissionais,beneméritas, o que for, em cada minuto dos seus dias. Sinceramente, problema dessas senhoras. O que se agradece é que não chateiem as suas semelhantes um bocadinho mais seguras de si próprias. E que a comunicação social, à falta de histórias interessantes e contáveis, não apresente estas tonterias como se de uma tendência irreversível e mui moderna da sociedade se tratasse.

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