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De acordo com Miguel Esteves Cardoso cada manifestação do “Orgulho Gay” na Europa contou (em média) com 100.000 participantes enquanto que cada manifestação contra a Corrupção contou (em média) apenas com 2.500 participantes.

Estatisticamente, conclui o escritor, fica provado que na Europa há MUITO MAIS GENTE a lutar pelo direito de levar no rabo do que a lutar para não ser enrabado.

(palavras do próprio escritor).

Com alguns dias de atraso, cá fica mais uma vez a nossa Magnífica Crítica Cinéfila!!!

…You have to decide if you want to remember or you want to forget…

E desta feita a nossa escolha recaiu sobre o filme Transe (2013) de Danny Boyle com Vincent Cassel, Rosario Dawson e James McAvoy entre outros.

http://www.imdb.com/title/tt1924429/?ref_=fn_al_tt_1

Ora bem, nem sei exactamente por onde começar… A verdade é que o filme é bom (é surpreendente, para ser mais preciso) sem no entanto ter uma história magnífica nem sequer alguma interpretação acima da média. O truque deste filme está mesmo da “reviravolta” completamente inacreditável que a história dá e que a torna singularmente interessante.

Vamos por partes: Um funcionário de uma leiloeira de obras de arte (viciado em poker e com bastantes dívidas acumuladas)  vê na sua profissão uma maneira de arranjar dinheiro fácil para saldar todas as suas dívidas e para isso decide (em conjunto com um bando de “mafiosos”) roubar um quadro avaliado em 28 milhões de dólares. O problema surge quando o jovem leiloeiro (devido a uma forte pancada na cabeça) se esquece literalmente onde guardou o valioso quadro roubado…

…Com recurso a uma “sugestiva” (leia-se: Boazona) Hipnoterapeuta o rapaz vai tentar recuperar a memória de onde guardou o quadro roubado. E tudo isto seria banal se ficasse por aqui… Mas não!!! E se a localização da peça roubada não fosse a única coisa de que este rapaz se esqueceu??? E se ele e a Hipnoterapeuta tivessem já um passado em comum??? E se ele se tivesse esquecido da “pessoa” que  foi no passado??? E se a Hipnoterapeuta conseguisse fazê-lo esquecer tudo o que ela quisesse??? E se ela conseguisse ter esse poder sobre outros homens??? E se ela não se importasse de o usar???…

Ah pois é!!! Tudo isto resulta num filme absolutamente hipnotizante (até ao último instante) que aborda o Poder da Sugestão. A capacidade de “entrar” na cabeça de outra pessoa e de ir lá “mexer” num sitiozinho ou noutro… E obviamente (isto apenas para os IRREDUTIVELMENTE CÉPTICOS como eu próprio nestas questões) a capacidade de se deixar sugerir, de se deixar hipnotizar, de se deixar “mexer”…

A não perder, sem qualquer sombra de dúvidas!!! Até a duração do filme é a perfeita: 100 minutos, para não cansar!!!

P.S. – E se, bem lá no fundo, tudo se resumisse à resposta a dar a este dilema quotidiano: “…You have to decide if you want to remember or you want to forget…”.

 

 

O mundo é um lugar muito injusto para certas mulheres. Não bastavam o maior share das tarefas domésticas, a gravidez e o acompanhamento dos filhos que funcionam como entraves (às vezes voluntários e assumidos) às carreiras femininas, os preconceitos latentes ou declarados quanto à capacidade feminina para tarefas de topo, a exigência de estarmos sempre atraentes, espirituosas, depiladas, num pico de produtividade mesmo depois de se passar uma noite acordada porque um filho não parou de vomitar – enfim, não era suficiente que as mulheres não usufruíssem das vantagens implícitas que os homens têm na vida profissional. Aparentemente tudo piorou – e a culpa é novamente das descendentes de Eva. Mais concretamente, das mulheres alpha, esses seres que pelos vistos têm tudo: ganham muito, vestem bem, são ambiciosas, têm profissões que adoram, competem de igual para igual tanto com homens como com mulheres, vão ao ginásio e colocam botox, gastam dinheiro em si próprias para se manterem jovens e sexys. Como diz Alison Wolf na Spectator, ‘It’s a new world, and a new set of inequalities. [...] What is new, the seismic shift, involves a far larger group: the female elites [...]. They are pulling away, and are leaving the rest of the ‘sisterhood’ behind’. Enquanto as mulheres alpha têm tudo, as do extremo oposto não concluíram uma licenciatura, têm trabalhos indiferenciados onde são pagas para fazer as tarefas tradicionais femininas, não têm dinheiro nem incentivo para cuidarem de si próprias, enfim, um rol de queixas. E – suprema provocação! – enquanto as mulheres que não acabaram um curso superior não têm bom sexo e preferiam gastar o tempo noutras actividades, estas mulheres alpha têm muito sexo, bom e ainda querem ter mais. É demasiada diferença para se tragar no mesmo sexo.


farmáciaantiga

Desde as receitas aviadas na semana passada, já vimos alguns sinais do efeito benéfico dos medicamentos prescritos:

- no PR, que já começou a interiorizar a importância do MARKETING DO PAÍS na Europa e restantes continentes, o que implica acreditar na viabilidade do país, não apenas como um grupo de grandes empresas, grupos financeiros e personalidades mediáticas, mas como uma comunidade de cidadãos com diversas potencialidades. Talvez por ter verificado esses sinais positivos, o médico tenha apenas prescrito a continuação das CAMINHADAS DESCALÇO NO JARDIM, desta vez a visualizar o país a recuperar a pouco e pouco até acreditar nessa possibilidade, o que o irá inspirar a tomar INICIATIVAS VISÍVEIS E PERCEPTÍVEIS sem se esconder dos cidadãos quando exerce por detrás das cortinas a sua influência no governo e no PS.

Quanto ao GOVERNO e o PS, o médico mantém alguns medicamentos mas prescreve outros, numa tentativa de acertar na composição certa e na dose adequada:

- GOVERNO: começando novamente pelo PM, o médico deve ter verificado que o comportamento adolescente se mantém, não assumindo os erros cometidos e continuando a desculpar-se com a decisão do Tribunal Constitucional, pelo que mantém A DOSE DUPLA DE RESPONSABILIDADE, só que em vez do xarope e cápsulas, vai tentar com comprimidos de 500 mg a tomar 3 vezes ao dia (pequeno-almoço, almoço e jantar), e desta vez acompanhados de SORO DA VERDADE, o último grito da ciência médica apenas testado no público normal, mas talvez o médico queira verificar como se comporta este medicamento no público-alvo a que se destina, os políticos.  Quando se notarem sinais do seu efeito, o médico prescreve aqui CONHECER A REALIDADE ACTUAL DO PAÍS em cápsulas a tomar logo de manhã. O médico considera que conhecer o país e identificar-se com os seus concidadãos é a base necessária para conseguir efectuar o MARKETING DA VIABILIDADE DO PAÍS, por isso também prescreve exercícios de VISUALIZAÇÃO DO PAÍS RECUPERADO nos intervalos dos conselhos de ministros, tantas vezes por dia quanto as necessárias, inicialmente com o apoio técnico de um personal trainer, até ter adquirido a capacidade de acreditar nessa possibilidade: a economia a mexer, recursos optimizados, empresas novas a iniciar a sua actividade, os jovens a ter futuro no país, o sector público mais eficiente e com serviços de qualidade, os mais velhos protegidos, a sociedade civil activa e criativa a colaborar com serviços (público) e empresas (privado) nas melhores soluções para o país, o interior de novo habitado e com juntas de freguesia próximas assim como centros de saúde, estações de correios e postos de gnr.

A seguir vem o ministro das Finanças: vamos a ver se consigo decifrar a letra do médico, parece ser isto. Não se tendo colocado o ministro de QUARENTENA, apenas aliviando os cidadãos da sua presença mandando-o ir chatear os estrangeiros tecnocratas da Europa e de Washington com os seus powerpoints (baseados em estudos de economistas com erros de cálculo), e começando a mostrar por cá outros ministros um já bem conhecido outro completamente desconhecido, o médico mantém a receita pois considera que manter o ministro que é percebido pelos cidadãos como o homem da troika só poderá piorar a situação do país.

- PS: o médico mantém o medicamento APRENDER A NEGOCIAR, com a indicação de passar a 1 vez por dia, tal como prescrito anteriormente. Quanto à VITAMINA D, tomar até terminar o frasco pois o sol apareceu finalmente e não se verifica a necessidade de nova prescrição. O médico também parece ter ficado satisfeito com os sinais positivos do medicamento ADAPTAÇÃO ÀS CIRCUNSTÂNCIAS ACTUAIS, pois o doente deixou de exigir eleições antecipadas, pelo que pode ser substituído por RESISTÊNCIA e AUTO-CONFIANÇA em cápsulas a tomar 3 vezes por dia (pequeno-almoço, almoço e jantar) para encarar as reuniões com o governo. Como o médico considera que a auto-confiança se baseia na VERDADE e na RESPONSABILIDADE prescreve, não propriamente o soro da verdade, pelo menos por enquanto (parece que os políticos são mais atacados pelo vírus da mentira quando exercem o poder ou nas campanhas eleitorais só se aproximando da verdade quando estão na oposição), mas um xarope a tomar duas vezes por dia.

Crítica Cinéfila.

Cá estamos mais uma vez para a (já) tão aguardada Crítica Cinéfila.

E desta vez o contemplado com a nossa escolha foi: Efeitos Secundários (2013) de Steven Soderbergh com Rooney Mara, Jude Law, Catherine Jeta-Jones e Channing Tatum entre outros…

A história é simples (ou então nem tanto…): Uma jovem mulher recém-casada aparentemente a sofrer com uma brutal depressão (será?!?!?!?) é consultada por um psiquiatra que, ao abrigo de um protocolo experimental, lhe receita um novo medicamento que está a ser introduzido no mercado. Esta nova droga parece, no entanto, provocar-lhe efeitos secundários devastadores (será?!?!?!?) que a levam mesmo a cometer um homicídio. A história é esta e seria quase banal (mesmo repetitiva) se, mais ou menos a dois terços do filme, não existisse uma GIGANTESCA REVIRAVOLTA que (para além de me surpreender completamente) me deixou “agarrado” à tela mesmo até à última cena. LIKE!!!

Quanto a interpretações temos uma magnífica: A brutalmente depressiva/perturbada/apática (será?!?!?!?) Rooney Mara (que para quem não se lembra fez o papel principal no extraordinariamente violento mas Bom “O Homem que Odeia as Mulheres” e outra razoável (sexy, sexy, sexy…) da Catherine Jeta-Jones no papel de uma Psiquiatra que já tinha anteriormente tratado (será?!?!?!?) a personagem principal.

No que toca ao Jude Law (que interpreta o Psiquiatra que actualmente se encarrega do caso da “nossa” paciente (será?!?!?!?)), do meu ponto de vista trata-se claramente de um ERRO DE CASTING. Aquela carinha de “menino bonito” não é compatível (e muito menos credível) com a astúcia e raciocínio que a personagem vem a demonstrar e que é fundamental para o desfecho do filme. Assim de repente era capaz sugerir “um” Tom Hanks para este Papel… (as meninas que suspiram por este “inglesito empertigado” que me desculpem…).

Lá pelo meio do filme ainda se consegue avistar uma abordagem (ainda que muito sublime) a assuntos sérios (e cada vez mais actuais) como sejam os da “auto-medicação” e do “abuso de medicação” por parte de muitos médicos ou pacientes.

Para finalizar, para quem for ver o filme… A ÚLTIMA CENA (mesmo, mesmo a última) diz muito acerca de todo o filme!!! Cá se fazem, cá se pagam… AH AH AH!!! (mas é preciso estar com MUITA atenção)!!!

Este vale claramente a pena ser visto. BOM FILME!!!

P.S. – Como é que eu poderia esquecer isto!!!!!!!!!!! Para os homens que ainda não estão convencidos há uma cena (quase no fim) que poderá valer pelo filme todo!!! Imaginem a Catherine Jeta-Jones assim vestida de “menina de colégio” (mas EM BOM…) e a “nossa” paciente (será?!?!?!?) Rooney Mara… Botões a serem desapertados… Saias curtas… Saquem da net ou vão ao cinema!!!

Finalmente mais algumas receitas para aviar nesta Farmácia e desta vez não são para o mesmo doente de sempre: o cidadão-contribuinte todos os dias e eleitor de 4 em 4 anos. Não, desta vez o médico percebeu que os doentes a precisar hoje de uma receita são o GOVERNO, o PS e o PR. Vamos então procurar nas prateleiras desta Farmácia os medicamentos certos e devidamente prescritos:

Image

- para o GOVERNO: a começar pelo PM, o primeiro medicamento é UMA DOSE DUPLA DE RESPONSABILIDADE, uma em xarope e outra em cápsulas para tomar 3 vezes por dia (ao pequeno-almoço, almoço e jantar). O médico deve ter ficado preocupado com o comportamento adolescente do doente no discurso sobre os obstáculos colocados pelo Tribunal Constitucional à sua excelente governação. A tomar ainda vitamina B para o stress. E agora, para o ministro das Finanças: QUARENTENA, esta é forte. Parece que se trata de uma questão muito delicada porque o médico pede aqui vários exames em que parece querer detectar uma alteração genética. Vamos ver se percebo a letra: despiste de vírus de tecnocrata europeu e de técnico de produtos financeiros de alto risco. Talvez o médico esteja a querer poupar o outro doente já encharcado em comprimidos, o cidadão-contribuinte todos os dias e eleitor de 4 em 4 anos, para não continuar a sofrer de stress pós-traumático da voz hipnótica do ministro (que, aliás, fala inglês com mais fluência do que português). 

E agora o PS:

- o primeiro medicamento é APRENDER A NEGOCIAR. Não há dúvidas, cá está. Tomar 2 vezes ao dia até conseguir absorver a noção de partilha de responsabilidade considerando os interesses mais elevados do país. Passados 15 dias, pode reduzir a dose para 1 vez por dia acompanhado de vitamina D (a parar quando puder apanhar sol). Sim, sem dúvida que é isso que os gatafunhos do médico querem dizer. O segundo medicamento é CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃO ÀS CIRCUNSTÂNCIAS ACTUAIS. Tomar 3 vezes por dia com bastante água para não desidratar. Parece que o comportamento alucinado do doente ao pedir (ou exigir) eleições antecipadas, numa altura destas, levou o médico a considerar o pacote das 500 mg. 

Finalmente, o PR:

- CONTENÇÃO NA UTILIZAÇÃO DAS REDES SOCIAIS, sobretudo evitar debitar opiniões vingativas e fora de prazo sobre terceiros. Um chá para o fígado. Percebi bem? Mas é isso que parece. A alternar com CAMINHADAS DESCALÇO NO JARDIM e visualizar-se de boa disposição, com saúde, a amar incondicionalmente todas as pessoas do planeta, até conseguir enraizar-se no lugar que ocupa e no papel que desempenha. Quando se notar que já melhorou, iniciar os contactos internacionais, fazer o MARKETING DO PAÍS na Europa e restantes continentes.

Para já, são as receitas que temos para aviar ainda hoje.

Crítica Cinéfila.

Cá estamos de novo para a tão aguardada Crítica Cinéfila…  

E desta vez o “contemplado” foi: Comboio Nocturno para Lisboa (2013) de Bille August com Jeremy Irons, Mélanie Laurent, Nicolau Breyner e Beatriz Batarda entre outros…

http://www.imdb.com/title/tt1654523/

Um mau filme. Um filme realmente fraco em todas as suas vertentes que, curiosamente, tem por base uma Boa História.

Para quem como eu acredita (já o disse várias vezes) que uma Boa História é mais ou menos 90% de tudo aquilo que um filme precisa para ser um Bom Filme, este é claramente a excepção que confirma a regra!!! Temos pois aqui claramente uma Boa História que depois foi “vestida” com um filme transversalmente mau…

E a história é mesmo boa: Portugal no “antes do 25 de Abril”. A PIDE. Perseguições Políticas e a Resistência Clandestina ao Regime Fascista. Um banal (e desinteressante) professor a morar em Berna, na Suíça, que certa manhã salva uma jovem do suicídio, resolve rumar a Lisboa para conhecer o autor do livro (“O ourives das Palavras”) que essa mesma jovem lhe deixa para trás. Uma história com potencialidades…

…O problema é mesmo o filme que foi feito a partir daqui: Muitíssimo enfadonho, totalmente arrastado, banal, cheio (a abarrotar) de flashbacks e referências constantes a nomes, apelidos, nomes e mais apelidos de personagens (umas passadas e outras presentes) que baralham completamente o espectador e nos fazem (pelo menos a mim…) perder completamente o fio à meada. Diálogos arrastados, sonolentos e absolutamente desinteressantes. Banda sonora desinteressante. Os únicos aspectos positivos são mesmo as paisagens desta “Bela Lisboa” (o filme foi quase exclusivamente filmado em Lisboa) e a presença da lindíssima Mélanie Laurent que é um Hino à Beleza da Mulher!!! Não há mesmo dúvidas nenhumas que, neste campo, muitas das actrizes francesas da actualidade estão, por assim dizer, “10 passos à frente”…

Última nota só para dizer que, para mim, é um verdadeiro desperdício de talento um Actor da categoria do Jeremy Irons participar num filme destes!!! Apesar duma interpretação “razoável” (pelo menos em comparação) eu diria que toda a mediocridade e banalismo do filme a absorvem a abafam por completo.

Não é meu hábito ser tão radical mas, desta vez, eu diria mesmo que não vale a pena… Nem pelas pipocas vale a pena ver este filme!!!

Para a próxima será melhor!!! Então até lá…

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